Horário de Atendimento
 07h:40 min às 11h:40min
 13h:30 min às 17h:30min

Contato
Telefone: (44) 3011-8995
e-mail:     unati@uem.br

 

 

Localização
Universidade Estadual de Maringá
Bloco - 123 (ao lado da Reitoria)
Em frente a Avenida Colombo

Inscrição
Pessoas com idade igual ou
superior  a 60 anos.
Na secretaria da UNATI

Anais - Trabalhos - temática01

 


AVALIAÇÃO DA DEPENDÊNCIA DOS IDOSOS RESIDENTES EM ÁREA DESCOBERTA PELA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA PELO ÍNDICE DE KATZ

Ana Caroline Oliveira Gomes
Acadêmica de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá - UEM
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Célia Maria Gomes Labegalini
Enfermeira, mestranda no Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UEM
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Iara Sescon Nogueira
Enfermeira, Programa Centro de Referência do Envelhecimento - PROCERE/UEM
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Lígia Carreira
Enfermeira, Professora Doutora do Departamento de Enfermagem da UEM
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Miriam Goes Lubke
Enfermeira da UBS Pinheiros – Secretaria de Saúde de Maringá
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Julieta Maria Almendra de Souza
Enfermeira, Diretora da UBS Pinheiros – Secretaria de Saúde de Maringá
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Resumo
A presente pesquisa objetivou classificar o grau de dependência dos idosos residentes na área descoberta pela Estratégia da Família de uma Unidade Básica de Saúde do município de Maringá-PR, segundo o Índice de Katz. Trata-se de pesquisa de campo, quantitativa e descritiva. Foram identificados 94 idosos residentes na área descrita, deste 35 foram visitados e aplicado a escala, em relação ao nível de independência 85% apresentam grau 6 e 15% grau 5. O projeto tem como meta visitar todos os idosos até fevereiro de 2015. Os dados estão sendo coletados nas residências dos participantes, tabulados e analisados utilizando estatística simples. O estudo possui aprovação pelo Comitê Permanente de Ética em Pesquisas com Seres Humanos, e destina-se somente aos idosos que expressarem ciência e concordância com a pesquisa mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, seguindo todos os preceitos éticos da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Espera-se que com essa pesquisa seja possível classificar o grau de dependência dos idosos residentes na área descoberta e em conjunto com o serviço de saúde traçar estratégias para a promoção da saúde e prevenção á saúde do idoso.

Palavras-chave: Envelhecimento; Independência; Enfermagem Geriátrica.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia

Introdução
O envelhecimento populacional é considerado um fenômeno mundial decorrente da queda da fecundidade e mortalidade, do controle das doenças infecciosas, do avanço científico e do crescimento das tecnologias na assistência à saúde (FLORIANO, 2013). O aumento da longevidade é diretamente proporcional à dependência do idoso, em decorrência de múltiplos fatores, dentre eles as alterações biológicas e fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento, as quedas, doenças e condições crônicas.
Estudos têm demonstrado que a maior parte dos idosos apresenta pelo menos uma enfermidade crônica e, com relação à funcionalidade, 40 a 50% dos idosos possuem algum grau de dependência. A dependência aumenta com o avançar da idade, podendo chegar a 51% em idosos acima de 85 anos (PAVARINI; et al., 2005).
A dependência é avaliada de acordo com a capacidade para realizar as atividades de vida diária - que são essenciais para a vida cotidiana. Levantar da cama, vestir-se, tomar banho, escovar os dentes, pentear o cabelo, comer, deslocar-se dentro e fora de casa são algumas dessas atividades (RUIPÉREZ; LLORENTE, 2000). Problemas com esses domínios representam um risco severo à independência e causam sobrecarga aos cuidadores formais e informais (DUARTE; DIOGO, 2005).
O suporte familiar é primordial para uma prestação de cuidados de qualidade ao membro mais velho. Todavia, prestar cuidados em casa a pessoas dependentes é uma tarefa árdua que pode acarretar consequências para o cuidador e para a família como um todo. Ora, sabendo como e em que medida se altera a dinâmica da família que coabita e cuida de um familiar idoso dependente, podemos mais facilmente identificar aquelas famílias que possam estar em risco de desequilíbrio e assim estabelecer mecanismos e programas de apoio que vão de encontro às mesmas (SALGUEIRO; LOPES, 2010).
Observa-se, assim, que a atenção domiciliar aos idosos dependentes demanda programas de orientação, informação e apoio da equipe que assiste essa família, principalmente, do suporte familiar, constituindo-se num dos aspectos fundamentais na atenção à saúde desse grupo populacional.
Entretanto, a presente proposta de pesquisa trata-se de idosos moradores de uma área descoberta da ESF - o que possivelmente dificulta o acesso às informações e orientações para esses idosos e famílias, tornando-os vulneráveis. Afirma-se que área descoberta é aquela sem atendimento da Estratégia Saúde da Família (ESF); representa área em que se desconhecem as condições de vida e saúde. Consequentemente, impedem a programação oportuna em saúde e aumenta-se a demanda espontânea na UBS. Além disso, essas famílias tornam-se vulneráveis pela dificuldade de acesso à saúde por desconhecerem quando devem procurar o serviço de saúde (PAVARINI; et al., 2005), sobretudo quando assumem o cuidado do familiar idoso.
Objetivo
Classificar o grau de dependência dos idosos residentes na área descoberta pela Estratégia da Família da Unidade Básica de Saúde (UBS) Pinheiros, no município de Maringá-PR.
Materiais e Métodos
Trata-se de pesquisa de campo, quantitativa e descritiva realizada na área descoberta pela Estratégia da Família de uma Unidade Básica de Saúde localizada no município de Maringá-Paraná-Brasil, com 35 idosos residentes, de ambos os sexos, com faixa etária de 60 e 84 anos, no período de setembro á outubro de 2014. Os idosos foram levantados por meio do projeto de extensão “Acompanhamento familiar de idosos com dependência”.  O projeto tem como meta visitar todos os idosos até fevereiro de 2015.
Realizou-se avaliação através do Índice de Katz em cada indivíduo, sendo analisados os diferentes graus de  independência funcional dos idosos em suas atividades básicas de vida diária, tais como banhar-se,  vestir-se, utilizar o banheiro para eliminações, realizar  transferências, ter controle dos esfíncteres e alimentar-se.  
Os idosos foram classificados, através do escore obtido no índice de Katz. Os graus considerados para a independência ou dependência funcional são progressivos, desde a independência total para todas as seis funções (grau 0), passando pela dependência em uma função e independência em cinco funções (grau 1), dependência em duas funções e independência em quatro funções (grau 2), dependência em três funções e independência em três funções (grau 3), dependência em quatro funções e independência em duas funções (grau 4), dependência em cinco funções e independência em uma função (grau 5), até a dependência total para realizar as seis funções avaliadas (grau 6).  
Os dados foram coletados e tabulados através do uso do programa Microsoft Excel® 2010 e receberam análise realizada de forma de estatística simples, onde as variáveis qualitativas foram apresentadas por meio de frequências relativas (%) e absolutas (N).

O estudo possui aprovação pelo Comitê Permanente de Ética em Pesquisas com Seres Humanos da Universidade Estadual de Maringá, e destina-se somente aos idosos que expressarem ciência e concordância com a pesquisa mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, seguindo todos os preceitos éticos da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.
Discussão de Resultados
Foram avaliados 35 idosos, destes 57% são do sexo feminino (N20) e 43% do sexo masculino (N15), com idade entre 60 á 85 anos (média de 69 anos). Sobre possuírem ou não cuidadores, 97% dos idosos relataram não possuírem (N34).
Em relação ao nível de dependência 14% dos idosos avaliados (N5) apresentaram escore 5, ou seja, possuem dependência em cinco funções e independência em uma função (grau 5) e 85% dos avaliados (N30) possuem escore 6, os mesmos possuem dependência total para realizar as seis funções avaliadas (grau 6).
Estudos epidemiológicos realizados em vários países mostram que apenas 4% dos idosos de mais de 65 anos apresentam incapacidade grave e alto grau de dependência, contra 20% que apresentam um leve grau de incapacidade. Segundo as mesmas pesquisas, 13% dos idosos que têm entre 65 e 74 anos e 25% dos idosos que estão entre os 75 e os 84 apresentam incapacidade moderada. Acima dos 85 anos, o percentual de portadores de incapacidade moderada sobe para 46% (DUARTE; DIOGO, 2005).
Os dados levantados até o presente momento demostram que 85% dos idosos são independentes para realizar suas atividades básicas de vida diária, isto pode ser justificado quando considerado que, grande parte dos idosos já mostram interesse em uma vida mais saudável, ativa e independente nesta fase da vida, e com a implantação de programas e projetos relacionados à promoção da saúde e bem estar desses indivíduos, os mesmos tendem a participarem com mais frequência de atividades físicas, exercícios, esportes, danças e algumas atividades recreativas, na busca de benefícios à saúde (BORGES, 2009).
Conclusão e Considerações Finais
A atenção à capacidade funcional e ao grau de dependência dos idosos aparece como um dos propósitos principais das políticas públicas e de saúde para essa população. As ações devem ser prestadas, em especial, pelos profissionais das unidades da Estratégia de Saúde da Família, pois suas equipes têm acesso aos domicílios onde os idosos e suas famílias estão presentes.
Sendo assim, a determinação da capacidade funcional e a observação do desempenho das atividades de vida diária do idoso, se dá a partir da percepção direta do cuidador e do profissional da área da saúde, sendo esse um indicador imprescindível para adequar os cuidados de enfermagem tanto ao paciente quanto ao familiar.
Referências
DUARTE, Y.A.O.; ANDRADE, C.L.; LEBRÃO, M.L. O Índex de Katz na avaliação da funcionalidade dos idosos. Rev Esc Enferm USP. n.41, v.2, p.317-25, 2007.
DUARTE, Y.A.O; DIOGO, M.J.D. Atendimento domiciliar: um enfoque gerontológico. São Paulo: Atheneu, 2005.
FLORIANO, A. L. et al . Cuidado realizado pelo cuidador familiar ao idoso dependente, em domicílio, no contexto da estratégia de Saúde da Família. Texto contexto - enferm.,  v. 21,  n. 3, 2012 .
LOURENCO, R. A.; VERAS, R.P.; RIBEIRO, P. C. C. Confiabilidade teste-reteste do Mini-Exame do Estado Mental em uma população idosa assistida em uma unidade ambulatorial de saúde. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., v. 11,  n. 1, 2008 .   
PAVARINI, S.C.I.; MENDIONDO, M.S.Z.; BARHAM, E.J.; VAROTO, V.A.G.; FILIZOLA, C.L.A. A arte de cuidar do idoso: gerontologia como profissão? Texto Contexto Enferm. v.14, n.3, p.398-402, 2005.
SALGUEIRO, H; LOPES, M. A dinâmica da família que coabita e cuida de um idoso dependente. Rev. Gaúcha Enferm. (Online).  v.31,  n.1, 2010.
RUIPÉREZ, I.; LLORENTE, P. Geriatria. Editora: Mcgraw Hill, 2000.
SUDRE, M.R.S. Prevalência de dependência em idosos e fatores de risco associados. Acta paul. enferm. [online] v.25, n.6, p. 947-953, 2012.
THOBER, E.; CREUTZBERG, M.; VIEGAS, K. Nível de dependência de idosos e cuidados no âmbito domiciliar. Rev Bras Enferm. v.58, n.4, p.438-43, 2005.
BORGES, Milene Ribeiro Dias; MOREIRA, A. K. Influências da prática de atividades físicas na terceira idade: estudo comparativo dos níveis de autonomia para o desempenho nas AVDs e AIVDs entre idosos ativos fisicamente e idosos sedentários. Motriz, v. 15, n. 3, p. 562-73, 2009.

 


 ANÁLISE DE TENDÊNCIA DAS INTERNAÇÕES POR DIABETES MELLITUS EM IDOSOS NO ESTADO DO PARANÁ

Paula Cristina Gerhardt
Mestranda do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM) - Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Ana Carla Borghi
Enfermeira. Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá- PR - Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
                                                     
Carlos Alexandre Molena Fernandes
Educador Físico. Doutor em Ciências Farmacêuticas. Professor do Programa de pós-graduação em Enfermagem da UEM - Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Thais Aidar de Freitas Mathias
Enfermeira. Doutora em Saúde Publica. Professora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UEM - Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Lígia Carreira                                                         
Enfermeira. Doutora em Enfermagem Fundamental. Professora do programa de Pós-graduação em Enfermagem da UEM - Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Resumo
O Diabetes Mellitus é uma doença crônica não transmissível e é uma das principais causas de mortalidade e de hospitalizações no SUS. Assim, objetivou analisar a tendência temporal das internações por Diabetes Mellitus entre idosos residentes no Estado do Paraná, Brasil, no período de 2001 a 2013. Trata-se de um estudo ecológico, de séries temporais, que utilizou dados secundários, coletados no Sistema de Informação Hospitalar do Sistema Único de Saúde. Os dados foram coletados segundo sexo e faixa etária. Os idosos foram classificados em três grupos etários: 60 a 69 anos; 70 a 79 anos e 80 anos e mais. Os coeficientes de internação foram calculados dividindo-se o número total de internações de idosos residentes no Estado pelo popular de idosos e multiplicando-se por 10.000, segundo sexo e grupo etário, para o período estudado. A análise de tendência das internações foi feito por meio dos diagramas de dispersão dos coeficientes e dos anos de estudo. Na análise das tendências de regressão utilizou-se o modelo polinomial, no qual as taxas de internação foram consideradas como variáveis dependentes (Y) e os anos calendário de estudo como variável independente (X). Os resultados mostraram tendência decrescente das taxas de internações no sexo feminino, e crescente para o sexo masculino. Analisando os coeficientes segundo faixas etárias, observa-se que quanto mais longevo o grupo etário maior a magnitude do incremento anual. Esses resultados reforçam a necessidade de uso dos sistemas de informação como fonte para o planejamento de ações em saúde voltadas para a população idosa.
Palavras-chave: Idoso; Diabetes Mellitus; Hospitalização.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia

Introdução
O Diabetes Mellitus (DM) é considerado uma das principais causas de mortalidade e de hospitalizações no Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2013). O DM é uma Doença Crônica não Transmissível que é considerada como fator de risco para inúmeras morbidades cardiovasculares, que geram grandes danos socioeconômicos. O DM também é fator de risco para doenças como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (CARVALHO et al., 2012).
As doenças crônicas são consideradas como uma verdadeira epidemia, e sua situação agravada pela transição demográfica acelerada, sendo os idosos considerados como grupo de risco. A proporção de pessoas com 65 anos ou mais na população dobrou no país em duas décadas, passaram de 2,7% em 1960 para 5,4 % em 2000 e será de 19% em 2050, segundo previsão feita, quando acabará por superar o número de jovens (MENDES, 2011). A Diabetes é, portanto, uma doença comum ao envelhecimento, e está entre aquelas que têm sua prevalência aumentada com o avanço da idade (LOYOLA et al., 2013).
No Brasil, de 60 a 80% dos casos de DM podem ser tratados na rede de Atenção Primária de Saúde, sendo necessário o desenvolvimento de medidas preventivas e de promoção de saúde (CARVALHO et al., 2012). Desta forma, faz parte do grupo de Condições Sensíveis à Atenção Primaria (CSAP). As CSAP são um conjunto de problemas de saúde cuja efetiva de ação na APS reduziria o risco de internações hospitalares. Neste sentido, as internações por CSAP têm sido usadas, internacionalmente, como ferramenta para a avaliação da qualidade e acesso dos serviços da atenção primária (ALFRADIQUE et al., 2009).
Objetivo
O presente estudo tem o objetivo de analisar a tendência temporal das internações por diabetes mellitus entre idosos residentes no Estado do Paraná, Brasil.
Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo ecológico de séries temporais no qual foi analisada a tendência da taxa de internação por DM, no período de 2001 a 2013, em idosos residentes no Estado do Paraná, Brasil.
Os registros de internações hospitalares foram obtidos do Sistema de Informação Hospitalar do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), a partir das Autorizações de Internações Hospitalares (AIHs) compiladas no SIH-SUS, e as estimativas da população idosa residente no Estado, obtidas através do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados foram coletados segundo sexo e faixa etária. Os idosos foram classificados em três grupos etários: 60 a 69 anos; 70 a 79 anos e 80 anos e mais.
Para internações por diabetes adotou os códigos E10, E11, E12, E13 e E14 da classificação fornecida pela CID 10a revisão. Os coeficientes de internação foram calculados dividindo-se o número total de internações de idosos residentes no Estado pelo popular de idosos e multiplicando-se por 10.000, segundo sexo e grupo etário, para o período estudado.
A análise de tendência das internações foi feito por meio dos diagramas de dispersão dos coeficientes e dos anos de estudo. Na análise das tendências de regressão utilizou-se o modelo polinomial, no qual as taxas de internação foram consideradas como variáveis dependentes (Y) e os anos calendário de estudo como variável independente (X).
Os cálculos dos coeficientes de internações e figuras com as séries históricas foram elaborados em planilhas do software Microsoft Office Excel (versão 2007) e as análises de tendências realizadas pelo software SPSS (versão 18.0).
Discussão de Resultados
Ocorreram no Paraná no período de 2001 a 2013, 117.428 internações por DM em indivíduos acima de 60 anos. Quando classificadas por sexo, foram 21.633 internações por DM no sexo masculino e 37.960 no sexo feminino.
Houve declínio nas taxas de internação por diabetes na população idosa feminina residente no Estado do Paraná e aumentou no sexo masculino, nas faixas etárias de 60 a 69 anos e 80 anos e mais. Essa redução pode ser explicada pelo fato da maior demanda pelos serviços de saúde de atenção primária ser majoritariamente por mulheres, ou seja, elas procuram com mais regularidade os serviços básicos de saúde, além de apresentarem maior adesão ao tratamento medicamentoso, melhorando os cuidados com prevenção e promoção da saúde (BARRETO; MARCON, 2013).
O decréscimo nas internações também pode estar relacionado com o melhor acesso e a qualidade do cuidado na atenção primaria de forma oportuna e eficaz, o que leva a melhoria dos cuidados preventivos e consequente redução das hospitalizações. Desta maneira, considerando o aumento da população acompanhada e tratada pela atenção primária, as taxas de internações por esta doença tendem a decrescer (WALKER et al., 2013).
A tendência crescente nos coeficientes de internação do sexo masculino pode ser justificada devido a pouca procura dos homens pelos serviços de saúde voltados a promoção e prevenção de doenças, limitando as ações de saúde voltadas a essa clientela. Desta forma, quando vivenciam alterações mais graves no estado de saúde acabam procurando o hospital, e sua entrada nos serviços de saúde acaba ocorrendo na alta complexidade, observado pelo aumento das taxas de internações (CASTRO et al., 2013).
Os elevados coeficientes de internação de idosos do sexo masculino por DM também pode estar relacionado com a prática de atitudes negativas, como os hábitos de beber e fumar, a falta de exercícios físicos e de alimentação saudável e a busca tardia por assistência médica (CASTRO et al., 2013). Essas podem levar a uma menor expectativa de vida dos homens se comparado às mulheres, o que justifica a maior frequência de internação no sexo feminino após os 80 anos.
Nas últimas décadas, no Brasil, vem aumentando o interesse na utilização de banco de dados originados pelos serviços de saúde, como ferramenta na elaboração de políticas, no planejamento e gestão dos serviços de saúde. Desta forma, estudos que utilizam estes dados são de extrema importância para subsidiar ações em âmbito municipal, estadual e nacional, promovendo melhor alocação de recursos e oferta de serviços de saúde (BITTENCOURT; CAMACHO; LEAL, 2006).
Conclusão e Considerações Finais
Observou-se um maior número de internações no sexo feminino. Entretanto, houve tendência decrescente das taxas de internações no sexo feminino e tendência crescente para o sexo masculino.
Os resultados mostraram-se similares a outros estudos brasileiros, reforçando a necessidade de uso dos sistemas de informação como fonte para o planejamento de ações em saúde voltadas para a população idosa.
Faz-se necessária a realização de novos estudos que avaliem com mais precisão a magnitude do impacto da DM na saúde pública brasileira. Utilizando não somente o diagnóstico principal, mas também as considerando como fatores de risco, contribuindo para melhor elaboração de ações preventivas de saúde.
Referências
ALFRADIQUE, M. E. et al. Internações por condições sensíveis à atenção primária: a construção da lista brasileira como ferramenta para medir o desempenho do sistema de saúde (Projeto ICSAP - Brasil). Caderno de Saúde Pública,  Rio de Janeiro,  v. 25, n. 6, Jun.  2009.
BARRETO, M. da S.; MARCON, S. S.. Hospitalização por agravos da hipertensão arterial em pacientes da atenção primária. Acta Paulista de Enfermagem,  São Paulo,  v. 26, n. 4,   2013.   
BITTENCOURT, S. A.; CAMACHO, L. A. B.; LEAL, M. do C. O Sistema de Informação Hospitalar e sua aplicação na saúde coletiva. Caderno de Saúde Pública,  Rio de Janeiro,  v. 22, n. 1, jan.  2006.   
BRASIL. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde.  Vigitel Brasil 2013: Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
CARVALHO, A.  L. M. et al. Adesão ao tratamento medicamentoso em usuários cadastrados no Programa Hiperdia no município de Teresina (PI). Ciência e saúde coletiva,  Rio de Janeiro,  v. 17, n. 7, jul.  2012.   
CASTRO, V. C. et al. Perfil de internações hospitalares de idosos no âmbito do sistema único de saúde.  Revista Rene, Fortaleza, v.14, n.4, 2013.
LOYOLA FILHO, A. I. de et al . Fatores associados a autoavaliacao negativa da saúde entre idosos hipertensos e/ou diabéticos: resultados do projeto Bambui. Revista Brasileira de Epidemiologia,  São Paulo,  v. 16, n. 3, Set.  2013.
MENDES, E. V. As redes de atenção à saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011.
WALKER, R. L. et al. Hospitalization for Uncomplicated Hypertension: An Ambulatory Care Sensitive Condition. Canadian Journal of Cardiology, v. 29, n. 11, p.1462–1469, nov. 2013.

 



PERFIL DOS CUIDADORES INFORMAIS DE IDOSOS


Bárbara David Rodrigues
 Discente do curso de graduação em Fisioterapia da
Faculdade Ingá - Uningá. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Simone Fernandes
 Mestre em Saúde Coletiva, docente do curso de graduação em Fisioterapia da Faculdade Ingá - Uningá. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Emília Carvalho Kempinski
 Mestre em Saúde Coletiva, Docente do curso de graduação em Fisioterapia da Faculdade Ingá - Uningá. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Resumo
Com o crescente aumento no número de idosos, cresce, também a necessidade de um olhar voltado à estes e às pessoas que prestam - lhes cuidados. O presente estudo tem como objetivo traçar o perfil dos cuidadores informais de idosos. Uma pesquisa de caráter quantitativo descritiva e exploratório com corte transversal, uma amostra de 29 cuidadores informais de idosos. Utilizaram - se um instrumento de perfil sociodemográfico do cuidador. A maioria dos cuidadores eram casados (62,07%), filhos (51,72%) e 34,48% possuiam ensino fundamental incompleto. Evidenciou-se que a maioria dos cuidadores são do sexo feminino que apresentam baixo nível escolar e poucas informações acerca de cuidados.

Palavras-chave: Cuidador; Qualidade de vida; Idosos.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia.

Introdução
O diligente envelhecimento populacional representa um grande desafio, na atualidade exigindo que os países desenvolvam toda uma infraestrutura para atender às necessidades assistenciais e de saúde (FREITAS, 2012). A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que, até 2025, o número de idosos no Brasil deverá aumentar 15 vezes, enquanto as outras faixas etárias, 5 vezes. O Brasil será o sexto país em quantidade de idosos, em 2025, com cerca de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais (PINTO, 2009).
O cuidador familiar é denominado cuidador informal para diferenciar do cuidador formal que é o profissional que recebeu um treinamento específico para a função de cuidar, é remunerado e mantém vínculos contratuais. Por meio dessa formação, os cuidadores têm maiores condições para exercer com maior capacidade a sua função, sendo vantagem ao idoso assistido (BITTAR, 2009). Esses cuidadores familiares são aqueles que atendem às necessidades de auto-cuidado de indivíduos com algum grau de dependência por períodos prolongados, frequentemente até a morte. É ele quem assume a responsabilidade de dar suporte ou de assistir às necessidades do indivíduo idoso, garantindo desde cuidados básicos como alimentação e higiene além de atividades como ir ao supermercado e realizar tarefas financeiras. Na maioria das vezes o cuidado é realizado por mulheres, filhas ou esposas, que residem com o idoso e cuidam em tempo integral do seu familiar, sendo esta quase sempre uma atividade solitária, realizada sem revezamento com outros familiares (OLIVEIRA; D’ELBOUX, 2012).
Para aprimorar o cenário dos idosos, intervenções a favor do cuidador familiar devem ser priorizadas, visando fortalecer essa relação de cuidado, uma vez que o cuidador é um indivíduo com necessidades próprias e particulares de atenção à saúde. Desta forma, se faz fundamental expandir as ações visando o cuidador, de modo a possibilitar o benefício de ambos: ser cuidador e ser cuidado (BRAZ; CIOSAK, 2009).
Compreender a vivência e a necessidades dos idosos e seus cuidadores auxilia na abordagem da saúde nesses ambientes, tendo melhor eficácia e priorizando qualidade de vida para ambos. A pesquisa foi feita na expectativa de possibilitar o conhecimento acerca do perfil dos cuidadores, bem como, focalizar aspectos relevantes que possam servir como embasamento na implementação de novas estratégias para a melhoria de suas condições de vida e trabalho.
Objetivo
Traçar o perfil dos cuidadores informais de idosos.
Materiais e Métodos
Caracterização e local do estudo
Esta pesquisa é de caráter quantitativo descritiva e exploratório com corte transversal no período de Dezembro de 2013 à Agosto de 2014, no município de Maringá – PR, através da Estratégia Saúde da Família. A princípio, foi realizado um levantamento junto as Agentes Comunitárias de Saúde para identificar os idosos que eram assistidos por um cuidador informal na área de abrangência da UBS Iguaçu e Universo. Logo após houve contato com os indivíduos indicados, e em seguida foi agendada a visita para aplicação do questionário e coleta de dados. Os sujeitos tiveram acesso ao termo de consentimento livre e esclarecido, com esclarecimento do objetivo da pesquisa, pesquisadores envolvidos e que poderiam desistir da pesquisa a qualquer momento. Todos autorizaram a realização da pesquisa.
Foram incluídos no estudo 29 indivíduos, que se enquadravam nos critério de cuidador informal. Participaram da pesquisa cuidadores de ambos os sexos, de todas as idades, mas que não recebiam remuneração por isso e que cuidavam de idosos com idade maior ou igual a 60 anos.
A coleta de dados foi realizada no período de Dezembro do ano de 2013, coletados a partir de um questionário sociodemográfico aplicado ao cuidador. Composto por questões como gênero,idade, escolaridade, renda mensal, tempo de cuidado,  entre outros.
Os dados foram compilados em planilhas Microsoft® Excel® 2010, dispostos em tabelas e analisados percentualmente.
O presente projeto segue a Resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde, portanto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Ingá sob o parecer 562.295.
Discussão de Resultados
No Brasil, a velhice sem independência e autonomia ainda faz parte de uma face oculta da opinião pública, porque ainda se mantém no âmbito domiciliar ou nas instituições asilares. Com o aumento da expectativa de vida, a atenção deverá estar voltada para a terceira idade e as pessoas que prestam cuidados à estes, visando o aprimoramento do cuidado e consequente melhoria da qualidade de vida do idoso.
A maior parte dos estudos analisados evidenciou a presença feminina no papel de cuidador principal, sendo compatível neste estudo com 86,21% dos cuidadores avaliados. Sendo que 34,48% das pessoas que prestam cuidados são idosas, casadas (62,07%), apresentam ensino fundamental incompleto (34,48%), renda mensal de 2 a 3 salários mínimos (48,28%), tem como profissão do lar (62,07%).
As famílias que apresentam baixa renda, certamente deixam de suprir suas próprias necessidades mínimas, possivelmente condições precárias de recursos materiais do idoso e do cuidador o que pode resultar, no mínimo, em negligências no cuidado do idoso (SOUZA et al, 2004). Yamada, Dellaroza e Siqueira (2006) citam que a redução na taxa de natalidade e a inserção da mulher no mercado de trabalho contribuem para que o número de cuidadores seja reduzido e a mulher continue sendo o cuidador central. As demandas de cuidados produzidos pela dependência do idoso influenciam o cotidiano do cuidador e alteram sua qualidade de vida. Assim sendo, há nesse cenário a hipótese de descuidos com o idoso. Já que os cuidadores possuem baixa escolaridade e são carentes de auxílio e atenção.
 A maioria dos cuidadores (86,21%) dedicam-se 24 horas ao cuidado, sendo que 51,72% destes cuidam há mais de 5 anos. Mais da metade dos cuidadores são os filhos (51,72%), seguidos de seus cônjuges (13,79%). Além da tarefa de cuidar também tinham que tomar conta da casa, cuidar de outro familiar, fazer compras no mercado e realizar trabalhos autônomos. Quando alguém os auxiliavam nos cuidados, geralmente eram seus filhos. Diversos estudos apontam que a principal rede de apoio é a informal e que muitos cuidadores não recebem ajuda.
Entre os idosos, as condições crônicas tendem a se manifestar de forma mais vigorosa, além de, nessa fase, freqüentemente, ocorrerem de forma paralela. Essas condições, de forma geral, não são fatais mas tendem a comprometer, de forma significativa, a qualidade de vida dos idosos. Tanto as condições agudas, como as crônicas são as geradoras do que pode ser denominado processo incapacitante ou o processo que afeta a funcionalidade dos idosos resultando na alteração de desempenho das atividades cotidianas (DUARTE; ANDRADE; LEBRÃO, 2007).
O cuidado prestado pode oscilar desde intervenções simples até cuidados intensivos e especializados. Variando de acordo com as características do cuidador, necessidades de cuidado, condições para oferta do cuidado e fatores sócio-culturais e das necessidades do doente (CARDOSO et al, 2012). Paula, Roque e Araújo (2008) ressaltam, a demência está em primeiro lugar nas incapacidades de pessoas com 60 anos ou mais, seguidos de acidente vascular encefálico, doença cardiovascular e todas as formas de câncer, respectivamente. É sabido que a demência evolui para quadros graves, sendo assim muitas vezes essa experiência é dolorosa levando a piora da qualidade de vida de ambos os indivíduos.
Conclusão e Considerações Finais
O perfil destes cuidadores informais de idosos foi de mulheres que apresentam baixo nível escolar, poucas informações acerca de cuidados e que muitas vezes deixam de lado seu cotidiano para cuidar da pessoa debilitada. Sendo que essas pessoas muitas vezes tendem a realizar esse papel inexorável sem o auxílio de outras pessoas, o que influencia na qualidade de vida dos cuidadores e dos cuidados recebidos pelos idosos. Este estudo possibilitou visualizar uma lacuna entre as necessidades apresentadas pelos idosos e as condições de cuidados de seus cuidadores familiares. Neste sentido, faz-se necessária a realização de mais pesquisas e políticas públicas que auxiliem na qualidade do cuidado ao idoso e na saúde do cuidador.
Referências
FREITAS, E.V. Manual prático de geriatria.n. 410. Rio de Janeiro, 2012.
PINTO, M.F. et al. Qualidade de vida de cuidadores de idosos com doença de Alzeimer.n. 6. São Paulo, 2009.
BITTAR, A.M. Qualidade de vida de cuidadores de idosos.n. 101. Itajaí - SC, 2009.
OLIVEIRA, D.C.; D’ELBOUX, M.J. Estudos nacionais sobre cuidadores familiares de idosos: revisão integrativa.vol. 65. n. 5. Brasília, 2012.
BRAZ, E.; CIOSAK, S.I. O tornar-se cuidadora na senescência.n.6. São Paulo, 2009.
SOUZA, A.S. et al. Fatores de risco de maus-tratos ao idoso na relação idoso/cuidador em convivência intrafamiliar. Textos envelhecimento.v.7, n.2, 2004.
YAMADA, K.N.; DELLAROZA, M.S.G.; SIQUEIRA, J.E. Aspectos éticos envolvidos na assistência a idosos dependentes e seus cuidadores. O mundo da saúde São Paulo.n.4, p. 667-672, 2006.
DUARTE, Y.A.O.; ANDRADE, C.L.; LEBRÃO, M.L. O Índex de Katz na avaliação da funcionalidade dos idosos. Revista Escola de Enfermagem da USP. v.41, n.2, p.317-325, 2007.
CARDOSO, L. et al. Perspectivas atuais sobre a sobrecarga do cuidador em saúde mental. Revista Escola de Enfermagem da USP.v.43, n.02, 2012.
PAULA, J.A.; ROQUE, F.P.; ARAÚJO, F.S. Qualidade de vida em cuidadores de idosos portadores de demência de Alzheimer.n. 5. Alagoas, 2008.

 



PERFIL DOS IDOSOS ACOMPANHADOS PELA PASTORAL DA PESSOA IDOSA SEGUNDO OS INDICADORES DE FRAGILIDADE

Liliane de Sá
Discente do curso de graduação em Medicina da Faculdade Ingá – Uningá
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Simone Fernandes
Mestre em Saúde Coletiva, docente do curso de graduação em Fisioterapia da Faculdade Ingá – Uningá, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Aline Chotte de Oliveira
Especialista, docente do curso de graduação em Fisioterapia da Faculdade Ingá – Uningá, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Jéssica Adriana Oliveira Sestari
Discente do curso de graduação em Medicina da Faculdade Ingá – Uningá
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Caroline Cássia Cruz
Discente do curso de graduação em Medicina da Faculdade Ingá – Uningá
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Amanda Alice de França Meirelles
Discente do curso de graduação em Medicina da Faculdade Ingá – Uningá
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Resumo
Este trabalho tem como objetivo caracterizar o perfil dos idosos que são acompanhados pela Pastoral da Pessoa Idosa da Diocese da cidade de Maringá. Realizou-se um estudo de corte transversal, quantitativo e descritivo por meio de coleta de dados. Os dados coletados foram os indicadores de fragilidade estabelecidos pela Pastoral da Pessoa Idosa (gênero, faixa etária, se reside sozinho(a), quedas, está com incontinência urinária e grau de independência). Foram incluídos no estudo 1000 indivíduos, 676 do sexo feminino e 324 do sexo masculino. Em ambos os sexos verificou-se que quanto ao indicador morar sozinho a faixa etária de 60 a 74 anos sobressaiu. Em relação à incontinência os maiores índices foram nos idosos acima de 90 anos em ambos os sexos. No indicador de quedas, o sexo feminino obteve maior risco na idade de 75 a 89 anos e no masculino acima dos 90 anos. E em relação ao idoso ser dependente o maior percentual identificado foi em idosos acima de 90 anos. Sendo assim, à medida que aumenta a faixa etária dentro do grupo de idosos acompanhados pela Pastoral da Pessoa Idosa de Maringá, observa-se um aumento do percentual dos idosos frágeis, o que aponta para a necessidade de desenvolver políticas públicas de saúde e assistência que minimizem o impacto dos riscos de morbidade e mortalidade entre idosos fragilizados.

Palavras-chave: Idoso; indicadores de fragilidade; demografia.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia.

Introdução
O envelhecimento populacional é uma realidade na maioria das sociedades atuais, decorrente de mudanças ocorridas em alguns indicadores de saúde, especialmente naqueles relacionados a quedas na fecundidade e na mortalidade. Estima-se que em 2050 o número de pessoas idosas no mundo poderá chegar a dois bilhões de indivíduos (LISBOA et al., 2012).
É bem conhecido que o processo de envelhecimento está atrelado a perdas importantes em inúmeras capacidades físicas, as quais culminam, inevitavelmente, no declínio da capacidade funcional e da independência do idoso (SILVA et al., 2013).
A fragilidade de saúde e as incapacidades impostas pelo envelhecimento tendem a enfraquecer a interação social e a participação comunitária dos idosos, com riscos de isolamento social e limitações no estilo de vida (NICOLUSSI et al., 2012).
Segundo Moraes et al. (2008), é essencial enfatizar que envelhecer não é igual a adquirir incapacidades, mas o envelhecimento traz alterações estruturais e funcionais, progressivas e irreversíveis que propiciam o aumento da vulnerabilidade patológica e as situações de risco advindas das mudanças sociofamiliares
Conhecer as incapacidades e as potencialidades funcionais deste grupo facilitará o estabelecimento de programas de prevenção adequados, sinalizando fatores de risco emergentes e implementando intervenções eficazes, que resultem na possibilidade de nos anteciparmos às dificuldades e nos forneçam competências para enfrentar esse desafio (FONTES et al., 2013).
Objetivo
Caracterizar o perfil dos idosos acompanhados pela Pastoral da Pessoa Idosa segundo os indicadores de fragilidade.
Materiais e Métodos
Realizou-se um estudo de coorte transversal, quantitativo e descritivo realizado por meio de coleta de dados no Caderno dos Líderes Comunitários da Pastoral da Pessoa Idosa da Diocese de Maringá. Após autorização da pesquisa por parte da Pastoral da Pessoa Idosa o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Ingá de Maringá – PR número do parecer 551.504. Os dados foram coletados de acordo com as informações contidas no Resumo Anual de Indicadores de Fragilidade da Pastoral da Pessoa Idosa da Diocese de Maringá ano de 2012, de 6 paróquias.
Esses dados foram coletados pelos “líderes comunitários”, os quais são pessoas voluntárias ao serviço da Pastoral da Pessoa Idosa. Mensalmente o líder comunitário faz visitas residenciais a cada idoso e coleta as informações em relação ao indicativo de fragilidade analisado pela Pastoral da Pessoa Idosa. Essas informações anualmente são consolidadas pela Pastoral da Pessoa Idosa e a partir disso é gerado o Resumo Anual de Indicadores de Fragilidade.
Os dados coletados foram gênero, faixa etária, se mora sozinho (a), caiu no mês anterior, está com incontinência urinária e grau de independência. Foram incluídos no estudo 1000 indivíduos dos sexos feminino e masculino, com idade acima de 60 anos, cadastrados no Caderno dos Líderes Comunitários da Pastoral da Pessoa Idosa da Diocese de Maringá. Após coletadas, as informações foram digitadas em planilha do programa Microsoft Excel 2010 para procedência dos cálculos percentuais e análise.
Discussão de Resultados
Dos 1000 idosos incluídos no estudo, 676 (67,6 %) eram do sexo feminino e 324 (32,4 %) do sexo masculino. Em relação ao sexo feminino foi verificado que 313 (46,3 %) mulheres tinham idade entre 60 a 74 anos, na faixa etária entre 75 a 89 anos havia 334 (49,4%) mulheres, com idade entre 90 a 99 anos havia 27 (4,0 %) e apenas 2 (0,3 %) tinham 100 anos de idade e mais. Em relação a variável morar só, uma (50%) das duas idosas com mais de 100 anos se enquadra nesse quesito, no entanto a maior relevância está na faixa etária de 60 a 74 anos, em que 59 mulheres (18,8 %) declararam morar sozinha. Com relação à incontinência urinária, o maior índice está relacionado às mulheres acima de 90 anos, sendo 12 (44,4 %) idosas na faixa etária de 90 a 99 anos e 2 (100 %) acima de 100 anos. Já Na variável de queda, foi analisado que a quantidade de mulheres que caíram está maior na faixa etária de 75 a 89 anos, sendo 151 (45,2 %); enquanto as que declararam ser dependente, a relevância é maior na faixa etária acima de 90 anos, sendo 10 idosas (37,0 %) entre 90 e 99 anos, e 1 idosa (50 %) acima de 100 anos.
Em relação aos homens, do total de 324, 143 (44,1 %) têm idade entre 60 a 74 anos, 169 (52,2 %) idosos na faixa etária de 75 a 89 anos de idade e apenas 12 (3,7 %) com idade de 90 a 99 anos. Em relação a morar só, o maior percentual está relacionado a homens com 60 a 74 anos, representando 16 (11,2 %) idosos. Incontinência urinária está presente, em maior proporção, na faixa etária de 90 a 99 anos, totalizando 5 (41,7 %) idosos. Quanto a variável de quedas, o risco maior está entre os idosos com 90 a 99 anos, sendo 7 (58,3 %) os idosos que relataram ter caído  no mês anterior, da mesma forma, em relação a ser dependente, o maior percentual se estabelece entre os idosos com idade de 90 a 99 anos, sendo, todavia, 6 (50,0 %)  dependentes.
Cabe ressaltar que do total de 1000 idosos analisados de ambos os sexos, houve 731 registros no caderno de coleta de dados pela Pastoral da Pessoa Idosa em relação aos índices morar sozinho, incontinência, queda e dependência, ou seja, dos 1000 idosos cadastrados, 73,1 % relataram alguma fragilidade em relação aos índices, enquanto 26,9 % estão íntegros em relação aos índices de fragilidade abordados pela Pastoral.
Os idosos que são considerados frágeis, ou idosos fragilizados apresentam maior vulnerabilidade quanto ao risco de quedas, incapacidade, hospitalizações e morte, necessitando de cuidados permanentes para prevenir a ocorrência de desfechos clínicos negativos (BORGES et al., 2013).
Conforme os resultados analisados, idosos com idade avançada estão mais propensos à fragilidade, tanto no sexo masculino quanto no feminino, no total dos 1000 idosos analisados os resultados mostram que, quanto maiores as idades, mais se acentuam as incapacidades em relação aos quesitos de incontinência urinária, quedas e dependência, conforme indicam os valores percentuais. Isso decorre do fato de os idosos com maior idade, no geral, apresentarem maior possibilidade de descompensação de sua homeostase quando da ocorrência de eventos agudos, físicos, sociais ou psicológicos, segundo Andrade et al. (2012).
Para Vieira et al. (2013), a fragilidade prediz desfechos adversos à saúde e essa síndrome tem impacto negativo sobre o processo de envelhecimento, favorecendo a existência de incapacidades, assim como o aumento da utilização e custos de serviços de saúde. Em pesquisas realizadas na Europa e na América do Norte, a prevalência de fragilidade varia de 5,8% a 27,3%, sendo maior a ocorrência entre as mulheres, os idosos institucionalizados e com idade avançada.
Conclusão e Considerações Finais
À medida que aumenta a faixa etária dentro do grupo de idosos acompanhados pela Pastoral da Pessoa Idosa de Maringá, observa-se um aumento do percentual de indivíduos frágeis, segundo os indicadores estabelecidos pela Pastoral.
Estes resultados apontam para a necessidade de desenvolver políticas públicas de saúde e assistência que minimizem o impacto dos riscos de morbidade e mortalidade entre idosos fragilizados.
Referências
LISBOA, C. R. et al. Perfil epidemiológico, clínico e de independência funcional de uma população idosa institucionalizada. Revista Brasileira de Enfermagem, mai./jun. 2012.
SILVA, J. M. et al. Correlação entre o risco de queda e autonomia funcional em idosos institucionalizados. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v.16, n.2, p.337-346, 2013.
NICOLUSSI, A. C. et al. Qualidade de vida em idosos que sofreram quedas: revisão integrativa da literatura. Ciência & Saúde Coletiva, v.17, n.3, p.723-730, 2012.
MORAES, E. N. et. al. Princípios básicos de geriatria e gerontologia. Belo Horizonte: Coopmed, 2008.
FONTES, A. N. et al. A funcionalidade dos mais idosos (=75 anos): conceitos, perfis e oportunidades de um grupo heterogêneo. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v.16, n.1, p.91-107, 2013.
BORGES, C. L. et al. Avaliação da Fragilidade de Idosos Institucionalizados. Acta Paul Enfermagem, v.26, n.4, p.318-322, 2013.
ANDRADE, A. N. et al. Análise do Conceito Fragilidade em Idosos. Texto Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 21, n. 4, p.748-756, 2012.
VIEIRA R. A. et al. Prevalência de fragilidade e fatores associados em idosos comunitários de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil: dados do Estudo FIBRA. Caderno Saúde Pública, v. 29, n.8, p. 1631-1643, 2013.

 


AVALIAÇÃO COGNITIVA DE IDOSOS NO CONTEXTO INSTITUCIONAL

Vivian Carla de Castro
Mestre em Enfermagem pela Universidade Estadual de Maringá. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Vanessa Denardi Antoniassi Baldissera
Doutora em Enfermagem. Docente da Universidade Estadual de Maringá. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Lígia Carreira
Doutora em Enfermagem. Docente da Universidade Estadual de Maringá. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Resumo
Trata-se de um estudo descritivo, transversal e quantitativo, cujo objetivo foi avaliar a cognição de idosos residentes nas instituições de longa permanência, regularmente cadastradas do município de Maringá-PR-Brasil. Os dados foram coletados com 161 idosos, utilizando o Miniexame do Estado Mental (MEEM), entre janeiro e março de 2013 e analisados por meio dos testes qui-quadrado e Mann-Withney. Apresentaram déficit cognitivo 39,8% dos idosos. Apresentaram declínio cognitivo 47,9% dos idosos com idade entre 70 e 79 anos e 41,2% dos idosos com 80 anos ou mais; 45,3% dos idosos que relataram nunca ter tido companheiro(a); e 47,5% dos idosos analfabetos. Evidenciou-se estatisticamente pior desempenho cognitivo no sexo feminino. Os domínios do MEEM tiveram associação estatisticamente significativa com declínio cognitivo, sendo que orientação, atenção e cálculo e memória de evocação apresentaram maior influência sobre a presença de déficit cognitivo. Enfatiza-se a importância da aplicação de instrumentos de avaliação cognitiva em idosos institucionalizados para o planejamento de atividades que promovam sua qualidade de vida.

Palavras-chave: Cognição; Instituição de longa permanência para idosos; Saúde do idoso institucionalizado.
Área temática: Envelhecimento: aspectos bio-psico-sociais.

Introdução
São inúmeras as repercussões sociais e econômicas do envelhecimento populacional no mundo, sobretudo nos países em desenvolvimento, onde os recursos dos sistemas de saúde e de previdência social ainda não são proporcionais ao crescimento da população economicamente inativa. O Brasil, incluído neste grupo, possui cerca de 10% da sua população formada por pessoas com idade maior ou igual a 60 anos (IBGE, 2010), o que tem tornado crescente a preocupação com a promoção da qualidade de vida destes indivíduos.
O envelhecimento pode ser compreendido como um processo natural, de diminuição progressiva da reserva funcional dos indivíduos, associado ou não a doenças, e que pode influenciar diretamente na capacidade de manutenção da autonomia e da independência. Dentre as perdas, as cognitivas são as que geram maior impacto aos idosos, aos seus familiares e à sociedade, devido às grandes repercussões e à inexistência de tratamentos eficazes para reversão dos danos já ocorridos (LENARDT et. al, 2009).
O cuidado à pessoa idosa, conforme a Constituição Brasileira, é de responsabilidade da família (BRASIL, 1988). No entanto, diante da rotina imposta pela modernidade, permeada pela possibilidade de não realização de atividades antes exercidas pelos idosos (MELLO; HADDAD; DELLAROZA, 2012), aumenta a procura por instituições de longa permanência para idosos (ILPI).
As ILPIs se constituem como domicílio coletivo público ou privado de pessoas com 60 anos ou mais, que possuam ou não suporte familiar, reservando-lhes dignidade, liberdade e cidadania (BRASIL, 2005). Menos de 1% da população idosa brasileira reside em ILPIs e, no Estado do Paraná, cujos idosos representa 11% do total de habitantes (IBGE, 2010), existem cerca de 250 ILPIs, que abrigam aproximadamente 5.500 idosos (CAMARANO, 2008).
Nesta perspectiva, a avaliação e o acompanhamento das aptidões cognitivas, utilizando testes neuropsicológicos, permitem adequar os cuidados de saúde às necessidades dos idosos institucionalizados em seus diferentes processos de envelhecer, buscando a manutenção de sua capacidade funcional e a adaptação ao contexto institucional (LENARDT et. al, 2009).
Objetivo
Avaliar a cognição de idosos residentes nas instituições de longa permanência para idosos regularmente cadastradas do município de Maringá-PR-Brasil.
Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo descritivo, transversal e de abordagem quantitativa, realizada em sete instituições de longa permanência regularmente cadastradas junto à Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SASC) do município de Maringá-PR-Brasil. Do total de idosos da população maringaense, 297 (0,68%) residem em ILPIs, os quais compuseram a população do presente estudo. Foram utilizados os seguintes critérios de inclusão: ter idade igual ou superior a 60 anos; residir há, no mínimo, seis meses nas ILPIs de Maringá-PR; ter capacidade para responder às questões dos instrumentos aplicados; e concordar em participar do estudo mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Assim, obteve-se uma amostra final de 161 idosos.
A coleta de dados ocorreu entre janeiro e março de 2013, por meio da aplicação de um instrumento destinado ao levantamento do perfil sócio-demográfico dos idosos e do Miniexame do Estado Mental (MEEM), composto pelas categorias orientação temporal, orientação espacial, memória imediata, atenção e cálculo, memória de evocação, linguagem e capacidade construtiva visual. Sua pontuação pode variar de zero até 30 pontos e a classificação é baseada no nível de escolaridade dos sujeitos (BRUCKI et. al, 2003).
Os dados relativos à caracterização dos sujeitos passaram por análise estatística descritiva. Os escores provenientes do MEEM foram analisados por meio do teste qui-quadrado para associação com as variáveis sócio-demográficas, e por meio do teste de Mann-Withney (teste da soma de rank) para testar hipóteses acerca do declínio cognitivo em cada domínio do MEEM, utilizando o Software Statistical Analysis System (SAS) 91.1. O nível de significância considerado para os testes estatísticos foi de 5%.
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Maringá (COPEP/ UEM), sob o parecer nº 160.445, de acordo com a Resolução 466/12.
Discussão de Resultados
A pontuação no MEEM para todos os idosos variou entre 4 e 30 pontos, sendo a média de 20,9 pontos (± 7,1). Dentre os 64 (39,8%) idosos identificados com declínio cognitivo, a pontuação variou entre 4 e 23 pontos, e a média foi de 13,6 pontos (± 4,9).
Ao relacionar faixa etária com declínio cognitivo, destaca-se que 47,9% dos idosos com idade entre 70 e 79 anos e 41,2% dos idosos com 80 anos ou mais apresentaram declínio cognitivo. As perdas funcionais são inerentes ao avanço da idade e a deficiência cognitiva está diretamente relacionada às mesmas, podendo causar impacto nas habilidades corporais necessárias à manutenção plena da independência, do cuidado de si e da autonomia (LENARDT et. al, 2009).
Quanto ao estado civil, notou-se que 45,3% dos idosos que relataram nunca ter tido companheiro(a) apresentaram declínio cognitivo. A literatura alerta para a importância da participação social no bem-estar do idoso, sugerindo que o isolamento social e a solidão na velhice estão ligados ao declínio de saúde física e mental (DEL DUCA et. al, 2012).
No que se refere ao nível de escolaridade, houve prevalência de idosos que frequentaram de um a oito anos do ensino formal (54,65%), sendo que dentre estes, 34,1% apresentaram declínio cognitivo, contra 47,5% dentre os analfabetos, apontando um nível cognitivo aparentemente melhor entre os idosos alfabetizados. Estudo internacional (GUERRERO-BERROA et. al, 2009) indica forte associação entre pior escolaridade e escores mais baixos do MEEM. Ressalta-se que baixo nível educacional é considerado um fator de risco para perdas cognitivas em idades avançadas e está relacionado a uma maior exposição a fatores ambientais deletérios ao sistema nervoso central (LENARDT et. al, 2009; MELLO; HADDAD; DELLAROZA, 2009).
Ao associar a variável sexo com declínio cognitivo, observou-se diferença estatisticamente significativa (p = 0,0459), havendo pior desempenho por parte das mulheres. Destaca-se que o declínio cognitivo tende a ocorrer com maior velocidade em mulheres, pessoas com elevado nível educacional e pessoas com idade avançada (CASTRO-COSTA et. al, 2011).
A análise do declínio cognitivo dos idosos baseada nos domínios do MEEM pode contribuir para relacionar o perfil do desempenho com uma possível doença basal (LENARDT et. al, 2009). Verificou-se, no presente estudo, que todos os domínios apresentaram diferenças estatisticamente significativas com relação ao declínio cognitivo, com destaque para as categorias orientação tempo e espaço, atenção e cálculo e memória de evocação. Estudo americano (GUERRERO-BERROA et. al, 2009) comprovou que o domínio orientação temporal dobrou a taxa de declínio no MEEM e, além disso, constatou que o bom desempenho no domínio memória de evocação associado ao bom desempenho no domínio atenção e cálculo ou orientação temporal funcionou como fator de proteção para o declínio cognitivo.
Conclusão e Considerações Finais
Com base nos resultados apresentados, enfatiza-se a necessidade de aplicação de instrumentos de avaliação do declínio cognitivo neste grupo específico, a fim de possibilitar o planejamento de atividades que colaborem, de fato, com a manutenção da autonomia e independência dos idosos, visando à qualidade de vida. Sugere-se, para estudos futuros, a inclusão de outras variáveis que possam influenciar no desempenho cognitivo e especial atenção às contribuições específicas de cada um dos domínios do MEEM com relação ao declínio cognitivo.
Referências
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.
BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução da Diretoria Colegiada nº 283. Regulamento técnico para o funcionamento das instituições de longa permanência para idosos. Brasília; 2005.
BRUCKI, S.M.D.; NITRINI, R.; CARAMELLI, P.; BERTOLUCCI, P.H.F.; OKAMOTO, I. H. Sugestões para o uso do mini-exame do estado mental no Brasil. Arq Neuropsiquiatr., v.61, n.3B, p. 777-81, 2003.
CAMARANO, A.A (coord.). Características das Instituições de Longa Permanência para idosos - Região Sul. Brasília: IPEA; 2008.
CASTRO-COSTA, E.; DEWEY, M. E.; UCHÔA, E.; FIRMO, J. O. A.; LIMA-COSTA, M. F.; STEWART, R. Trajectories of cognitive decline over 10 years in a Brazilian elderly population: the Bambuí cohort study of aging. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.27, supl.3, p. 345-50, 2011.
DEL DUCA, G. F.; SILVA, S. G. da; THUMÉ, E.; SANTOS, I. S.; HALLAL,P. C. Indicadores da institucionalização de idosos: estudo de casos e controles. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v.46, n.1, p. 147-53, 2012.
GUERRERO-BERROA, E.; LUO, X.; SCHMEIDLER, J.; RAPP, M. A.; DAHLMAN, K.; GROSSMAN, H. T.; et al. The MMSE orientation for time domain is a strong predictor of subsequent cognitive decline in the elderly. Int J Geriatr Psychiatry, v.24, n.12, p. 1429-37, 2009.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico 2010: Resultados gerais da amostra. Rio de Janeiro, 2010.
LENARDT, M.H.; MICHEL, T.; WACHHOLZ, P.A.; BORGHI, A. da S.; SEIMA, M. D. O desempenho de idosas institucionalizadas no miniexame do estado mental. Acta paul. enferm., São Paulo, v.22, n.5, p. 638-44, 2009.
MELLO, B. L. D. de; HADDAD, M. do C. L.; DELLAROZA, M. S. G. Avaliação cognitiva de idosos institucionalizados. Acta Scientiarum, Maringá (PR), v.34, n.1, p. 95-102, 2012.

 


GRAU DE VULNERABILIDADE DE IDOSOS ATENDIDOS PELO PROGRAMA CENTRO DE REFERÊNCIA DO ENVELHECIMENTO DE UM MUNICÍPIO DO NOROESTE DO ESTADO DO PARANÁ

Giselle Fernanda Previato
Acadêmica do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Amanda Zaupa
Acadêmica do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Iara Sescon Nogueira
Enfermeira. PROCERE - Programa Centro de Referência do Envelhecimento – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Ana Carla Borghi
Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem. Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Miriam Goes Lubke
Enfermeira. Prefeitura do Município de Maringá – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Vanessa Denardi Antoniassi Baldissera
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Universidade Estadual de Maringá  – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Resumo
O envelhecimento implica em aumento do risco para o desenvolvimento de vulnerabilidades de natureza biológica, socioeconômica e psicossocial, em virtude do declínio biológico típico da senescência, o qual interage com processos socioculturais, com os efeitos acumulativos de condições deficitárias de educação, renda e saúde e com as condições do estilo de vida atual. O objetivo do estudo foi medir a vulnerabilidade em idosos que são atendidos no PROCERE – Programa Centro de referência do Envelhecimento em Maringá, PR. Foi realizado estudo quantitativo e descritivo de corte transversal, de julho a outubro de 2014, com idosos de idade igual ou acima de 60 anos, cadastrados no PROCERE. Os resultados são parciais, sendo estudados 35 idosos do total de 125, que responderam a Escala Vulnerable Elders Survey (VES-13) composta por quatro indicadores num total de 13 perguntas. Observou predominância do sexo feminino com 57,1%. (n=20) Em 80% (n=28) dos idosos foram classificados como baixo risco para vulnerabilidade. Os idosos em risco de fragilização totalizaram 17,1% (n=6). Apenas um idoso (2,9%), apresentou fragilidade de alto risco. A prevalência de médio e alto risco para vulnerabilidade foi maior no sexo feminino, com 85,7% (n=6). Em síntese, esta pesquisa permitiu caracterizar os idosos atendidos no PROCERE. Por meio dos resultados encontrados, evidencia-se o quanto é necessário subsidiar o planejamento das atividades desenvolvidas nos serviços que prestam assistência à saúde dos idosos e a importância de se diagnosticar precocemente as fragilidades e vulnerabilidades nesta população.

Palavras-chave: Idoso; Vulnerabilidade; Envelhecimento.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia

Introdução
O termo vulnerabilidade é derivado do latim (vulnus: ferida), e é definido como susceptibilidade de ser ferido, atacado, prejudicado, derrotado, ofendido ou ainda como a capacidade de um indivíduo ou sistema sofrer dano ou resposta ao um estímulo, assim todo ser humano estaria vulnerável (MAIA, 2011).
O envelhecimento implica em aumento do risco para o desenvolvimento de vulnerabilidades de natureza biológica, socioeconômica e psicossocial, em virtude do declínio biológico típico da senescência, o qual interage com processos socioculturais, com os efeitos acumulativos de condições deficitárias de educação, renda e saúde ao longo da vida e com as condições do estilo de vida atual. Em maior ou menor grau, aspectos individuais, coletivos, contextuais e históricos das experiências de desenvolvimento e de envelhecimento, geram possibilidades de adoecimento e dificuldades de acesso aos recursos de proteção disponíveis na sociedade (RODRIGUES; NERI, 2012).
As dimensões da vulnerabilidade no envelhecimento são: a vulnerabilidade individual/ambiental, que é o que uma pessoa, na sua singularidade, pensa, faz e quer, e o que, ao mesmo tempo, a expõe ou não à aquisição de um agravo à saúde. Refere-se à idade, à hereditariedade, assim como ao tipo de informação de que a pessoa dispõe, e de como a utiliza. A vulnerabilidade da atenção programática da pessoa idosa, que reporta-se aos recursos sociais de que as pessoas necessitam para não se exporem aos agravos e “se protegerem de seus danos que sejam disponibilizados de modo efetivo e democrático” (PAZ ET AL, 2006). Tal vulnerabilidade refere-se ao grau de alerta e preocupação com o problema, quanto ao modo que se organiza para enfrentá-lo (planejamento, recursos, capacidade, gerência e avaliação), que impede ou limita a intervenção sobre as razões sociais que levam os indivíduos aos modos de pensar, fazer e querer que os expõem aos agravos. A vulnerabilidade social, que é atribuída ao modo como vivem os indivíduos, com acesso aos meios de comunicação, escolaridade, disponibilidade de recursos materiais e possibilidades de enfrentar barreiras culturais (PAZ ET AL, 2006).
O VES-13 (Vulnerable Elders Survey-13), construído por Saliba et al, em 2001, é  um instrumento simples e eficaz, capaz de identificar o idoso vulnerável, definido como aquele indivíduo com 60 anos ou mais que tem risco de declínio funcional ou morte em dois anos. O questionário valoriza a idade, a autopercepção da saúde, a presença de limitação física e de incapacidades. Considera-se idoso vulnerável quando o resultado dessa avaliação for igual ou maior que três pontos, o que significa um risco de 4,2 vezes maior de declínio funcional ou morte em dois anos independentemente do sexo e do numero ou tipo de comorbidades presentes. (BRASIL, 2012).
Objetivo
O objetivo do presente estudo foi determinar a vulnerabilidade de idosos residentes em uma área sem cobertura de PSF – Programa Saúde da Família e que são atendidos no PROCERE – Programa Centro de referência do Envelhecimento no município de Maringá-PR
Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo transversal, quantitativo e descritivo que utilizou o Protocolo de Identificação do idoso vulnerável – Vulnerable Elders Survey (VES-13), para avaliar a vulnerabilidade de idosos cadastrados por meio do projeto ADEFI – “Assistência domiciliar de enfermagem as famílias de idosos dependentes de cuidado” e que são atendidos no PROCERE – Programa Centro de Referência do Envelhecimento, em parceria com uma unidade básica de saúde do Município de Maringá-PR.
Para coleta de dados utilizou dois instrumentos um para coletar informações sóciodemográficas, como idade e sexo, para caracterizar os sujeitos da pesquisa e outro para identificar o grau de vulnerabilidade dos idosos, sendo este o Protocolo de Identificação do idoso vulnerável VES-13.
O VES 13 é um instrumento simples e eficaz, capaz de identificar o idoso vulnerável residente da comunidade, e baseia-se na avaliação das habilidades necessárias para a realização das tarefas do cotidiano. É composto por quatro indicadores: idade, autopercepção da saúde, presença de limitações físicas e incapacidades, totalizando 13 itens. Cada item recebe uma determinada pontuação e o somatório final pode variar de 0 a 10 pontos.
Inicialmente o VES-13 classifica os idosos em dois grupos: Não Vulneráveis (pontuação menor que três pontos) e Vulneráveis (pontuação maior ou igual a três). De acordo com a pontuação obtida com a aplicação do VES-13, os idosos são classificados em três categorias de Risco para fragilidade: A) Idoso robusto, baixo risco, quando pontuação menor ou igual a dois pontos. B) Idoso em risco de fragilização, médio risco, de três a seis pontos. C) Idoso frágil, alto risco, pontuação maior ou igual a sete pontos.
Os dados contidos na pesquisa são parciais, assim, foram estudados 35 idosos do total de 125, com idade igual ou superior a 60 anos, no período de setembro a outubro de 2014. Os idosos foram classificados em três grupos etários: 60 a 74 anos; 75 a 84 anos e =85 anos, obedecendo ao protocolo de identificação do idoso vulnerável (VES-13) (LUZ, 2013).  Após classificação, os dados foram analisados utilizando estatística simples.
Discussão de Resultados
Na amostra de 35 idosos houve predominância do sexo feminino, com 20 mulheres (57,1%). Os homens representaram 42,9% (n=15). Quanto à idade, a maioria dos idosos estava no grupo etário de 60 e 74 anos (83,3%), o que correspondeu a 25 idosos.
De acordo com os resultados dos escores da Escala VES-13 observou-se que 80% dos idosos (n=28) apresentou um escore de 0 a 2 pontos, identificando baixo risco para vulnerabilidade, os quais foram classificados como idosos robustos. Os idosos em risco de fragilização, com médio risco, que obtiveram pontuação de 3 a 6, totalizaram 17,1% (n=6), apresentaram média de idade de 72 anos, mínimo de 63 e máxima de 85 anos. Apenas um idoso (2,9%), apresentou-se como frágil, de alto risco, com escore sete. Em um estudo realizado com 115 idosos moradores de uma cidade de São Paulo, a prevalência de alta vulnerabilidade esteve presente em 52,7% dos idosos (OLIVEIRA, 2011).
A prevalência de médio e alto risco para vulnerabilidade foi maior no sexo feminino, com 85,7%, ou seja, seis dos sete casos encontrados, sendo semelhante aos achados de Oliveira et al, 2011 que também obtiveram maior número de mulheres idosas vulneráveis.
Conclusão e Considerações Finais
Em síntese, a presente pesquisa permitiu caracterizar os idosos atendidos PROCERE, a partir de aspectos como idade e sexo, identificando um número maior de mulheres em que houve maior prevalência de vulnerabilidade, nas atividades diárias básicas.
A partir dos resultados encontrados, surge a necessidade de subsidiar o planejamento das atividades desenvolvidas nos serviços que prestam assistência à saúde dos idosos, assim como no PROCERE, para que ocorra um aumento da qualidade de vida aos idosos e consequentemente declínio dos riscos para vulnerabilidade presente nessa faixa etária.
É indicado que sejam realizadas novas pesquisas nessa temática analisando fatores que influenciam a vulnerabilidade dos idosos. Também é importante ressaltar que é de propriedade dos serviços traçarem metas para o enfrentamento dos determinantes sociais e para a solução dos problemas levantados pelos próprios idosos. Nesse sentido, problematizar temas que envolvem o cotidiano dos idosos com vulnerabilidade social, programática e/ou individual, poderia resultar na valorização do papel do idoso como sujeito de direitos, e, da comunidade, como co-responsável para a promoção do envelhecimento bem-sucedido.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde; 2012.
LIMA, C. L; BUENO, M. C. Envelhecimento e gênero: a vulnerabilidade de idosas no Brasil. Revista Saúde e Pesquisa, v. 2, n. 2, p. 273-280, mai./ago. 2009.
LUZ, L. L. et al. Primeira etapa da adaptação transcultural do instrumento The Vulnerable Elders Survey (VES-13) para o Português First stage of the cross-cultural adaptation of the instrument The Vulnerable Elders Survey  (VES-13). Cad. Saúde Pública, 2013.
MAIA, F. O. M. Vulnerabilidade e envelhecimento: Panorama dos residentes no município de São Paulo, Estudo Sabe. 2011. Tese (Doutorado em enfermagem na saúde do adulto). Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.  
PAZ, A. A; SANTOS, B. R. L; EIDT, O. R. Vulnerabilidade e envelhecimento no contexto da saúde. Acta Paul Enferm, 2006.
RODRIGUES, N. O; NERI, A. L. Vulnerabilidade social, individual e programática em idosos da comunidade: dados do estudo FIBRA, Campinas, SP, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 2012.

 


INDICADORES ANTROPOMÉTRICOS DE OBESIDADE COMO INSTRUMENTO DE TRIAGEM PARA QUEDAS EM IDOSOS

Drielly Soares Freitas
Graduanda do Curso de Fisioterapia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Juleimar Soares Coelho de Amorim
Fisioterapeuta. Mestrando do Programa Associado UEL e UNOPAR em Ciências da Reabilitação.

Renata Maciulis Dip
Médica. Doutora em Saúde Coletiva pela UEL. Docente da UEL.

Marcos Aparecido Sarria Cabrera
Médico, Doutor em Ciências da Saúde pela Universidade de São Paulo, Docente da UEL.

Celita Salmaso Trelha
Fisioterapeuta, Doutora em Ciências da Saúde pela UEL. Docente da UEL.

Resumo:
No processo de envelhecimento, ocorrem mudanças corpóreas consideradas fisiológicas, progressiva diminuição da massa corporal magra e de líquidos corpóreos, aumento da quantidade de tecido gorduroso, declínio do tamanho e peso de vários órgãos e, sobretudo, uma grande perda de músculos esqueléticos, entretanto, outras revelam alterações sistêmicas, como as quedas. O objetivo do presente estudo foi avaliar os indicadores antropométricos de obesidade como testes de rastreio para quedas em idosos. Trata-se de um estudo de base populacional, de caráter transversal, observacional e quantitativo. O estudo foi realizado em um município de médio porte no norte do Paraná. Para a coleta de dados utilizou-se um instrumento estruturado abordando aspectos sociodemográfico, clínicos (medicamentos, doenças auto referidas e dor), antropométricos e funcionais (prática de atividade física) e quedas nos últimos doze meses. A força de preensão manual foi avaliada por meio de um dinamômetro hidráulico de mão. Foram realizadas medidas de estatura e massa corporal e análise da composição corporal por meio de aparelho de Bioimpedância. A amostra constituiu-se de 275 indivíduos, sendo que, as mulheres representaram 59,6% da amostra (n=164) e os homens, 40,4% (n=111), com média de idade de 67,22 anos (± 5,87). As análises demonstraram que a altura e o peso bruto de massa magra, bem como a porcentagem de massa gorda e peso corporal, foram os indicadores para detectar quedas em homens e mulheres, respectivamente. Portanto, o reconhecimento de fatores associados a quedas possibilita a implantação de estratégias de prevenção.

Palavras-chave: Idoso; Acidentes por Quedas; Indicadores Antropométricos de Obesidade.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia.

Introdução:
O envelhecimento representa um processo multidimensional e, por isso gera demandas complexas, exigindo cuidado diferenciado. Isto não quer dizer que se trata de uma doença, mas de uma fase da vida que apresenta características e valores próprios, em que ocorrem modificações no indivíduo, tanto na estrutura física, como também nas condições emocionais e intelectuais (LIMA et al, 2013).
De acordo com uma previsão da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2025, existirão 1,2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos, e as pessoas com 80 anos ou mais constituem o segmento populacional que mais cresce (FERREIRA; YOSHITOME, 2010).
No processo de envelhecimento, ocorrem mudanças corpóreas consideradas fisiológicas, em homens e mulheres. Essas alterações incluem uma progressiva diminuição da massa corporal magra e de líquidos corpóreos, aumento da quantidade de tecido gorduroso, declínio do tamanho e peso de vários órgãos (rins, fígado, pulmões) e, sobretudo, uma grande perda de músculos esqueléticos. Concomitantemente a essas alterações, ocorre um decréscimo da força muscular, potencializando as deficiências e limitações funcionais em idosos (MARTIN et al., 2012).
As quedas estão dentre as principais causas de morbidade e mortalidade na população idosa. Aproximadamente 30% das pessoas com mais de 65 anos e metade das com mais de 80 anos sofrem uma queda a cada ano (MACIEL et al., 2010). Para a saúde pública, devido à alta frequência, as quedas merecem destaque por figurarem entre as principais causas de morbimortalidade em todo o mundo (MALTA et. al., 2012). Dessa forma, a importância de identificar os fatores de risco em idosos está na possibilidade de planejar estratégias de prevenção, reorganização ambiental e de reabilitação funcional (ALMEIDA et al., 2012).
Objetivo
O objetivo do presente estudo foi avaliar os indicadores antropométricos de obesidade como testes de rastreio para quedas em idosos.
Materiais e Métodos
Estudo de base populacional, de caráter transversal, observacional e quantitativo realizado em um município de médio porte no norte do Paraná. A população do estudo foi composta por indivíduos com 60 anos ou mais, de ambos os sexos, moradores da comunidade.
Para a coleta de dados utilizou-se um questionário estruturado para esta finalidade, com perguntas relacionadas aos aspectos sociodemográfico (sexo e idade), clínicos (medicamentos, doenças auto referidas e dor), antropométricos e funcionais (prática de atividade física e força de preensão manual) e relato de quedas nos últimos doze meses. A força de preensão manual foi medida no membro superior dominante por meio de um dinamômetro hidráulico de mão da marca Jamar® (TOMÁS; FERNANDES, 2012). Foram realizadas medidas de estatura e massa corporal e análise da composição corporal por meio de aparelho de Bioimpedância Elétrica Tetrapolar Maltron BF-906 (BIA) (EICKEMBERG, 2011).
Para análise estatística, a amostra foi dividida em dois grupos, “Caidores” e “Não Caidores”, pelas quais foram realizadas análises descritiva e para variáveis contínuas foi aplicado o teste T-Student para amostras independentes, já as variáveis categóricas foi utilizado o teste Qui-Quadrado de Pearson e ainda foi aplicando o teste de normalidade Shapiro-Wilk.  Para avaliar o ponto de corte ótimo do IMC e as variáveis do BIAS (porcentagens de massa magra, gorda e gordura corporal total, peso da massa gorda e massa magra em quilogramas), como instrumentos para rastreio de quedas foram analisadas as áreas da curva ROC, sensibilidade, especificidade e IC95%. Em todos os testes foi considerado p<0,05 como significante estatisticamente, utilizando-se o programa Statistical Package for the Social Science (SPSS) para Windows (versão 20.0, SPSS Inc.©, Chicago, Illinois).
O projeto apresenta parecer favorável do Comitê de Ética da Universidade Estadual de Londrina N° 0021.0.0268.000-111. Os indivíduos que se dispuserem a participar voluntariamente do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Discussão de Resultados
A população do estudo constituiu-se de 275 indivíduos, sendo que, as mulheres representaram 59,6% da amostra (n=164) e os homens, 40,4% (n=111), com média de idade de 67,22 anos (+ 5,87). A faixa etária com maior número de idosos foi de 60 a 69 anos representada por 67,6% (n= 186) e a faixa com menor número foi acima de 90 anos com 0,4% (n= 1) indivíduos. Em relação à ocorrência de quedas nos últimos 12 meses, houve relato em 65 (23,6%) idosos referiram quedas, sendo predominantemente idosos do sexo feminino, com idade média de 68,7 anos, com média de doenças auto referida de 1,68, e somente 27,7% referiram praticar atividade física. Já os idosos sem relatos de casos eram do sexo feminino (54,8%), com idade média de 66,8 anos e 40,9% praticantes de atividade física.
Observou-se que não houve diferenças estatisticamente significativas entre caidores e não caidores nas variáveis peso, estatura e uso de medicamentos, entretanto, as porcentagens de mulheres que sofreram quedas foram significativas em relação aos homens.
Os indicadores que demonstraram significâncias estatísticas para discriminar quedas nos idosos foram para os homens a altura (p=0,03) e peso em quilogramas de massa magra (muscular) (p=0,04), enquanto que para as mulheres foram a porcentagem de massa gorda (gordura corporal) (p=0,04) e o peso corporal (p=0,01).
Essas variáveis, em análise sob a curva ROC, demonstraram índices aceitáveis para a altura (0,67) e massa magra (peso bruto e percentual) (0,66) nos homens, enquanto que para as mulheres as áreas sob a curva ROC demonstrou ser o peso corpóreo, massa magra, peso bruto de gordura corporal total e IMC, apresentaram valores aceitáveis de poder discriminatório, porém somente o peso corpóreo apresentou significância estatística entre esses indicadores. Vale ressaltar que, embora, a porcentagem de massa gorda evidencia relevância estatística, a área sob a curva ROC não se enquadra dentro dos índices de aceitabilidade para discriminar as quedas entre as mulheres.
A frequência de quedas aumenta significativamente com as mudanças biológicas associadas à idade. Com o envelhecimento, a estrutura e a função dos músculos esqueléticos se alteram. Estruturalmente, a massa muscular diminui à medida que o número e o tamanho das fibras musculares declinam a partir do final da idade adulta. A perda da massa muscular, e consequentemente da força muscular, relaciona-se diretamente com redução de mobilidade e prejuízos no desempenho físico, o que contribui para o aumento do risco de quedas (RODRIGUES et al., 2014).
Conclusão e Considerações Finais
A maioria dos participantes da amostra que relataram quedas foram as mulheres, e foram evidenciadas as variáveis altura e peso em quilogramas de massa magra (muscular), em homens, e porcentagem de massa gorda (gordura corporal) e o peso corporal, em mulheres, como os indicadores capazes de discriminar quedas em idosos.  
O reconhecimento destes indicadores possibilita a implantação de estratégias de prevenção, educação e intervenção na população idosa. O dado deste estudo não esgota as ferramentas de avaliação em idosos, porém amplia a instrumentalização do risco de quedas por parte dos profissionais de saúde. Portanto, estudos de intervenção são necessários para analisar se a modificação dos indicadores de gordura corporal e massa magra reduzem o risco de quedas em idosos.
Referências:
ALMEIDA, S. D., SOLDERA, C. L, CARLI, G. A, GOMES, I, RESENDE, T. L. Análise de fatores extrínsecos e intrínsecos que predispõem a quedas em idosos. Rev Assoc Med Bras. Porto Alegre, v. 58, n. 4, p. 427-433, 2012.
FERREIRA, D. C, YOSHITMOE, A. Y. Prevalência e caraterísticas das quedas de idosos institucionalizados. Rev Bras Enferm. Brasília, v. 63, n, 6, p. 991-7, 2010.
LIMA. O.B.A, LOPES, M.E, OLIVEIRA, O.M, MELO, V.C. Evidências da Produção Científica acerca do Envelhecimento: Revisão Integrativa da Literatura. Rev. Bras.de Ciências da Saúde, v. 17, n.2, p. 203-208, 2013.
MACIEL, S. S. S. V, MACIEL, W. V, TEOTÔNIO, P.M, BARBOSA, G.G, LIMA, V.G, OLIVEIRA, T.F, SILVA, ET. Perfil epidemiológico das quedas em idosos residentes em capitais brasileiras utilizando o sistema de Informações sobre mortalidade. Rev. AMRIGS. v.54, n.1, p.25-31, 2010.
MALTA, D.C, SILVA, M.M, MASCARENHAS, M.D, SÁ, N.N, NETO, O.L, BERNAL, R.T, MONTEIRO, R.A, ANDRADE, S.S, GAWRYSZEWSKI, V.P. Características e fatores associados às quedas atendidas em serviços de emergência. Rev. Saúde Pública, v.46, n. 1, p.128-37, 2012.
MARTIN, F.G, NEBULONI, C.C, NAJAS, M.S. Correlação entre estado nutricional e força de preensão palmar em idosos. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. Rio de Janeiro, v. 15, n.3, p.493-504, 2012.
RODRIGUES, I.G, FRAGA, G.P, BARROS, M.B.A. Quedas em idosos: fatores associados em estudo de base populacional. Rev. Bras. Epidemiol., v. 705,  p. 718, Jul/Set 2014.
TOMÁS MT; FERNANDES MB. Força de preensão – Análise de concordância entre dois dinamómetros: JAMAR vs E-Link. Rev. Saúde & tecnologia. p. 39-43, Maio 2012.
EICKEMBERG M; OLIVEIRA CC; RORIZ AKC; SAMPAIO LR. Bioimpedância elétrica e sua aplicação em avaliação nutricional. Rev. Nutr. [online]. Campinas, v.24, n.6, pp. 873-882, 2011.

 


CARACTERÍSTICAS SOCIODEMOGRÁFICAS E MORBIDADES ENTRE IDOSOS DA COMUNIDADE DE UM MUNICÍPIO DE PEQUENO PORTE

Roberta Fernanda Rogonni Ferrari
Enfermeira. Professora do curso de graduação em enfermagem na Universidade Parananense (UNIPAR). Mestranda no Programa de Pós Graduação da Universidade Estadual de Maringá (UEM). e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Daysi Mara Murio Ribeiro
Enfermeira da Estratégia da Família e Mestranda no Programa de Pós Graduação da Universidade Estadual de Maringá (UEM). e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Fabiana Cristina Vidigal
Enfermeira da Estratégia da Família e Mestranda no Programa de Pós Graduação da Universidade Estadual de Maringá (UEM). e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Lígia Carreira
Professora Adjunto do Curso de Graduação e Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM). e-mail:O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Resumo
Trata-se de estudo epidemiológico seccional com inquérito domiciliar, com o objetivo de descrever as características sociodemográficas de idosos por faixa etária e morbidades de um município de pequeno porte da região Noroeste do Paraná, PR, Brasil. A amostra do estudo foi composta por 387 idosos cadastrados no Sistema de Informação da Atenção Básica do município. O sexo feminino (51,42%), até 80 anos (83,98%), escolaridade até 4 anos de estudo (81,40%), convivendo com companheiro (83,20%), aposentado (92,25) renda até 4 salários mínimos (95,61%) representou a maior parte da amostra, tendo encontrado associação significativa entre escolaridade e a faixa etária (p < 0,0012). Quanto às morbidades houve maior relato por mulheres, concentrando-se em ambos os sexos as doenças cardiovasculares (50,81% mulheres e 49,19% para homens), alterações metabólicas (68,97% mulheres e 31,03% homens) e sistema orteoarticular (76,62% mulheres e 23,38% para homens). Conclui-se que os dados referentes ao perfil sociodemográfico e de morbidades de idosos da comunidade possibilita aos profissionais de saúde a realização de intervenções especificas voltas as reais necessidades desta população, prevenindo agravos e promovendo saúde.

Palavras-chave: Saúde do idoso; Enfermagem geriátrica; Doenças crônicas.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia

Introdução
O envelhecimento populacional é uma realidade na maior parte dos países, inclusive no Brasil, que tem vivenciado este fenômeno de forma acelerada. Esta rápida mudança do perfil demográfico e epidemiológico brasileiro suscita a necessidade de estudos sobre a saúde da população idosa (NUNES et al, 2009).
Para Nunes et al (2009) o envelhecimento acarreta em alterações que podem in¬terferir negativamente na condição funcional, psicológica e social, tais mudanças são percebidas de maneira diferente por cada idoso mediante a história de vida, percepção da velhice, estrutura familiar, condições socioeconômicas e de saúde.  Sabe-se que esta etapa da vida ocorre maior incidência de doenças crônicas e possíveis limitações, exigindo maior acesso e qualidade nos cuidados prestados, além da melhor preparação dos profissionais que estão envolvidos neste processo, entretanto estas mudanças tem se constituído como novo desafio para o planejamento da atenção à saúde (PILGER; MENON; MATHIAS, 2011; SERBIM; GONCALVES; PASKULIN, 2013).
Estes idosos demandam de uma multiplicidade de cuidados, a maior partes deles vivem em áreas urbanas e buscam frequentemente a Assistência Primária à Saúde (ROGRIGUES et al, 2014; DIAS; CARVALHO; ARAUJO 2013). Cada idoso apresenta condições de vida, saúde, social e econômica diferentes, que devem ser investigadas em uma abordagem integral e contextualizadas no processo saúde-doença, desta forma, reúne-se subsídios para que se possa realizar o planejamento de políticas públicas e ações de saúde específicas a promoção da saúde, prevenção de agravos e manutenção da autonomia.
Objetivo
Este estudo teve por objetivo descrever as características sociodemográficas de idosos por faixa etária (idosos e idosos longevos) e morbidades de acordo o sexo de um município de pequeno porte da região Noroeste do Paraná, PR, Brasil.
Materiais e Métodos
Esta pesquisa caracterizou-se por ser estudo epidemiológico seccional com inquérito domiciliar com cadastrados no Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) de um município de pequeno porte da região Noroeste do Paraná, Brasil, tendo uma população estimada, em 2013, de 5.956 habitantes e 902 idosos (IPARDES, 2013).
    O cálculo amostral foi feito por meio da técnica de amostragem estratificada por sexo e faixa etária adotando nível de significância de 5% e um erro tolerável de 3%, sendo que os 387 entrevistados idosos foram sorteados aleatoriamente. A coleta de dados ocorreu no período de Dezembro de 2013 a Março de 2014. Os dados foram analisados no Programa Statistical Analysis Software (SAS, version 9.0).  A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Maringá (COPEP/ UEM), sob o parecer nº 615.612, de acordo com a Resolução 466/12.
Discussão de Resultados
Quanto ao perfil sociodemográfico dos idosos participantes do estudo verificou-se que a amostra foi composta, predominantemente, por mulheres (51,42%), até 80 anos (83,98%), escolaridade até 4 anos de estudo (81,40%), convivendo com companheiro (83,20%), aposentado (92,25) renda até 4 salários mínimos (95,61%).
Na análise das variáveis segundo a faixa etária (idoso e idosos longevos) observou-se que os idosos longevos apresentaram a mesma proporção entre os sexos (8,01%), apresentando (p < 0,4576). As mulheres até 80 anos representaram a maioria com 168 (43,41%), sendo que a maior proporção mulheres já foi verificada em estudos com idosos no Brasil reafirmando a feminização da velhice estando relacionado a maior expectativa de vida e percepção do cuidado a saúde (PILGER; MENON; MATHIAS, 2011; RODRIGUES et al, 2014). A proporção de idosos até 80 anos nas pesquisas tem sido comprovada em diversos estudos apresentando médias de idade entre 68,8 e 71,5 anos de idade (PILGER; MENON; MATHIAS, 2011; NUNES et al, 2009).
Em termos gerais a baixa escolaridade foi uma condição constada na pesquisa mostrando-se estatisticamente significativa     em relação a faixa etária (p < 0,0012), 4,84% dos idosos longevos possuíam mais de 4 anos de estudo,  para aqueles idoso até 80 anos esse índice atinge 21,23%. Corroborando com este achado um estudo realizado com idosos no município de Guarapuava no Paraná, mostrou que os idosos mais jovens, de 60 a 69 anos, possuem mais escolaridade e os mais velhos de 80 anos ou mais apresentam escolaridade máxima de 1o grau ou ginásio completo (PILGER; MENON; MATHIAS, 2011).
Outro destaque importante é a baixa renda ou até mesmo insuficiente para atender as demandas, visto que somente 3,23% dos idosos longevos possuem renda acima de 4 salários mínimos com proporção muito semelhante no  grupos dos idoso até  com 80 anos , 4,62%, obtendo (p < 0,1374), tais dados são confirmados por Pilger; Menon; Mathias (2011) ao apresentar que a renda familiar 71,3% recebem até 1 (um) salário mínimo. Recursos financeiros precários e baixa escolaridade podem atuar como fatores prejudiciais a saúde devido ao menor acesso ás informações, aos serviços de saúde e medicamentos, alimentação comprometida, além de menor envolvimento nas atividades físicas, sociais e de lazer. Pertencer a um município com poucas oportunidades de estudo, além do difícil acesso a escola quando mais jovens e devido a necessidade de colaboração na renda familiar, constitui-se algumas das justificativas para o achado encontrado (LENARDT; CARNEIRO, 2013).
A maior parte dos idosos (67,38%) e dos idosos longevos (64,52%) convivem com companheiro estruturando como benefício à saúde, pois conviver com o cônjuge torna-se um aspecto positivo na fase da velhice ao considerar o cuidado compartilhado, não sendo encontrado associação significativa entre faixa etária e situação conjugal  (p < 0,6609). Condição contrária como a viuvez em idosos constitui como um fator de risco, ao influenciar negativamente na capacidade funcional associando a situação de isolamento, menor preocupação com a saúde e assim maior acometimento por doenças crônicas (NUNES et al, 2009).
Quanto ao relato de morbidades concentrou-se no sexo feminino (58,28%), no entanto, em ambos os sexos relataram as mesmas condições patológicas estando relacionadas aos distúrbios cardiovasculares (50,81% mulheres e 49,19% para homens) destaque para a Hipertensão Arterial, seguido pelas alterações metabólicas (68,97% mulheres e 31,03% homens) tendo a obesidade e dislipidemia como a de maior incidência neste grupo e as patologias do sistema orteoarticular (76,62% mulheres e 23,38% para homens).  As demais morbidades referidas como dermatites, catarata, distúrbios respiratórios e câncer foram classificadas como outras patologias devido à baixa frequência.
Pilger; Menon; Mathias (2011) apresentam resultados semelhantes ao deste estudo, identificando a Hipertensão Arterial como a doença crônica mais prevalente, em seguida, o diabetes mellitus e artrite/artrose. As doenças crônicas são comuns entre idosos desta faixa etária e se encontram mais frequentemente entre as mulheres, uma vez que buscam mais atendimento à saúde e têm maior probabilidade de ter o diagnóstico médico (SOARES et al, 2009). Cada vez mais os profissionais de saúde devem voltar à atenção para conhecer as características da população, principalmente de idosos. O conhecimento acerca das condições sociodemográficas e morbidades entre poderão constituir subsídios uma assistência de maior qualidade fundamentado em planejamento que atendam as necessidades sociais e de saúde (SOARES et al, 2009; RODRIGUES et al, 2014)
Conclusão e Considerações Finais
O conhecimento das características sociodemográficas, econômicas, sociais e de saúde da população fundamentais em dados fidedignos no contexto da Atenção Primária a Saúde deveria tornar-se elemento inicial e fundamental para o planejamento das ações de saúde. Esta afirmativa torna-se ainda mais relevante ao envolver a população idosa que vem aumentando de forma acelerada, não sendo atendida em todas as suas demandas biopsicossociais.
Os profissionais de saúde envolvidos no cuidado integral ao idoso devem estar devidamente capacitados para atender as reais necessidades dos idosos, atuando na promoção da saúde, prevenção de doenças crônica e limitação de complicações. O estímulo a adoção de hábitos de vida saudável e ao autocuidado por meio da inserção de idosos em grupos de atividades físicas, lazer, cultural e educacional pode constituir-se como um estratégia eficaz  na melhoria da qualidade de vida.
Referências
NUNES, M.C.R et al. Influência das características sociodemográficas e epidemiológicas na capacidade funcional de idosos residentes em Ubá, Minas Gerais. Rev Bras Fisioter, São Carlos, v.13, n.5, p.376-382, 2009.
PILGER, C.; MENON, M.H.; MATHIAS, T.A.F. Características sociodemográficas e de saúde de idosos: contribuições para os serviços de saúde. Rev. Latino-Am. Enfermagem.,   Ribeirão Preto , v. 19,n. 5, p. 1230-1238, 2011.
SERBIM, A.K.; GONCALVES, A.V.F.; PASKULIN, L.M.G. Caracterização sociodemográfica, de saúde e apoio social de idosos usuários de um serviço de emergência. Rev. Gaúcha Enferm., Porto Alegre , v. 34,n. 1,p. 55-63, 2013.
RODRIGUES, LR.et al. Perfil sociodemográfico, econômico e de saúde de idosos rurais segundo o indicativo de depressão. Rev. Eletr. Enf., v. 16, n. 2, p. 278-285, 2014.
DIAS, D.S.G.; CARVALHO, C.S.; ARAUJO, C.V.de. Comparação da percepção subjetiva de qualidade de vida e bem-estar de idosos que vivem sozinhos, com a família e institucionalizados. Rev. bras. geriatr. gerontol., Rio de Janeiro , v. 16,n. 1, 2013.
IPARDES. Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social. Cadernos Estatístico Município de Maria Helena. [internet]. Maria Helena; 2013. [acesso em: 25 set 2013].  Disponível em: http://www.ipardes.gov.br/cadernos/Montapdf.php?Municipio=87480. Acesso 25 Set 2013.
LENARDT, M.H. CARNEIRO, N. H. K. Associação entre as características sociodemográficas e a capacidade funcional de idosos longevos da comunidade. Cogitare Enferm., Curitiba, v. 18, n. 1, p. 13-20, 2013.
SOARES, M. B.O. et al.  Características sociodemográficas, econômicas e de saúde de idosas octogenárias. Cienc Cuid Saude., Maringá, v. 8, n. 3, p. 452-459, 2009.

 


MORTALIDADE POR QUEDAS EM IDOSOS: COMPARAÇÃO ENTRE OS QUADRIÊNIOS 1996 A 1999 E 2009 A 2012

Elisiane Soares Novaes
Enfermeira. Mestranda no Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá-PR, Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Rosana Rosseto de Oliveira
Enfermeira. Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá-PR, Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Débora Regina de Oliveira Moura Abreu
Enfermeira. Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá-PR, Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Thais Aidar de Freitas Mathias
Enfermeira. Doutora em Saúde Pública. Professora Titular do Departamento de Enfermagem e Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá-PR (UEM), Maringá-PR, Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.


Resumo
A mortalidade por queda em idosos brasileiros foi analisada em dois quadriênios (1996-1999 e 2009-2012), segundo sexo e local de residência. Foram coletados os óbitos por quedas em idosos registrados no Sistema de Informação sobre Mortalidade, posteriormente analisados por meio de coeficientes. A taxa nacional de mortalidade por quedas em idosos passou de 2,7 no primeiro quadriênio para 4,1 no último período, e a diferença relativa dos coeficientes entre os quadriênios foi de 50,2% e 50,8% para o sexo feminino e masculino, respectivamente. Os coeficientes de mortalidade mostraram-se mais elevados para o sexo masculino em todo o período analisado e apresentaram diferenças significativas entre as capitais do país. As estatísticas apontaram que há diferenças regionais na mortalidade em idosos por quedas, que podem estar relacionadas às condições de vida da população e às ofertas dos serviços de saúde. São necessários estudos que avaliem as diferentes realidades nas regiões geográficas do país, a fim de subsidiar a elaboração de políticas públicas no combate deste agravo.

Palavras-chave: Coeficiente de Mortalidade; Idoso; Quedas.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia.

Introdução
O envelhecimento populacional, fenômeno mundial que acompanha o desenvolvimento socioeconômico, esta relacionado com o aumento da longevidade na população idosa. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a expectativa de vida no Brasil passou de 66,6 anos em 1990 para 73,4 em 2010. Dados apontam que o número de pessoas com mais 60 anos de idade tende a duplicar no período de 2000 a 2020, passando de 13,9 para 28,3 milhões, e que em 2030, esse número possa superar o de crianças e adolescentes (menores de 15 anos de idade) em cerca de 4 milhões (IBGE, 2010).
Concomitantemente ao aumento da longevidade, ocorreram transformações no perfil de morbimortalidade da população, uma vez que o envelhecimento esta relacionado ao aumento de comorbidades. Os acidentes por quedas são a principal causa no mundo de mortalidade por lesão na população idosa, respondendo por um terço das mortes por lesões não intencionais (WHO, 2010). No Brasil é a sexta principal causa de morte, além do importante impacto na hospitalização, morbidade e incapacitações entre os indivíduos na faixa etária de 60 anos ou mais (MATHIAS; AIDAR, 2010, CRUZ et al., 2012, SIQUEIRA et al., 2011).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 35% das pessoas com mais de 65 anos de idade sofrem quedas a cada ano no mundo, sendo esta proporção de 32% a 42% entre os idosos com mais de 70 anos, e no âmbito nacional, essa proporção se eleva para aproximadamente 50% (WHO, 2010).
Essa alta prevalência requer medidas de prevenção, uma vez que este agravo impacta nas taxas de morbidade, institucionalização e mortalidade, no orçamento e recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), família e sociedade, implicando na mobilização de gestores, profissionais de saúde, indivíduo, e comunidade para controle desse agravo (MAIA et al., 2011).
Considerando a heterogeneidade brasileira e com o intuito de obter um panorama nacional dessa ocorrência como causa de morte na população idosa ao longo do tempo, o presente estudo tem por objetivo comparar a mortalidade por queda em idosos residentes no Brasil e capitais, entre os quadriênios 1996-1999 e 2009-2012, segundo sexo. Estudos desta magnitude podem contribuir para o planejamento e delimitação de políticas públicas na área da saúde do idoso, e ações estratégicas para prevenção deste agravo.
Objetivo
Comparar a mortalidade por queda em idosos residentes no Brasil e capitais federais e Distrito Federal, entre os quadriênios 1996-1999 e 2009-2012, segundo sexo.
Materiais e Métodos
Trata-se de estudo ecológico, observacional, exploratório, e analítico. A população estudada foi composta pelos óbitos de idosos na faixa etária de 60 anos ou mais, vítimas de quedas, residentes nas capitais brasileiras, Distrito Federal e Brasil como um todo.
Os dados de mortalidade foram obtidos pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. O SIM é um sistema de vigilância epidemiológica nacional e tem como objetivo captar dados sobre os óbitos do país, a fim de fornecer informações sobre mortalidade para todas as instâncias do sistema de saúde. Ele possui como documento básico a declaração de óbito, padronizada em todo o território nacional.
Para a seleção dos óbitos por quedas, utilizou-se a décima revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID–10), que comtempla no capitulo XX (causas externas de morbidade e mortalidade) todos os tipos de quedas, desde as quedas do mesmo nível, de nível mais alto, até as não especificadas (W00-W19).
Dados demográficos e do SIM, utilizados no cálculo dos coeficientes, foram coletados no endereço eletrônico do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). As taxas de mortalidade foram calculadas pela razão entre o numero total de óbitos de idosos por quedas e o total da população idosa para aquele mesmo ano e local, multiplicando o quociente por 105. As variáveis utilizadas na análise foram: sexo, coeficiente de mortalidade e localidade geográfica.
Discussão de Resultados
O coeficiente geral de mortalidade por quedas em idosos brasileiros passou de 2,7 para 4,1 em um intervalo de 10 anos. As capitais que tiveram maior aumento proporcional das taxas de mortalidade foram: Rio Branco (1112,8%), Campo Grande (727,5%), Salvador (435,7%), Cuiabá (381,0%), Porto Velho (354,3%) e João Pessoa (345,8%). Houve redução do coeficiente em Recife e Rio de Janeiro (-7,9% e -8,6%, respectivamente), que ocorreu devido à diminuição dos óbitos femininos observada em ambas as cidades.
Observa-se ainda que a capital Vitória apresentou os maiores coeficientes por quedas em idosos nos dois quadriênios analisados e que na Região Centro-Oeste todas as capitais tiveram coeficientes acima 5,7 óbitos devidos a quedas por 10.000 idosos no segundo quadriênio de estudo.
Os coeficientes de mortalidade total mostraram-se mais elevados para o sexo masculino em todo o período analisado, acompanhando o padrão biológico geral, de maior mortalidade entre homens do que entre mulheres (TEIXEIRA, 2010). Corroborando com estudos que apontam os homens como as principais vítimas dos acidentes e violências, numa razão que chega a 12 para 1 (MINAYO, 2009).
Ao analisar os resultados deste estudo deve ser considerada a possível subestimação desses acidentes, decorrente da falta de preenchimento da declaração de óbito, o que interfere na qualidade e quantidade dos dados contidos no Sistema de Informações sobre Mortalidade.
Os dados indicam que as diferenças socioeconômicas, étnicas, culturais, de residência (regiões mais ou menos desenvolvidas, área urbana ou rural), influenciam tanto a expectativa de vida da comunidade como nas caraterísticas do processo de envelhecimento e adoecimento da população. A heterogeneidade entre os diferentes municípios e regiões do país tem influencia na taxa de mortalidade de idosos por quedas.
Conclusão e Considerações Finais
Visto que houve aumento expressivo em quase todas as capitais da taxa de óbitos por quedas em idosos em um intervalo de 10 anos, é fundamental que sejam fortalecidas medidas de prevenção de quedas para esta população. Nos últimos 20 anos, houve muitos avanços no conhecimento sobre como prevenir quedas, já não sendo aceitável considerar uma queda como inevitável. A maioria das quedas entre os idosos que vivem na comunidade podem ser prevenidas com ações eficazes que incluem intervenções multifatoriais, programas de exercícios projetados para melhorar o equilíbrio, modificações no ambiente doméstico, retirada de medicamentos psicotrópicos, cirurgia de catarata, suplementação de vitamina D, entre outros.
As informações deste estudo podem ser valiosas ao planejamento de recursos tecnológicos e humanos para prevenção e controle deste agravo. Contudo, a realização de novas pesquisas revela-se adequada e indicada no momento atual, para explicar melhor as causas do aumento da ocorrência e das diferenças demográficas.
Referências
CRUZ, D. T. et al. Prevalência de quedas e fatores associados em idosos. Revista de Saúde Pública, p. 138-146, 2012.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira. Rio de janeiro: 2010.
MAIA, B. C. et al. Consequências das quedas em idosos vivendo na comunidade. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., Rio de Janeiro; p. 381-393, 2011.
MATHIAS, T. A. F.; AIDAR, T. Diferencial de mortalidade na população idosa em um município da região sul do Brasil, 1979-2004. Ciência, Cuidado e Saúde (Online), v. 9, p. 44-51, 2010.
MINAYO M. C. S. Seis características das mortes violentas no Brasil. Rev Bras Est Pop; v. 26, n. 1, p. 135-140, 2009.
SIQUEIRA, F. V. et al. Prevalence of falls in elderly in Brazil: a countrywide analysis. Cad. Saúde Pública. v. 27, n. 9, p. 1819-26, 2011.
TEIXEIRA I. N. A. O.; GUARIENTO M. E. Biologia do envelhecimento: teorias, mecanismos e perspectivas. Cien Saude Colet; v. 15, n. 6, p. 2854-2857, 2010.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Injuries and violence: the facts. Geneva, 2010.

 



MORTALIDADE DE IDOSOS POR QUEDAS NAS MICRORREGIÕES DO NOROESTE DO PARANÁ, BRASIL
Amanda Nascimento Vasques de Souza
Acadêmica do Curso de Enfermagem – UNIPAR.
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Eloara C. Rebonato
Acadêmica do curso de Enfermagem – UNIPAR.
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Kemily O. De Souza
Acadêmica do curso de Enfermagem – UNIPAR
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Alan Henrique De Lazari
 Enfermeiro. Pós Graduando em Anatomia e Histologia pela UEM.
Pós Graduando em Atenção Básica pela UFSC.
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Roberta Fernanda Rogonni Ferrari
Enfermeira. Professora do curso de graduação em enfermagem na Universidade Parananense (UNIPAR). Mestranda no Programa de Pós Graduação da Universidade Estadual de Maringa.
E-mail: betaferrari16 @hotmail.com

Resumo
O Brasil está vivenciando um aumento significativo do número de idosos exigindo mudanças nas políticas públicas e melhoria na à saúde assistência voltada as suas reais necessidades desta população. Objetivou-se descrever a mortalidade por quedas em idosos dentre as causas externas registradas em residentes da microrregião do noroeste do Paraná, Brasil no período de 2008 á 2012, bem como caracterizar os óbitos decorrentes. Trata-se de um estudo retrospectivo realizado por meio de dados secundários sobre mortalidade por quedas em idosos, com 60 e mais anos de idade, disponibilizados online pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. O município com o maior índice de mortalidade foi de Umuarama - PR com 870,31 Taxa de Mortalidade Especifica (TME), a faixa etária que teve maior número de óbitos foi de 80 anos ou mais. Conclui-se que é preciso conhecer estas informações para realizar ações preventivas voltada as necessidades dos idosos e a atenção do enfermeiro deve estar voltada as necessidades dos idosos,  o profissional deverá estar capacitado para fazer a avaliação multidimensional para detecção precoce dos fatores de risco para quedas.
Palavras Chave: Idoso; Acidente por quedas; Enfermagem.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia.

Introdução
Atualmente quase dois terços da população mundial são representados por idosos, esse elevado crescimento populacional esta relacionado com a diminuição da taxa de natalidade e aumento da expectativa de vida, com isso sabe-se que os idosos podem viver mais, entretanto estão mais expostos a eventos incapacitantes (VANCARENGHI, et al, 2011).
 Para Menezes (2008) as principais causas destes eventos incapacitantes podem estar associada aos fatores intrínsecos, que decorrem de alterações fisiológicas relacionadas ao processo de envelhecimento, idosos com mais de 80 anos; sexo feminino; imobilidade; alterações cognitivas e aos fatores extrínsecos, que estão relacionados ao comportamento e atividade dos idosos e ao meio ambiente, como ambientes inseguros e mal iluminados, mal planejados e mal construídos, lembrando que quanto mais frágil o idoso mais suscetível. A queda é um evento comum não intencional e muito preocupante, cerca de 30% das pessoas idosas caem a cada ano. A maioria das quedas acidentais ocorre dentro de casa ou em seus arredores, na maioria das vezes durante atividades cotidianas como mudar de posição, caminhar, ir ao banheiro, descer escadas. Instabilidade postural e quedas são importantes dados de diminuição de capacidade funcional e fragilidade em pessoas idosas, sendo assim a referencia da queda deverá ser sempre valorizada, realizando uma avaliação da queda envolvendo aspectos biológicos, físico funcionais, cognitivos e psicossociais (BRASIL, 2007).
Segundo Fabrício(2004); Kwan (2011); Roche et al (2005) as quedas podem estar relacionadas a patologias de base como a labirintite e a hipotensão arterial, trazendo como principal complicação as fraturas, onde muitas vezes fragmentos da fratura leva o rompimento de vasos de grande calibre acarretando em óbito. Neste contexto o enfermeiro tem papel de destaque, inserido na equipe multidisciplinar, ao realizar a consulta de enfermagem voltada a investigação multidimensional do idoso com detecção ao fatores de risco, estruturando-se como uma proposta de prevenção de quedas em idosos através de medidas de promoção da saúde, envolvendo mudança de hábitos inadequados, como reeducação alimentar, tornar o ambiente que se convive mais seguro, e conhecimento do condicionamento físico (TOMASINI; ALVES, 2007). A ocorrência de quedas que representa um sério problema de saúde pública na população idosa e estão associadas á elevados índices de morbimortalidade, necessitando de estudos epidemiológicos para conhecer as características da população que teve óbito relacionado com as quedas, assim possibilitando traçar medidas preventivas mais efetivas.
Objetivo
O objetivo deste trabalho foi descrever a mortalidade por quedas em idosos dentre as causas externas registradas em residentes da microrregião do Noroeste do Paraná, Brasil no período de 2008 á 2012, bem como caracterizar os óbitos decorrentes.
Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo retrospectivo de dados secundários sobre a mortalidade de idosos relacionados a causas externas (quedas) disponível em acesso público no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). A população do estudo foi composta por idosos que morreram devido a episódio de quedas, sendo categorizados em três faixas etárias, sendo de 60 á 69 anos; 70 á 79 anos; 80 anos ou mais, estes são residentes das microrregiões da região Noroeste do Paraná (Umuarama, Paranavaí e Cianorte) no período de Janeiro de 2008 á Dezembro de 2012.
Estando classificado nos códigos do Capitulo XX (Causas externas de mortalidade) da Classificação internacional de Doenças, na sua décima revisão (CID-10), de acordo com a codificação de quedas (W00-W19) selecionando a variável “capital de residência”. A coleta de dados foi realizada no mês de Setembro de 2014. Os óbitos por causas externas em idosos foram analisados por meio de mortalidade proporcional e dos coeficientes gerais e específicos de mortalidade.
Por tratar-se de manipulação dados secundários e de aceso público disponibilizado pelo Ministério da Saúde (MS) via online (www.datasus.gov.br), não teve a necessidade de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), por não haver variáveis que possibilitem a identificação dos sujeitos da pesquisa.
Discussão de Resultados
A microrregião do Noroeste do Paraná que apresentou o maior registro de óbitos de idosos em números absolutos relacionado a quedas foi Umuarama com um total de 71 óbitos no período analisado, seguido pelo município de Paranavaí com 64 e Cianorte com 42, totalizando 177 óbitos. Em análise quanto a Taxa de Mortalidade Específica (TME) obteve-se no município de Umuarama um indicador de 870,31/100.00 habitantes, em Paranavaí 827, 94/100.00 habitantes e Cianorte 754,45/100.00 habitantes, assegurando os mesmos achados em números absolutos. Em estudo realizado em Fortaleza-CE foi verificado as consequências da queda tendo a ocorrência de fratura como a mais indicada por idosos (43%). Outras consequências citadas foram trauma craniano (19%), depressão (19%) e ansiedade (19%), além de que 33% dos idosos que caíram foram submetidos à internação hospitalar (CAVALCANTE; AGUIAR; GURGEL, 2012). A maior proporção verificada da TME na cidade de Umuarama ocorreu no ano de 2008 na faixa etária dos 80 anos ou mais com a taxa de 2346,0. Em números absolutos a quantidade de óbitos aumenta com o avançar da idade tendo 4 óbitos na faixa etária até 69 anos, seguido de 16 óbitos até 70 anos e como esperado os números elevam significativamente em idosos com mais de 80 anos obtendo 49 óbitos. É importante destacar que na investigação do número de óbitos por ano em relação à faixa etária idosos até 69 anos apresentam ao decorrer do período uma variação entre 1 a 2 casos, já nos idosos até 79 anos houve um redução importantíssima tendo 7 óbitos no anos de 2008 e nenhum registrado em 2012, já pra os idoso longevos a quantidade de óbitos é maior, porém apresenta-se com redução progressiva ao longo dos anos, saindo de 14 óbitos em 2008 pra 6 em 2012.
Cavalcante; Aguiar; Gurgel (2012) corroboram com os achados deste estudo em relação à faixa etária, constando que a maior ocorrência de quedas é verificada entre os idosos mais velhos, ou seja, com 80 anos ou mais em relação àqueles com idade entre 60 e 79 anos. Os resultados confirmam que idosos acima de 80 anos apresentam maior risco relativo de óbitos por quedas.
No município de Paranavaí no ano de 2011 obteve-se uma TME de 1168,07, na faixa etaria de 80 anos ou mais, sendo que em 2008 a TME mostra 86,55 principalmente na faixa etária de 70 á 79 anos. Quanto ao número de óbitos nas diferentes faixas-etária os dados se comportam igualmente ao constato no município de Umuarama, tendo 8 óbitos em idosos até 69 anos, 18óbitos em idosos até 79 anos e 38 óbitos em idoso longevos, todos os anos apresentaram oscilação importante não podendo inferir que os óbitos estão sofrendo aumento ou redução.
 No município de Cianorte que evidenciou ou melhores números registrou-se a maior TME ano de 2011 na faixa etária 80 anos ou mais, com a taxa de 904,98 já em 2008 ocorreu o menor numero de quedas 55,00. Novamente com o aumento da idade, aumenta-se o número de óbitos devido a queda, sendo registrado 5, 11 e 26 óbitos, respectivamente com as faixas etárias analisadas. Apesar dos menores índices constato de forma geral na análise dos três municípios, é preciso atentar-se para os idosos longevos que apresentaram um aumento progressivo obtendo 4 óbitos em 2008, 5 em 2009 e 2010 e 6 óbitos em 2011 e 2012. Mediante aos dados apresentados é preciso intensificar as ações de prevenção de quedas na população idosa, a fim de reduzir a dependência no cuidados e evitar complicações maiores que podem colocar em risco a autonomia, bem estar e até mesmo a vida do idoso.
Neste processo o enfermeiro deve estar apto a identificação precoce de alterações na capacidade funcional e cognitivas, auxilio no controle das doenças crônicas, propiciar um ambiente mais seguro em sua residência e assim prevenir o evento de quedas (FREITAS et al, 2011).
Conclusão e Considerações Finais
A partir dos dados obtidos é possível concluir que os idosos que mais sofreram quedas de mortalidade são da faixa etária de 80 anos ou mais, pelo  fato de apresentarem maior fragilidade e limitações nas diferentes atividades da vida diária. Esses dados auxilia o profissional Enfermeiro á melhorar suas praticas em promover a saúde em idosos. Concluí-se assim que existe a a necessidade de que novos estudos sejam realizados para fornecer conhecimento mais acurado das características da população idosa e dos riscos que está exposta, visando auxiliar os serviços da enfermagem e sua equipe multidisciplinar na prevenção dos acidentes.
Referências
CARVALHO, E et al. Relação entre as quedas e o equilíbrio funcional e a qualidade de vida em idosos. Anhanguera educacional, n.17 v.(1) p.43-54, 2013.
CAVALCANTE, André Luiz Pimentel; AGUIAR, Jaina Bezerra de; GURGEL, Luilma Albuquerque. Fatores associados a quedas em idosos residentes em um bairro de Fortaleza, Ceará. Rev. bras. geriatr. gerontol. ,  Rio de Janeiro ,  v. 15, n. 1,   2012 .  
Cadernos de atenção básica; Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Normas e Manuais Técnicos, Serie A, p.65 Brasília – DF, 2007GOMES, E, C, C, et al. Fatores associados ao risco de quedas em idosos institucionalizados: Uma Revisão Integrativa. Ciência e saúde coletiva n.19 v.(8) p.3543-3551,2014.
FREITAS, R, et al. Cuidados de Enfermagem para prevenção de quedas em idosos: prosposta para ação. Rev Brasileira de Enfermagem, n.64 v.(3), p.478-485, Brasília, 2011.
MACIEL, S, S, V. et al. Pefil epidemiológico das quedas em idosos residentes em capitais brasileiras utilizando o sistema de informações sobre mortalidade. Rev da AMRIGS,Porto Alegre, n.54 v.(1) p.25-31, 2010.
PINHO, T,A, M et al. Avaliação do risco de quedas em idosos atendidos em Unidade Básica de Saúde. Rev Esc Enferm USP, n.46 v.(2) p.320-7, 2012.



AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL DE IDOSOS ATENDIDOS PELO PROGRAMA CENTRO DE REFERÊNCIA DO ENVELHECIMENTO NO MUNICÍPIO DE MARINGÁ-PARANÁ

Rayane Nascimbeni Maldonado
Acadêmica do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá. Aluna bolsista do PROCERE – Programa Centro de Referência do Envelhecimento – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Iara Sescon Nogueira
Enfermeira. PROCERE - Programa Centro de Referência do Envelhecimento – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Miriam Goes Lubke
Enfermeira. Prefeitura do Município de Maringá – (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Ana Carla Borghi
Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem. Universidade Estadual de Maringá – Maringá (PR), Brasil.
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Vanessa Denardi Antoniassi Baldissera
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Universidade Estadual de Maringá – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Resumo
O surgimento de doenças crônicas no processo de envelhecimento determina a perda da capacidade funcional, a qual impossibilita o desenvolvimento das atividades da vida cotidiana. O objetivo deste trabalho foi avaliar a capacidade funcional dos idosos residentes em uma área não coberta pela ESF e que são atendidos no Programa Centro de Referência do Envelhecimento. Trata-se de um estudo transversal, quantitativo e descritivo, desenvolvido entre julho e setembro de 2014, que utilizou dois instrumentos, um para caracterização do  idoso e outro para avaliar a capacidade funcional, a qual utilizou a Escala de Atividades Instrumentais de Vida Diária de Lawton e Brody. Esta escala é composta por nove perguntas relacionadas às atividades instrumentais de vida diária tendo três respostas com escore determinado. Com a aplicação dos instrumentos, foram estudados 35 indivíduos do total de 125 idosos, observando-se predominância do sexo feminino 57,1%, idade média de 69,4 anos, maior porcentagem de idosos na faixa etária de faixa etária de 60 a 74 anos (82,9%). Em relação às AIVD, verificou que entre os idosos com 60 a 74 anos, 96,6% (n=28) eram independentes. Dentre os entrevistados, apenas uma idosa foi classificada como incapaz de realizar as atividades sem assistência. Portanto, a presente pesquisa permitiu a caracterização de parte dos idosos atendidos pelo PROCERE e sabendo que a capacidade funcional tende a declinar com a idade é importante que se desenvolva estratégias para melhorar o estilo de vida dos idosos, o que proporcionará um envelhecimento mais independente.

Palavras-chave: Saúde do Idoso; Atividades Instrumentais de vida Diária; Envelhecimento.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia.

Introdução
Sabe-se que o envelhecimento por si só não determina a perda da capacidade funcional, entretanto, nota-se que com o aumento da idade há o surgimento de doenças crônicas, as quais estão diretamente relacionadas com a maior incapacidade funcional (OLIVEIRA; MATTOS, 2012), e por consequência piora a qualidade de vida (NOGUEIRA, 2008).
A capacidade funcional, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é definida como a capacidade de desenvolver uma atividade ou ação, ou seja, é a ausência de dificuldade ou impossibilidade em desenvolver certos gestos e certas atividades da vida cotidiana (LOURENÇO, 2011).
Para a autora, a incapacidade funcional do idoso o deixa mais vulnerável à dependência – tendo implicações importantes não só para o próprio idoso em relação ao seu bem-estar e qualidade de vida, mas também para a sua família, comunidade e serviços de saúde. Sabendo-se que a falta de capacidade funcional tem todas estas implicações, tornou-se necessário a aplicação de instrumentos que avaliem o grau de dependência dos idosos.
No presente estudo utilizou-se da Escala de Atividades Instrumentais de Vida Diária de Lawton e Brody (1969) para avaliação da capacidade funcional dos idosos em relação às atividades cotidianas.
Objetivos
O objetivo deste estudo foi determinar a capacidade funcional relacionada às atividades instrumentais de vida diária dos idosos residentes em uma área sem cobertura de PSF – Programa Saúde da Família e que são atendidos no PROCERE – Programa Centro de referência do Envelhecimento no município de Maringá-PR.
Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo transversal, quantitativo e descritivo, que utilizou a Escala de Atividades Instrumentais de Vida Diária de Lawton e Brody (1969) para avaliar a capacidade funcional dos idosos cadastrados por meio do projeto ADEFI – “Assistência domiciliar de enfermagem as famílias de idosos dependentes de cuidado” e que atualmente são atendidos no PROCERE, em parceria com uma unidade básica de saúde do Município de Maringá-PR.
Para a coleta de dados utilizou dois instrumentos, um para coletar informações sociodemográficas, como idade e sexo, para a caracterização dos sujeitos da pesquisa e uma pergunta sobre a presença de um cuidados para auxiliá-los na realização das atividades cotidianas.
Outro instrumento para avaliar a capacidade funcional dos idosos, sendo este a Escala de Atividades Instrumentais de Lawton e Brody, a qual é composta por nove perguntas relacionadas às atividades instrumentais de vida diária, tendo três opções de respostas com escore determinado: sem ajuda (3 pontos), com ajuda parcial (2 pontos) e não consegue (0 pontos). A avaliação da capacidade funcional do idoso ocorre mediante somatórios das nove respostas, na qual o valor máximo é de 27 pontos. Sendo assim, o idoso é considerado independente quando o somatório fica entre 19 e 27 pontos; capazes com assistência, quando o somatório fica entre 10 e 18 pontos; e dependentes, quando o somatório fica entre 01 e 09 pontos.
Os dados contidos nesse estudo são preliminares, e foram estudados 35 do total de 125 idosos, os quais tinham 60 anos ou mais, no período de julho a setembro de 2014. Os idosos foram divididos em três grupos etários: 60 a 74 anos; 75 a 84 anos e = 85 anos conforme proposto pelo Protocolo de Identificação do Idoso Vulnerável (VES – 13) (LUZ, 2013).
Utilizou-se estatística simples para análise dos dados, considerando a pontuação da variável de Lawton e Brody (1969) em cada faixa etária pré-definida.
Discussão de Resultados
Na amostra de 35 idosos, notou-se a predominância do sexo feminino, representando 57,1% (n=20), similar ao estudo de Marchon; Cordeiro; Nakano (2010) e Nakatani et. al. (2009), no qual as mulheres representaram 56% e 54,3% da amostra, respectivamente. O sexo masculino representou 42,9%. Os idosos entrevistados tinham idade entre 60 e 85 anos e apresentaram média de idade de 69,4 anos (DP=5,5), já na pesquisa de Nakatani et. al (2009), as idades variaram de 60 a 94 anos com média de 69,7 anos. Em outros estudos, como de   Marchon; Cordeiro; Nakano (2010), as variações de idades foram semelhantes  . A maioria dos idosos estão na faixa etária de 60 a 74 anos com 82,9% (n=29). Em relação ao sexo por faixa etária, verificou-se que as mulheres representaram 62,1% (n=18) dos idosos na faixa etária de 60 a 74 anos; já na faixa etária de 75 a 84 anos, o número de indivíduos do sexo masculino foi de 60,0% (n=3), sendo superior a porcentagem feminina 40% (n=2) . Nesta amostragem, apenas um indivíduo, o qual é do sexo masculino, tinha 85 anos. Devido o VES – 13 ser um instrumento atual, não há estudos que utilizaram a sua classificação de idade, porém nota-se que o número de octagenários em estudos como de Alves (2007), Marchon; Cordeiro; Nakano (2010) e Nakatani et. al (2009), assim como no presente estudo, também são inferiores quando comparados com o número de idosos com menos de 80 anos.
Com a avaliação das atividades instrumentais de vida diária (AIVD), entre os idosos que tinham entre 60 e 74 anos, 96,6% (n=28) era independente, assim como nos estudos de Figliolino et. al (2009). Já no estudo de Oliveira; Matos (2012), apenas 16,3% da amostra foi considerada independente. Neste estudo, 3,4% (n=1) foi classificado como parcialmente dependente, ou seja, é capaz de realizar as atividades com assistência, sendo inferior ao resultado encontrado por  Oliveira; Matos (2012), o qual  foi de 30,5%.  Entre os indivíduos com 75 a 84 anos, 100% (n=5) foi considerado independente. O único idoso que tinha 85 anos, também foi considerado independente. Notou-se que o número de idosos dependentes neste estudo foi inferior à pesquisa de Duca; Silva; Hallal (2009), na qual 28,8% dos idosos eram incapazes de realizar as atividades instrumentais.
Em relação aos cuidadores, somente um idoso apresentou cuidador, porém este foi considerado totalmente independente, com pontuação máxima, não existindo relação o cuidador com a dependencia do individuo em realizar atividades da vida diária.
Conclusão e Considerações Finais
O perfil do grupo de idosos da área estuda revelou que existem mais idosos na faixa etária entre 60 e 74 anos (82,9%), com média 69,4 anos (DP=5,5), além disso verificou-se uma porcentagem superior de indivíduos do sexo feminino.
Quanto as AIVD, a maioria dos idosos (97,1%) foi considerada totalmente independente, conseguindo utilizar o telefone, se deslocar utilizando algum tipo de transporte, fazer compras, preparar as refeições, arrumar a cama, realizar pequenos trabalhos manuais domésticos, lavar e passar roupa, tomar os medicamentos nos horários e em dose correta e cuidar de suas finanças.
Sabendo que a capacidade funcional tende a declinar com a idade, tendo em vista que normalmente há o surgimento de um número maior doenças crônicas na terceira idade, é importante que se desenvolva estratégias para melhorar o estilo de vida dos idosos, principalmente que promovam a melhoria da força muscular e de articulação, medidas de integração social e educação permanente quanto ao envelhecimento ao longo da vida – o que proporcionará aos idosos um processo de envelhecimento mais independente.
Referências
DUCA, G. F. D.; SILVA, M. C. da; HALLAL, P. C. Incapacidade funcional para atividades básicas e instrumentais da vida diária em idosos. Rev. Saúde Pública, São Paulo, 2009.
FIGLIOLINO; J. A. A. et. al. Análise do exercício físico em idosos com relação a equilíbrio, marcha, e atividade de vida diária. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, p. 227 – 238, mai. 2009.
LUZ, Laércio Lima et al. Primeira etapa da adaptação transcultural do instrumento The Vulnerable Elders Survey (VES-13) para o Português First stage of the cross-cultural adaptation of the instrument The Vulnerable Elders Survey  (VES-13). Cad. Saúde Pública, 2013.
LOURENÇO; T. M. Capacidade do idoso longevo admitido em unidades de internação hospitalar na cidade de Curitiba – PR. 2011. Dissertação (Mestrado em Enfermagem). Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2011.
MARCHON, R. M.; CORDEIRO, R. C; NAKANO, M. M. Capacidade funcional: estudo prospectivo em idosos residentes em uma instituição de longa permanência. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., Rio de Janeiro, v. 13, n. 2, p. 203 – 214, jan. 2010.
NAKATANI; A, Y. K. et. al. Capacidade funcional em idosos na comunidade e propostas de intervenções pela equipe de saúde. Rev. Eletr. Enf. v. 11, n. 1, p. 144 – 150, mar. 2009.
NOGUEIRA; S. L. Capacidade funcional, nível de atividade física e condições de saúde de idosos longevos: um estudo epidemiológico. 2008. Dissertação (Ciência da Nutrição). Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2008.
OLIVEIRA, P. H. de; MATTOS, I. E. Prevalência e fatores associados à incapacidade funcional em idosos institucionalizados no Município de Cuiabá, estado de Mato Grosso, 2009 – 2010. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v. 21, n. 3, p. 395 – 406, set. 2012.

 


PREVALÊNCIA DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS E ANÁLISE DO ESTADO NUTRICIONAL EM IDOSOS ATENDIDOS EM UM AMBULATÓRIO DE NUTRIÇÃO

Lydiana Pollis Nakasugi
Graduada em Nutrição, especialista em Nutrição Clínica pela Unopar e em Terapia Nutricional pelo Imen/Necpar, mestranda em Ciências da Saúde pela UEM. Docente do curso de Nutrição do Unicesumar – Centro Universitário de Maringá.
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Jéssica Caroline Goes da Silva
Graduanda em Nutrição do Unicesumar – Centro Universitário de Maringá.
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Resumo
Esta pesquisa tem como objetivo verificar a prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e analisar o Estado Nutricional de pacientes idosos atendidos em um ambulatório de Nutrição de Maringá-Paraná. Trata-se de um estudo observacional, com idosos maiores de 60 anos desenvolvido em uma Clínica de Nutrição de uma instituição de ensino particular da cidade de Maringá, PR. Um questionário estruturado foi aplicado abordando a variável dependente: Índice de massa corporal (IMC), e as variáveis independentes: Características sociodemográficas: Idade e Sexo.  Dados socioeconômicos: Estado Civil, Escolaridade e Renda. Indicadores das condições de saúde: História Clínica de Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Antecedentes Familiares. Hábitos de Vida: Atividade Física, Tabagismo e Etilismo. Foram avaliados 96 prontuários, sendo 69,8% (67) do sexo feminino e 30,2% (29) masculino. A média de idade foi de 66,26 anos (dp 5,96). Em relação às características sociodemográficas, econômicas e estilo de vida, a maioria era casado, estudaram até o 5º ano do ensino fundamental e pertenciam a classe social C.  O sedentarismo prevaleceu entre os mesmos e apenas 6,3% eram fumantes e 17,7% etilistas. Em relação à presença de doenças e estado nutricional, apenas 5 idosos não apresentaram nenhuma doença. A obesidade e hipertensão estiveram presentes em 61,5% e 50,0% dos idosos, respectivamente. Verifica-se que diabetes, dislipidemia, artrite/artrose, distúrbio tireoidiano e câncer estiveram presentes em 25,0%; 19,8%; 10,4%; 14,6% e 2,1% dos idosos, respectivamente. Os resultados retratam a necessidade de acompanhamento destes indivíduos.

Palavras-chave: Doenças Crônicas Não Transmissíveis; Idoso; Estado nutricional.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia.

Introdução
A velhice pode refletir se o individuo conseguiu ter uma vida saudável ou não, havendo assim, a necessidade de conhecer os fatores que incidem sobre a prevalência das patologias crônico-degenerativas nesta faixa etária, sendo que, o envelhecimento permite maior suscetibilidade a alterações nutricionais, mediante as alterações psicológicas, fisiológicas, físicas e metabólicas, bem como o aumento de doenças potencializadas pela obesidade.
Por conta de mudanças demográficas como a expectativa de vida, torna-se cada vez mais preocupante a saúde dos idosos (60 anos ou mais). Desta forma, exigem mudanças no perfil nutricional e epidemiológico com foco em doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), mais comumente nesta faixa etária mais avançada (SILVEIRA; KAC; BARBOSA, 2009).
A Obesidade é uma DCNT no qual é caracterizada pelo excesso de tecido adiposo no organismo, e por indivíduos que apresentam IMC maior ou igual a 30 kg/m², contribui para a morbi-mortalidade como as doenças osteomusculares, cardiovasculares e neoplásicas. O excesso de peso é uma tendência crescente nas ultimas décadas e atinge cerca de 1/3 da população adulta e idosa, sendo prevalentemente maior em mulheres com pico entre 45 a 64 anos. Na faixa etária acima de 60 anos ocorre perda progressiva da massa magra, diminuição da estatura, aumento a da proporção de gordura corporal, relaxamento da musculatura abdominal, alteração da elasticidade da pele e cifose. É uma doença que leva a distúrbios sociais, psicológicos, aumento do risco de morte prematura e o aumento de risco de doenças de grande morbi-mortalidade como diabetes melito (DM), hipertensão arterial (HA), dislipidemias, doenças cardiovasculares (DCV) e câncer (CABRERA; FILHO, 2001).
Objetivos
Verificar a prevalência de doenças crônicas não transmissíveis e analisar o estado nutricional de pacientes idosos atendidos em um ambulatório de Nutrição.
Materiais e Métodos
Estudo observacional, com idosos de 60 anos e mais de idade. Um questionário estruturado foi aplicado abordando a variável dependente: Índice de massa corporal (IMC) calculado com base na divisão do peso corporal em quilogramas pela estatura em metro elevada ao quadrado (kg/m2), e as variáveis independentes: a) Características sociodemográficas: Idade e Sexo.  b) Dados socioeconômicos: Estado Civil, Escolaridade e Renda. c) Indicadores das condições de saúde: História Clínica de Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Antecedentes Familiares. d) Hábitos de Vida: Atividade Física, Tabagismo e Etilismo. As informações foram obtidas através do histórico de fichas clínicas de pacientes que realizaram a consulta. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do UNICESUMAR, sob protocolo nº 695.727/2014.
A inclusão na amostragem foi realizada após consentimento do paciente, a partir da apresentação de um documento solicitando a permissão para que sua ficha seja arquivada para utilização em estudos e pesquisas acadêmicas.
Discussão de Resultados
Do total de 96 prontuários de idosos avaliados, 67 (69,8%) eram do sexo feminino e 29 (30,2%) do sexo masculino. Segundo dados do IBGE (2010) no Brasil o sexo feminino correspondem a 65,1% dos idosos do grupo etário dos 60 anos e mais. Já a média de idade dos participantes foi de 66,26 anos (dp 5,96).
Em relação às características sociodemográficas, econômicas e estilo de vida, a maioria era casada, estudaram até o 5º ano do ensino fundamental e pertencia a classe social C. O sedentarismo prevaleceu entre o grupo estudado, apenas 37,5 respondeu praticar alguma atividade física. Quanto ao uso de cigarro e álcool 6,3% eram fumantes e 17,7% etilistas.
Em relação à presença de doenças, a maioria dos participantes apresentou problemas de saúde. É importante registrar que apenas cinco idosos não apresentaram nenhuma doença. De acordo com Nascimento et al. (2011), por conta do processo de envelhecimento observou-se uma mudança na epidemiologia e na nutrição da população, com aumento de agravos de saúde específicos, como as incapacidades e as doenças crônicas não transmissíveis, o que exige maior demanda de medicamentos e serviços de saúde.
A obesidade e hipertensão estiveram presentes em 61,5% e 50,0% dos idosos, respectivamente. Em relação à obesidade os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada em 2002-2003, observa-se que a prevalência de obesidade, a partir da avaliação do IMC igual ou acima de 30 kg/m², na população brasileira, aumentou com a idade e atingiu 17,1% na faixa etária de 55 a 64 anos, 14% na categoria de 65 a 74 anos e 10,5% nos idosos com 75 anos e mais. Assim, pode-se evidenciar esse aumento entre o grupo de idosos deste estudo, sendo um dado preocupante para a saúde, tendo em vista o aumento da população brasileira nessa faixa etária. Pois isso pode aumentar os custos com medicamentos e outros gastos com saúde, quando o ideal seria investir em medidas preventivas.
Quanto à hipertensão, segundo o estudo de Munaretti et al. (2011), a doença é um dos maiores problemas de saúde em todas as regiões do mundo. No Brasil, estima-se que essa doença acometa entre 50% a 70% dos indivíduos idosos. Confirmado pelo presente estudo, em que a hipertensão esteve presente em metade da população idosa avaliada.
Em relação ao estado nutricional, verificou-se maior prevalência (61,5%) de idosos com obesidade, seguido do peso adequado com 21,9% e tanto o excesso de peso como o baixo peso com 8,3% dos idosos. Os dados da Pesquisa Nacional a respeito da Saúde e Nutrição (PNSN-1989) e da Pesquisa acerca de Padrões de Vida (PPV 1996-1997) indicaram, no Brasil, maior prevalência de excesso de peso em relação ao baixo peso em idosos. Nesse sentido, podemos avaliar que o perfil nutricional da população idosa tem sofrido alterações nos últimos anos. No entanto, é importante lembrar que há carência de mais estudos para a confirmação deste processo.
Em relação ao sexo, o gênero masculino apresentou superior frequência de tabagismo (p=0,01) e de etilismo (p=0,02). Enquanto a presença de distúrbio tireoidiano foi superior no sexo feminino (p=0,004).
O perfil nutricional dos idosos é caracterizado pela alta prevalência de sobrepeso e eutrofia e baixa prevalência de obesidade e baixo peso. Ressaltando que as mulheres tendem a apresentar maior risco de sobrepeso e obesidade do que os homens (CAMPOS et al, 2006). No presente estudo, o perfil nutricional dos idosos é caracterizado pela alta prevalência de obesidade para mulheres (74,6%), e de excesso de peso para os homens (37,5%).
Neste estudo, por meio dos resultados obtidos evidencia-se que a atenção deve ser voltada para uma intervenção na faixa etária avançada com problemas relacionados à obesidade com hipertensão arterial.
Conclusão e Considerações Finais
Por meio deste estudo foi possível observar a prevalência da obesidade, seguido do peso adequado, excesso de peso e baixo peso. Em relação às DCNTs a hipertensão arterial foi à doença mais relatada pelos idosos, sendo que a maior prevalência foi relatada pelo sexo feminino.
Os resultados ressaltam a necessidade de aprofundar as informações nutricionais e potencializar a atenção dos profissionais da saúde para estabelecer práticas de monitoramento.
Referências
CABRERA, M. A. S; ACOB FILHO, W. Obesidade em idosos: prevalência, distribuição e associação com hábitos e co-morbidades. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabolismo [online], v.45, n.5, p. 494-501, 2001.
CAMPOS, M. A. G. et al. Estado nutricional e fatores associados em idosos. Rev. Associação Médica Brasileira [online], 2006, v.52, n.4, p. 214-221, 2006.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2010.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.  Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF - 2002-2003).  Análise da Disponibilidade Domiciliar de Alimentos e do Estado Nutricional no Brasil. Rio de Janeiro (RJ): IBGE, 2004.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa sobre Padrões de Vida (PPV – 1996-1997). Índice de Massa Corporal da população com 20 anos ou mais de idade, por sexo. Brasil: IBGE, 1997.
Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição. Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN-1989). Condições Nutricionais da População Brasileira: Adultos e Idosos. Brasília: Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição; 1991.
MUNARETTI, D. B. et al. Hipertensão arterial referida e indicadores antropométricos de gordura em idosos. Revista Associação Médica Brasileira, Florianópolis, v. 57, n. 1, p. 25-30, 2011.
NASCIMENTO, C. M. et al. Estado nutricional e fatores associados em idosos do Município de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Cadernos Saúde Pública [online],   v.27, n.12, p. 2409-2418, 2011.
SILVEIRA, E. A.; KAC, G.; BARBOSA, L. S.. Prevalência e fatores associados à obesidade em idosos residentes em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil: classificação da obesidade segundo dois pontos de corte do índice de massa corporal. Cadernos Saúde Pública [online], v.25, n.7, p. 1569-1577, 2009.

 


CONHECIMENTO DE IDOSOS SOBRE A TRANSMISSÃO DO VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA – HIV

Haviley Oliveira Martins
Enfermeiro. Mestrando em Promoção da Saúde no Centro Universitário Adventista de São Paulo / UNASP. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Maristela Santini Martins
Enfermeira. Doutoranda e Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP. Coordenadora do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Adventista de São Paulo / UNASP. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Fábio Marcon Alfieri
Fisioterapeuta. Doutor em Ciências Médicas, Faculdade de Medicina da USP.
Docente do Curso de Fisioterapia e Coordenador do Mestrado em Promoção da Saúde do Centro Universitário Adventista de São Paulo / UNASP. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Adeli de Melo
Enfermeira. Discente do Curso de Saúde Coletiva com ênfase em PSF do Centro Adventista de São Paulo – UNASP. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Resumo
Nas últimas duas décadas no Brasil, o número de idosos infectados pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) tem aumentado significativamente. Dessa forma, faz-se necessário investigar a percepção dos idosos sobre o tema. Este estudo teve como objetivo identificar o conhecimento dos idosos sobre a transmissão do HIV. Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva, com abordagem metodológica quantitativa e coleta de dados através da aplicação de questionário estruturado. A amostra foi composta por 100 idosos de ambos os sexos, frequentadores dos Núcleos de Convivência de Idoso de uma cidade da região metropolitana de São Paulo. Os dados foram coletados entre os meses de julho e agosto de 2012. Em relação ao conhecimento, observou-se que e a maioria dos idosos questionados conhecia as formas de transmissão do HIV. Percebe-se, no entanto, que ainda existem dúvidas. Isso está demonstrado através do alto número de respostas sobre a transmissão através da picada de mosquito e estar internado no mesmo setor hospitalar de alguém contaminado. Conclusão: A maioria dos idosos questionados conhece as formas de transmissão do HIV.

Palavras-chave: Idoso; HIV; Conhecimento.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia.

Introdução
O envelhecimento populacional é um importante fenômeno no contexto mundial. Nas últimas décadas no Brasil, o ritmo de crescimento dessa população tem sido sistemático e consistente (1).
O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) em idosos é diagnosticado após uma longa investigação ou por exclusão de outras doenças, pois os sinais e sintomas manifestados pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) são facilmente confundidos com os de outras patologias. Além disso, profissionais da área de saúde não costumam indagar os idosos sobre a vida sexual (2,6).
De acordo com o Boletim Epidemiológico do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e AIDS do Ministério da Saúde do Brasil, de 1980 a 2013, foram notificados 20.605 casos de AIDS em pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Considerando os últimos 10 anos, o perfil etário dos casos de AIDS no Brasil mudou e observa-se uma tendência de aumento nas taxas de detecção entre os indivíduos de 15 a 24 anos e entre os adultos com 50 anos ou mais. Este aumento da taxa de incidência desta infecção, na faixa populacional dos 50 anos ou mais, também tem sido verificada em outros países como Estados Unidos da América, Reino Unido e Itália. (3)
Devido ao aumento da longevidade da população brasileira e o aumento das taxas de infecção do HIV / AIDS entre indivíduos com 50 anos ou mais, tornam-se evidentes demandas de promoção e prevenção em saúde para um envelhecimento saudável. (4)
Objetivo
Identificar o conhecimento de idosos sobre as formas de transmissão do HIV.
Materiais e Métodos
Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva, com coleta de dados transversal, utilizando a técnica de aplicação de questionário, com abordagem metodológica quantitativa. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do UNASP, sob número 02496812.8.0000.5377 em 28/06/2012.
O estudo foi realizado em quatro Núcleos de Convivência de Idosos (NCI), do município de Itapecerica da Serra, cidade da região metropolitana da grande São Paulo, durante os meses de julho e agosto de 2012.
A coleta de dados foi realizada através da aplicação um questionário estruturado, elaborado e aplicado na pesquisa de Pereira & Borges (5). O instrumento consiste em um questionário estruturado dividido em duas partes: a primeira de caracterização da amostra e a segunda parte com 12 questões fechadas sobre o conhecimento dos idosos referente às formas de transmissão do HIV. As opções de respostas foram sim e não. Os pesquisadores compareceram nos NCI em todos os dias da semana em horários que havia atividades, a fim de convidar todos os idosos frequentadores. A cada visita, eram explicados os objetivos do estudo, a garantia do anonimato, a voluntariedade de participação, a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, a resposta ao questionário que poderia ser tanto em formato de entrevista ou auto aplicado. No período de coleta, 206 idosos compareceram às atividades nos NCI e destes 100 aceitaram participar, compondo a amostra final. Os questionários foram analisados pelos pesquisadores e as variáveis apresentadas descritivamente.
Discussão de Resultados
Do total de participantes (N=100), 86% eram do sexo feminino e 14% do sexo masculino. A média de idade encontrada foi de 65,42 (Desvio Padrão de 5,3). Quanto ao estado civil, a maioria (49%) eram casado/amasiado, dentre os demais, 24% eram viúvos, 21% solteiros / separados e 6% não informaram. A metade possuía aposentadoria, 20% eram pensionistas e 30% sobreviviam de outras rendas. Em relação à moradia, 76% residiam em casa própria, 11% alugada, 9% cedida e 4% não informaram. Quando questionados com quem moram, 42% responderam com cônjuge, 29% com filhos, 17% sozinhos, 3% com netos e 9% moravam com outros. Houve predomínio de idosos que concluíram o Ensino fundamental (76%), seguidos de 13% o Ensino Médio, sendo que apenas 2% não eram alfabetizados e 9% não informaram.
Para identificar o conhecimento dos idosos referentes à transmissão do HIV foi aplicado um questionário contendo 12 perguntas fechadas, com as seguintes opções de respostas: sim, não ou não informado.
As perguntas e as respostas dos idosos quando questionados sobre seu conhecimento sobre a transmissão do HIV foram: 1) Você pode pegar HIV/AIDS por meio de seringas e agulhas contaminadas? 95% responderam sim, 3% não e 2% não informaram; 2) Você pode pegar HIV/AIDS por meio de sexo desprotegido? 98% responderam sim, 1% não e 1% não informou; 3) Você pode pegar HIV/AIDS por meio de contato com sangue? 99% responderam sim e 1% não; 4) Você pode pegar HIV/AIDS transmitido de mãe para filho? 83% responderam sim, 16% não e 1% não informou; 5) Você pode pegar HIV/AIDS por meio de comida contaminada? 66% responderam não, 32% sim e 2% não informaram; 6) Você pode pegar HIV/AIDS por meio de contato com talheres, copos e pratos? 68% responderam não e 32% sim; 7) Você pode pegar HIV/AIDS por meio de beijo no rosto, abraço e aperto de mão? 74% responderam não, 25 sim e 1% não informou; 8) Você pode pegar HIV/AIDS durante a colocação de piercing e tatuagem? 81% responderam sim, 17% não e 2% não informaram; 9) Você pode pegar HIV/AIDS compartilhando sabonetes, toalhas e assentos sanitários? 59% responderam não, 37% sim e 4% não informaram; 10) Você pode pegar HIV/AIDS sentando perto de alguém contaminado? 79% responderam sim, 18% não e 3% não informaram; 11) Você pode pegar HIV/AIDS por meio de picada de mosquito? 66% responderam sim, 32% não e 2% não informaram; 12) Você pode pegar HIV/AIDS internando no mesmo setor hospitalar de alguém contaminado? 50% responderam sim, 47% não e 3% não informaram.
Chama a atenção que, quanto às formas que realmente transmitem o vírus, 95% sabiam que o vírus pode ser transmitido através de agulhas e seringas contaminadas, quase a totalidade dos indivíduos (98%) sabia que o vírus é transmitido por meio de sexo desprotegido, 83% pela transmissão vertical, 32% acreditam que o vírus é transmitido por meio de comida contaminada, talheres copos e pratos, 25% por abraço, beijo no rosto e aperto de mão e colocação de piercing e tatuagem 81%.
Quanto às questões que deveriam ter sido respondidas negativamente, observa-se que, 66% dos participantes acreditam que o HIV pode ser transmitido pela picada de mosquito e 50% responderam que internado no mesmo setor hospitalar com alguém contaminado pode ocorrer à transmissão do HIV; ainda, 37% dos idosos acreditam que o HIV pode ser transmitido compartilhando sabonete, toalhas e assentos sanitários. Houve uma predominância de 50% de idosos que acham que o HIV pode ser contraído através da internação no mesmo setor hospitalar que alguém internado.
Alguns idosos abordados negaram-se a responder o questionário alegando que não faziam parte do “grupo de risco”, ou por acharem que não possuíam conhecimento suficiente para responder as questões corretamente.     Nota-se que ainda existem preconceitos e crendices quanto à forma de transmissão do vírus por parte de alguns idosos, que disseram acreditar que no convívio social é possível contrair HIV e que o simples fato de sentar-se em uma cadeira que outra pessoa se sentou, a “quentura” deixada seja suficiente para contaminar alguém. Crenças e mitos podem influenciar nas formas de transmissão do HIV(7). Por isso é importante a conscientização e o desenvolvimento de políticas de prevenção e informação(8).
Conclusão e Considerações Finais
A maioria dos idosos questionados demonstra conhecimento sobre a forma de transmissão do HIV. Porém, este conhecimento demonstra-se insuficiente e pode estar associado à baixa escolaridade, aos preconceitos e mitos sobre a transmissão do vírus. É necessário incluir o idoso em ações educativas e informativas, sendo necessário investimento na educação em saúde, para a população acima dos 60 anos sobre a transmissão do HIV.
Referências
1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. População residente por sexo, situação do domicilio e cor ou raça. Available from: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/caracteristicas_da_populacao/caracteristicas_da_populacao_tab_brasil_zip.shtm . Acesso em: 15 out. 2014.
2. GODOY, V. S.; FERREIRA, M. D.; SILVA, E. C.; GIR, E.; CANINI, S. R.; O perfil epidemiológico da AIDS em idosos utilizando sistemas de informações em saúde do DATASUS: realidades e desafios. J. Bras. Doenças Sex. Transm. v. 20, n. 1, 2008.
3. Brasil. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico AIDS DST. Available from:  http://www.aids.gov.br/sites/default/files/anexos/publicacao/2011/50652/boletim_aids_2011_final_m_pdf_26659.pdf. Acesso em: 15 out. 2014.
4. LAROQUE, M. F.; et al. Sexualidade do idoso: comportamento para a prevenção de DST/AIDS. Rev. Gaúcha Enferm. v. 32, n. 4, 2011.
5. PEREIRA, G. S.; BORGES, C. I.; Conhecimento sobre HIV/AIDS de participantes de um grupo de idosos, em Anápolis-Goiás. Esc. Anna Nery. v. 14 n. 4, 2010.
6. MOTTA, L. B.; AGUIAR, A. C. Novas competências profissionais em saúde e o envelhecimento populacional brasileiro: integralidade, interdisciplinaridade e intersetorialidade. Ciênc. saúde colet. v. 12, n. 2, 2007.
7. REZENDE, M. H. V.; REZENDE, M. C. M.; LIMA, T. J. P. Aids na terceira idade: determinantes biopsicossociais. Estudos, v. 36, n. 1/2, 2009.
8. LAZZAROTTO, A. R.; KRAMER, A. S.; HÄDRICH, M.; TONIN, M.; CAPUTO, P.; SPRINZ, E. O conhecimento de HIV/AIDS na terceira idade: estudo epidemiológico no Vale do Sinos, Rio Grande do Sul, Brasil. Ciênc. Saúde Colet. v. 13, n. 6, 2008.

 


PERFIL DE ESCOLARIDADE DE IDOSOS DA ZONA RURAL DE UM MUNÍCIPIO DO NORTE DO PARANÁ

Fabiana Cristina Vidigal
Enfermeira da Estratégia de Saúde da Família e Mestranda no Programa de Pós Graduação da Universidade Estadual de Maringá (UEM). E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Roberta Fernanda Rogonni Ferrari
Enfermeira. Professora do curso de graduação em enfermagem na Universidade Parananense (UNIPAR). Mestranda no Programa de Pós Graduação da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Daysi Mara Murio Ribeiro
Enfermeira da Estratégia da Família e Mestranda no Programa de Pós Graduação da Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Informações

Lígia Carreira
Professora Adjunto do curso de Graduação e Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá. Coordenadora pedagógica da Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade Estadual de Maringá (UNATI/UEM).

Resumo
O objetivo deste estudo foi caracterizar a escolaridade segundo a faixa etária de idosos da zona rural de um município do norte do estado do Paraná, Brasil. Estudo epidemiológico de natureza quantitativa, delineamento descritivo e transversal. A amostra do estudo foi composta por 205 idosos, com idade igual ou superior a 60 anos, de ambos os sexos, residentes na zona rural e cadastrados no Sistema de Informação da Atenção Básica do município. Os dados foram coletados através de entrevistas individuais no próprio domicílio do idoso. A amostra foi heterogênea, quanto ao sexo 108 (52,6%) eram do sexo masculino e 97(47,3%) do sexo feminino, 167 (81,46%) tinham até quatro anos de estudo e 70,7% dos entrevistados eram casados ou viviam em regime de união estável. Constatou-se neste estudo, correlacionando escolaridade com a faixa etária, que os idosos mais longevos, aqueles com idade igual ou superior a 80 anos, tinham até quatro anos de estudo e nenhum deles tinha mais de oito anos de escolaridade. O conhecimento dos elementos associados deste estudo podem contribuir na elaboração de estratégias de prevenção e serviços de saúde adequados.

Palavras-chave: Idoso; Escolaridade; Zona rural.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia
Introdução
O envelhecimento populacional é um fenômeno social multifacetado que demanda enfrentamento interdisciplinar. O aumento do número de idosos vem ocorrendo de forma muito rápida e progressiva, principalmente nos países em desenvolvimento, como o Brasil (CAMARANO, 2013).
De acordo com o CENSO (2010), o Brasil é hoje um país envelhecido, uma vez que o número de pessoas com = 60 anos no país é superior aos 21 milhões, o que representa cerca de 11% da população total (IBGE, 2010).
Sabe-se que o fato de envelhecer acarreta alterações na velocidade de processamento das informações, propiciando um tempo maior para processar (ler, compreender e memorizar) dados, assim, o envelhecimento saudável está diretamente relacionado a muitos fatores psicossociais, dentre eles a cognição (DAWALIBI; GOULART; PREARO, 2014).
De acordo com Sobral; Pestana; Paul (2014) pessoas com um nível de escolaridade mais elevado mostram menor declínio cognitivo com o avançar da idade, ao passo que pessoas com ensino superior têm melhor desempenho em testes cognitivos. Quanto mais socialmente ativos são os adultos mais velhos, experimentam menos o declínio cognitivo (SILVA; BARBOSA; CASTRO; NORONHA, 2013).
O número de produções científicas com enfoque no idoso não apresenta crescimento compatível com a velocidade em que se encontra o envelhecimento populacional e, até o presente, a produção é escassa no campo da enfermagem (BETIOLLI; LENARDT; WILLIG; MICHEL, 2014). Com o crescimento da população idosa no Brasil, seria importante que os profissionais de enfermagem se voltassem, de maneira especial, a este grupo para que avaliações periódicas das funções cognitivas a nível de escolaridade fossem realizadas, atuando-se assim de forma preventiva.
Objetivo
O objetivo deste estudo foi caracterizar a escolaridade segundo a faixa etária de idosos da zona rural de um município do norte do estado do Paraná, Brasil.
Materiais e Métodos
Estudo epidemiológico de natureza quantitativa, delineamento descritivo e transversal com 205 idosos, idade igual ou superior a 60 anos, de ambos os sexos, residentes na zona rural de um município do norte do estado do Paraná, Brasil. Esse município possui uma população estimada de 7.236 habitantes, 13,5% idosos, dos quais 26,8% residem na zona rural (IBGE, 2010). A coleta de dados foi realizada no período de dezembro de 2013 a fevereiro de 2014.
O processo de amostragem foi aleatório simples, obtido através do sorteio realizado pelo programa estatístico Statistical Analysis System (SAS). Para a elaboração do banco de dados, construiu-se uma planilha eletrônica no programa Excel® da qual os dados foram importados para o Statistical Analysis System (SAS) 9.3. Foi adotado nível de significância de 5% e erro tolerável de 3%.
O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Maringá, de acordo com a Resolução 466/2012, (Parecer no 548.574\2014). Os participantes assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Discussão de Resultados
Os sujeitos da pesquisa foram 205 idosos, sendo que 52,6% são do sexo masculino (n=108) e 47,3% do sexo feminino (n=97); a média de idade encontrada foi de 70,8±9,2, com mediana de 69 anos, onde a maioria dos idosos se encontrava na faixa de 60 e 79 anos. Quanto ao perfil sociodemográfico dos idosos participantes do estudo verificou-se ainda que 70,7% dos entrevistados eram casados ou viviam em regime de união estável e 68% declararam renda menor ou igual a dois salários-mínimos mensais. A média de aposentadoria foi 9,5 anos. Em relação à escolaridade, 81,4% possuíam até quatro anos de estudo e 14,1% eram sem escolaridade.
A maior proporção de homens, segundo a escolaridade e faixa etária neste estudo, mostra que apesar de existir uma feminização do envelhecimento, os homens têm se apresentado com frequência como gênero predominante entre os entrevistados nas pesquisas relacionadas ao envelhecimento populacional, isso corrobora com os achados de Silva; Barbosa; Castro; Noronha (2013) e Parreira (2013) em que os homens eram maioria.
De uma forma geral, a escolaridade é uma variável determinante na avaliação da capacidade cognitiva dos idosos, e este estudo mostrou que 81,46% dos idosos entrevistados possuíam apenas até quatro anos de estudo, 14,1% eram sem escolaridade e apenas 4,39% possuíam de quatro a oito anos de estudo, estes achados corroboram com os achados de Silva; Barbosa; Castro; Noronha (2013) e Farias; Santos (2012) onde a maioria dos entrevistados também possuíam baixa escolaridade, destacando que quanto mais longevo o idoso menor o número de anos de estudo.
Em estudo de Luz et al. (2014) dentre os idosos estudados, a maioria (54%) tem menos de cinco anos de estudo. No Brasil, a escolaridade dos idosos brasileiros é ainda considerada baixa, ou seja, 30,7% tinham menos de um ano de instrução no censo 2010 do IBGE (2010). E segundo estudo de Luz et al. (2013) na população idosa atual observa-se, ainda, alto índice de analfabetismo, associado, entre outros fatores, à dificuldade de acesso à escola, principalmente fora dos grandes centros urbanos, visto que entre os idosos da região rural houve maior proporção de analfabetismo ou com menos de quatro anos de estudo.
De acordo com a escolaridade e faixa etária, pudemos observar ainda que a maioria dos idosos entrevistados eram casados e possuíam renda salarial mensal inferior a dois salários mínimos, o que corresponde aos achados de Parreira et al. (2013) e Farias; Santos (2012).
Com o crescimento da população idosa no Brasil e no mundo, seria de extrema relevância que os profissionais de saúde se atentassem, de maneira especial, a este grupo distinto, pois conhecendo melhor o perfil desta população idosa, é importante ressaltar a necessidade de políticas públicas para atender às novas demandas, sendo um grande desafio para a gestão pública.
Considerações Finais
Os resultados do estudo permitem inferir que a maioria da população de idosos estudada possui capacidade cognitiva preservada, baixa escolaridade, especialmente entre aqueles mais longevos.
É essencial, portanto, que todos os profissionais que atendem esses idosos tenham conhecimento das limitações e dependências dos mesmos, no sentido de planejarem uma assistência de forma individual e agregar recursos que possibilitem manter esse idoso o mais ativo possível. Desta forma, será possível desenvolver atividades específicas aos diferentes processos de envelhecimento. Dentre esses desafios encontram-se, ainda: capacitar técnicos e profissionais em saúde no planejamento do cuidado integral ao idoso, dentro de uma rede de atenção ao envelhecimento com forte regulação pela atenção primária à saúde; desenvolver políticas inclusivas, valorizando mais a pessoa do idoso.
Referências
BETIOLLI, S. E; LENARDT, M. H; WILLIG, M. H; MICHEL, T. Práticas culturais de cuidado com a saúde sob a ótica dos idosos longevos. Cienc Cuid Saúde., Maringá, v.13, n.2, p. 318-326, 2014. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/article/view/21739/pdf_169
CAMARANO, A. A. O novo paradigma biomédico. Ciênc. saúde coletiva., Rio de Janeiro, vol. 18 n.12, p. 3446, 2013.
DAWALIBI, N. W; GOULART, R. M. M; PREARO, L. C. Fatores relacionados à qualidade de vida de idosos em programas para a terceira idade. Ciênc. saúde coletiva., Rio de Janeiro, vol.19 n.8, p. 3505-3512, 2014. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232014198.21242013
FARIAS, R. G; SANTOS, S. M. A. Influência dos determinantes do envelhecimento ativo entre idosos mais idosos. Texto contexto - enferm., Florianópolis, vol.21, no.1, p. 167-176, 2012. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072012000100019
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo 2010. [acessado 2013 out 28]. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/.
JAMES, B. D; BOYLE, P. A; BUCHMAN, A. S; BENNETT, D. A. Relation of late-life social activity with incident disability among community-dwelling older adults. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2011;66:467-73. Epub 2011 Feb 7. [ Links ]
LUZ, E. P. et al. Perfil sociodemográfico e de hábitos de vida da população idosa de um município da região norte do Rio Grande do Sul, Brasil. Rev. bras. geriatr. gerontol., Rio de Janeiro, vol.17, n.2, p. 303-314, 2014. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1809-98232014000200008
PARREIRA, J. G. et al. Análise comparativa das características do trauma entre idosos com idade inferior e superior de um 80 Anos. Rev.Col. Bras. Cir., Rio de Janeiro, vol.40, n.4, p. 269-274, 2013. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0100-69912013000400003
SILVA, J. M. N; BARBOSA, M. F. S; CASTRO, P. O. C.N; NORONHA, M. M. Correlação entre o risco de queda e autonomia funcional em idosos institucionalizados. Rev. bras. geriatr. Gerontol., Rio de Janeiro, vol.16, n.2, p. 337-346, 2013. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1809-98232013000200013
SOBRAL, M; PESTANA, M. H; PAUL, C. Measures of cognitive reserve in Alzheimer's disease. Trends Psychiatry Psychother., Porto Alegre, vol.36, n.3, p. 160-168, 2014. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/2237-6089-2014-0012



USO DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO HOSPITALAR PARA AVALIAÇÃO DAS INTERNAÇÕES POR DOENÇAS CRÔNICAS, EM MUNICÍPIO DE MÉDIO PORTE DO PARANÁ

Vanessa Daniele Zambon Valério Pelizzari
Mestranda de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá - UEM
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Carlos Alexandre Molena-Fernandes
Dr. em Ciências Farmacêuticas-UEM, Professor Adjunto da UNESPAR, campus de Paranavaí, Professor permanente no programa de pós-graduação em enfermagem da UEM
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        Thais Aidar de Freitas Mathias
Dra. em Saúde Pública, professora do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UEM
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Resumo
A população idosa apresenta níveis de morbidade maiores que o da população em geral. As causas mais frequentes de internação, são insuficiência cardíaca e coronariana e as doenças pulmonares. Há a possibilidade de acesso de dados, por meio do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde, sobre todas as internações realizadas pelo SUS. Verificar o padrão de internamento por doenças crônicas em idosos acima de 60 anos de 2009 a 2013 no município de Campo Mourão, Pr. Estudo ecológico, contendo informações obtidas do SIH/DATASUS, sobre morbidade hospitalar de janeiro de 2009 a dezembro de 2013 em idosos. Foram comparadas internações por Insuficiência Cardíaca, Infartos, Hipertensão, Diabetes, AVC e AVC não hemorrágico dos idosos residentes em Campo Mourão, Pr. A frequência de morbidade hospitalar encontrada foi de 915 registros no qüinqüênio no município. Maior número de casos foram insuficiências cardíacas. Em 2011 houve redução de 10,2%, em comparação a 2010. Em seguida AVC não hemorrágico (28,9%) Infartos (14,4%), diabetes (8,5%), AVC hemorrágico (3,2%) e Hipertensão 1,6%. Comparado ao estado há maior internamentos por infartos e AVC não hemorrágico no município. Porém os demais são menores. Quando comparados os internamentos por sexo, os homens apresentaram maior índice por AVC, AVC não hemorrágico e Infarto. Mediante os resultados, assim como no Brasil, a morbidade hospitalar em idosos mantém o predomínio das doenças circulatórias. Sugere-se que as doenças com presença crescente ou inalterada nos registros do DATASUS sejam alvo de maiores pesquisas e políticas de intervenção.

Palavras-chave: Idoso; Morbidade; Doença Crônica.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia

Introdução
Com a mudança no perfil de saúde da população, tornam-se predominantes doenças crônicas e suas complicações, que resultam em maior utilização de serviços de saúde, em relação aos processos agudos que são resolvidos rapidamente, seja pela cura ou por óbito (SILVA et al., 2013).
Sabe-se que o idoso apresenta peculiaridades distintas das demais faixas etárias, e que a avaliação deve incluir as avaliações funcionais, cognitivas, psíquicas, nutricionais e sociais que interferem diretamente na sua saúde. Os idosos apresentam taxas de internação hospitalar bem mais elevadas do que as observadas em outros grupos etários, assim como permanência hospitalar mais prolongada (AMARAL et al., 2004).
Segundo Camarano, 2004, as duas causas mais frequentes de internação, para ambos os sexos, são a insuficiência cardíaca e coronariana e as doenças pulmonares, que se revezam como a primeira e a segunda causa.
Na última década, houve um avanço importante na possibilidade de acesso aos dados pela Internet, por meio do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), uma base de dados sobre todas as internações realizadas no Brasil e remuneradas pelo SUS, sendo disponível no endereço eletrônico do DATASUS. São arquivos com informações que constam na autorização de internação hospitalar (AIH), que incluem diagnóstico do paciente, dados demográficos, local, data, período de permanência e custos da internação (CANDIAGO; ABREU, 2007).
Objetivo
Verificar o padrão de internamento por doenças crônicas em idosos acima de 60 anos no quinquênio 2009 a 2013 no município de Campo Mourão, Pr em hospitais gerais pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Materiais e Métodos
A presente pesquisa desenvolveu um estudo de avaliação das informações obtidas na base de dados do DATASUS, do Ministério da Saúde, sobre a morbidade hospitalar para o período de janeiro de 2009 a dezembro de 2013 em idosos com 60 anos ou mais. O instrumento da coleta de dados foram as internações hospitalares originados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/MS) do DATASUS.
Para a avaliação das internações hospitalares estudadas, foram comparadas as internações por Insuficiência Cardíaca, Infartos, Hipertensão, Diabetes, AVC e AVC não hemorrágico dos idosos residentes em Campo Mourão, Paraná, com uma população estimada em 91.648 habitantes no ano 2013 (IBGE, 2013) com as internações do estado do Paraná no mesmo período.
Discussão de Resultados
A interpretação de dados de origem secundária, como os oriundos dos Sistemas de Informações em Saúde nacionais, sempre requer análise crítica e cautela. Ainda que não tenha a excelência total nos dados oficiais, o Brasil tem avançado sensivelmente na qualificação destes. Além disso, a utilização e análise desses dados é passo importante e fundamental para a sua melhoria, permitindo que gestores tenham em mãos ferramentas mais adequados para subsidiar decisões e o meio científico para avaliar políticas de prevenção e controle dos agravos em saúde (BOING; BOING, 2007).
O total de morbidade hospitalar encontrada nos indivíduos com 60 anos ou mais foi de 915 registros no ano de 2009 a 2013 no município de Campo Mourão. Os primeiros diagnósticos que se destacaram com maior número de casos foram às insuficiências cardíacas e se manteve na frente das demais morbidades ao longo do quinquênio; porém, a partir de 2011 houve uma redução de 10,2% dessas taxas, em comparação a 2010, o que sugere um efeito dos programas iniciais de combate à hipertensão. Esta redução é significativa e estimula o investimento, de forma mais intensiva, em programas preventivos e informativos nessa área.
A segunda doença encontrada em maior número foram AVC não hemorrágico (28,9%) que também diminuíram 3,8% no quinquênio. Essa redução pode estar associada à atuação do programa Estratégia Saúde da Família.
Em estudo realizado por Boing, 2007, em relaçao ao AVC, as menores taxas de internamento foram encontradas no Sudeste e no Norte do país. Menores taxas de internação por AVC e ICC são indicativos indiretos de que o diagnóstico precoce, o tratamento e/ou a educação em saúde, englobando o controle e a prevenção da hipertensão, têm impactado positivamente.
Em sequência vieram respectivamente Infartos (14,4%), diabetes (8,5%), AVC hemorrágico (3,2%) e por fim Hipertensão 1,6%. Os impactos que esses problemas de saúde acarretam são muito intensos, podendo levar à morte ou muitas vezes prejudicando a sua qualidade de vida, sendo prioritárias ações para evitar tais desfechos.
Em relação ao diabetes nos idosos há oscilação nos anos, não diferente de dados a nível nacional (GÓIS; VERAS, 2010) sendo um dos motivos de preocupação atual, devido ao aumento da obesidade na população em geral e da diabetes, que está ocorrendo em proporções cada vez maiores e em faixas etárias cada vez mais baixas.
Na segunda fase da pesquisa, foram comparadas a frequência de morbidade hospitalar apresentados no quinquênio do município com os valores apresentados para as mesmas morbidades do estado do Paraná.
Observou-se que há um índice maior de internamentos por infartos e AVC não hemorrágico no município de Campo Mourão quando comparado ao estado. Assim a Estratégia de Saúde da Família deve verificar as falhas que estão ocorrendo para reduzir estes internamentos. Porém os demais internamentos são menores, principalmente os por AVC hemorrágicos. Os homens apresentaram maior índice de internamento por AVC,     AVC não hemorrágico e Infarto comparado às mulheres. Em relação ao Diabetes foram iguais em ambos os sexos.
A saúde do idoso não deve ser medida somente pela presença ou ausência de patologias, e sim pela autonomia apresentada pelo idoso frente as suas limitações. Os fatores que determinam o envelhecimento saudável e as incapacidades resultantes de uma ou mais doenças crônicas devem ser alvo de estudos, pois conhecer a população idosa é imperativo no planejamento das ações de saúde oferecidas.
Conclusão e Considerações Finais
Os resultados encontrados, no presente estudo, confirmam elevada prevalência das internações hospitalares na população idosa e a constatação das principais causas de hospitalização em estudos com diferentes metodologias e em diferentes períodos. Esses dados reforçam a necessidade de estratégias de promoção de saúde e controle adequado das doenças cardiorrespiratórias específicas para a população geriátrica.
A análise da distribuição dos internamentos em idosos fornece dados para uma adequação das ações em saúde oferecidas ao idoso. O cuidado ao idoso na atenção primária deve basear-se na estratégia de Equipes de Saúde da Família com profissionais especialistas na Área. Essas equipes estão capacitadas para compreender o processo de envelhecimento identificando os fatores que determinam a qualidade de vida do idoso e atuar de maneira a mantê-lo o mais independente possível no desempenho de suas atividades.
Mediante os resultados desta pesquisa, pode-se concluir que, assim como no Brasil, a morbidade hospitalar em idosos mantém o predomínio das doenças do aparelho circulatório. Em se tratando de saúde pública, sugere-se que as doenças com presença crescente ou inalterada nos registros do DATASUS sejam alvo de maiores pesquisas e ações preventivas.
Referências
AMARAL, A. C. S.; COELI, C. M.; DA COSTA, M. C. E.; CARDOSO, A. L. A.; FERNANDES, C. R. Morbidity and mortality profile of hospitalized elderly patients. Cadernos de Saúde Pública, v. 20, n. 6, p. 1617-1626, 2004.
BOING, A. C., BOING, A. F. Hipertensão arterial sistêmica: o que nos dizemos sistemas brasileiros de cadastramentos e informações em saúde. Revista Brasileira Hipertensão v 14, n. 2, p. 84-88, 2007.
BRASIL. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2008). Rio de Janeiro: IBGE; 2008.
CAMARANO, A. A., organizador. Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60?Rio de Janeiro: Ipea; 2004.
CANDIAGO, R. H.; ABREU, P. B. Uso do Datasus para avaliação dos padrões das internações psiquiátricas, Rio Grande do Sul.Revista de Saúde Pública;41(5):821-29, 2007.
GÓIS, A. L. B.; VERAS, R. P. Informações sobre a morbidade hospitalar em idosos nas internações do Sistema Único de Saúde do Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 15(6): 2859-2869, 2010.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Brasil - Governo Federal) Cidades@. Disponível em:<http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=410430&search=parana|campo-mourao> Acesso em: 02/03/2014.
SILVA, E. F.; PANIZ, V. M. V.; LASTE, G.; TORRES, I. L. S. Prevalência de morbidades e sintomas em idosos: um estudo comparativo entre zonas rural e urbana. Revista Ciência e Saúde Coletiva, v. 18, n.4, p. 1029-1040, 2013.

 


ENVELHECER JUNTOS: CARACTERIZAÇÃO DE CASAIS IDOSOS

Amanda Zaupa Pino Moretti
Acadêmica de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá - UEM
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Iara Sescon Nogueira
Enfermeira, Programa Centro de Referência do Envelhecimento - PROCERE/UEM
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Célia Maria Gomes Labegalini
Enfermeira, mestranda no Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UEM
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Vanessa Denardi Antoniassi Baldissera
Enfermeira, Professora Doutora do Departamento de Enfermagem da UEM
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Miriam Goes Lubke
Enfermeira da UBS Pinheiros – Secretaria de Saúde de Maringá -PR
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Julieta Maria Almendra de Souza
Enfermeira, Diretora da UBS Pinheiros – Secretaria de Saúde de Maringá -PR
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Resumo
A presente pesquisa objetivou caracterizar casais idosos residentes na área descoberta pela Estratégia Saúde da Família de uma Unidade Básica de Saúde do município de Maringá-PR. Trata-se de pesquisa documental, quantitativa e descritiva. Foram analisados os documentos arquivados no projeto de extensão “Assistência domiciliar de enfermagem as famílias de idosos dependentes de cuidado”, os quais continham informações originadas da aplicação dos instrumentos: Exame Mini-Mental, Escala de Depressão Geriátrica, Índice de Katz, Escala de Lawton e Brody e Vulnerable Elders Survey -13 (VES-13), que avaliam estado cognitivo, estado afetivo, estado funcional e vulnerabilidade. Os dados foram tabulados e analisados utilizando estatística simples. A aplicação dos testes, índices e escalas demostraram que os idosos avaliados apresentam avaliação do estado cognitivo, estado afetivo, estado funcional preservados e, consequentemente, baixo índice de vulnerabilidade. Espera-se que com essa pesquisa seja possível caracterizar casais de idosos residentes na área descoberta e em conjunto com o serviço de saúde traçar estratégias para a promoção da saúde e prevenção à saúde do idoso.

Palavras-chave: Envelhecimento; Independência; Enfermagem Geriátrica.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia

Introdução
O envelhecimento populacional é um fenômeno que vem ocorrendo em todo o mundo e, de modo peculiar, nos países em desenvolvimento com destaque para o Brasil. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2014), o Brasil possui 20,6 milhões de idosos, o que representa 10,8% da população total. A expectativa é que, em 2060, o país tenha 58,4 milhões de pessoas idosas, correspondendo a 26,7% do total da população brasileira (IBGE, 2014).
O fato do envelhecimento populacional justifica-se não apenas pela melhoria da qualidade de vida - que ampliou a expectativa de vida dos brasileiros de 75 anos para 81 anos em 2060 com as mulheres vivendo, em média, 84,4 anos e os homens, 78,03 anos - mas também pela queda na taxa de fecundidade dos últimos 50 anos. As ações governamentais no desenvolvimento de medidas e políticas voltadas à melhoria da qualidade de vida da pessoa idosa também influenciou esses indicadores.
O aumento da longevidade da população brasileira traz desafios para a atenção à saúde, uma vez que os idosos apresentam limitações, sejam pelo aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis e suas consequências, ou pelas perdas cognitivas e funcionais do avançar da idade. Tal realidade demanda cuidados domiciliares e mudanças no cotidiano de muitas famílias. Contudo, muitas famílias atualmente são compostas somente por idosos, tornando o cuidado coletivo para que a saúde e o bem estar sejam mantidos (PEDREIRA; OLIVEIRA, 2012).
Diante isso, a enfermagem despertou-se para a problemática do idoso que convive, cuida e, ao mesmo tempo, é cuidado por outro idoso. Assim, conhecer o perfil de casais idosos faz-se importante para essa ciência e profissão, em especial a que atua na atenção básica, pois permite traçar planos de cuidado e nortear as visitas e ações a serem realizas a família idosa. Considerando ainda que esta temática é carente de estudos e que o envelhecimento populacional e o aumento no número de família idosas é real no Brasil, justifica-se este estudo.
Objetivo
Caracterizar os casais idosos residentes na área descoberta pela Estratégia da Família de uma Unidade Básica de Saúde do município de Maringá-PR, no que refere-se ao estado cognitivo, afetivo e funcional e vulnerabilidade.
Materiais e Métodos
Trata-se de uma pesquisa documental, quantitativa e descritiva, realizado com 13 casais de idosos residentes na área descoberta da Estratégia Saúde da Família na área de abrangência de uma  Unidade Básica de Saúde localizada no município de Maringá - Paraná.
A coleta de dados foi feita nos documentos arquivados no projeto de extensão “Assistência domiciliar de enfermagem as famílias de idosos dependentes de cuidado”, os quais continham informações originadas da aplicação dos instrumentos: Exame Mini-Mental, Escala de Depressão Geriátrica, Índice de Katz, Escala de Lawton e Brody e Vulnerable Elders Survey -13 (VES-13), que avaliam estado cognitivo, estado afetivo, estado funcional e vulnerabilidade. Essas informações foram coletadas, durante a execução do projeto, no mês de setembro de 2014, na residência dos idosos.
Para esse estudo, foram tabulados através do uso do programa Microsoft Excel® 2010 e receberam análise realizada de forma de estatística simples, onde as variáveis qualitativas foram apresentadas por meio de frequências relativas (%) e absolutas (N).
Discussão de Resultados
Foram avaliados 13 casais idosos (26 idosos), com idade entre 61 à 85 anos (69,9 média). Dos 26 idosos, 13 são do sexo masculino com idade 61 à 85 anos (71,3 média) e 13 são do sexo feminino com idade de 62 à 78 anos (68,6 média).
O exame Mini-mental permitiu fazer uma avaliação sumária das funções cognitivas. É instrumento constituído por várias questões que avaliam a orientação, a memória imediata e a recente, a capacidade de atenção e cálculo, a linguagem e a capacidade construtiva. Seu escore é avaliado seguindo o nível de escolaridade do idoso, sendo que nesta pesquisa o escore variou de 17 à 30 pontos (24 em média), de forma que os participantes possuem sua capacidade cognitiva preservada (GERMI, 2014).
O índice de Katz é uma escala que permite avaliar a autonomia do idoso para realizar as atividades básicas e imprescindíveis à vida diária, designadas por Atividades Básicas da Vida Diária: Banhar-se; Vestir-se; Utilizar o sanitário; Transferir-se; Controle dos Esfíncteres e Alimentar-se (GERMI, 2014). Os avaliados obtiveram pontuação entre 5 à 6 pontos (5,8 em média). A pontuação 5 refere-se a independência para realizar 5 atividades e dependência para realizar uma atividade e a pontuação 6 refere-se a independência total.
A Escala de Lawdon e Brody permitiu avaliar a autonomia do idoso para realizar as atividades necessárias para viver de forma independente na comunidade, designadas por atividades Instrumentais de Vida Diária: Utilização do telefone, Realização de compras, Preparação das refeições, Tarefas domésticas, Lavagem da roupa, Utilização de meios de transporte, Manejo da medicação e Responsabilidade de assuntos financeiros (GERMI, 2014). Os idosos apresentaram pontuação entre 13 à 27 (26 em média), apresentando independência ou dependência instrumental leve.
A Escala de Depressão Geriátrica foi utilizada para o rastreio da depressão, avaliando aspectos cognitivos e comportamentais tipicamente afetados na depressão do idoso (GERMI, 2014). Os participantes do estudo apresentam pontuação de 2 à 12 pontos (3,4 em média), sinalizando que a maioria os idosos avaliados não possuem depressão.
O VES 13 é um instrumento que avaliou a vulnerabilidade de idoso (MAIA, 2012). A pontuação variou de 0 à 7 pontos (1,3 em média), não classificados como vulneráveis, ou seja, os idosos presentes no estudo são capazes de gerenciar sua vida de forma independente e autônoma e não apresentam nenhuma condição crônica de saúde associada a maior vulnerabilidade.
A qualidade de vida na velhice implica na adoção de inúmeros critérios de natureza biológica, psicológica e socioestrutural, como aqueles utilizados com essa população do estudo. Alguns elementos são apontados como determinantes ou indicadores de bem-estar: longevidade, saúde biológica, saúde mental, satisfação, controle cognitivo, competência social, produtividade, atividade, eficácia cognitiva, status social, renda, continuidade de papéis familiares e continuidade de relações informais em grupos primários, principalmente rede de amigos (VECCHIA et, al., 2005).
Contudo, o processo de envelhecer da população torna-se um desejo natural de qualquer sociedade, mas isso não é o bastante. Viver mais é importante desde que se consiga unir qualidade aos anos adicionais de vida (VECCHIA et, al., 2005).  Dessa forma, entende-se que os indicadores de processo são alternativas eficazes e  devem ser utilizados rotineiramente na avaliação da qualidade da atenção à saúde do idoso.
Conclusão e Considerações Finais
A aplicação dos testes, índices e escalas demostraram que os idosos avaliados apresentam avaliação do estado cognitivo, estado afetivo e estado funcional preservados e, consequentemente, baixo índice de vulnerabilidade. A manutenção da saúde bio-psico-social e espiritual desses idosos deve-se aos inúmeros fatores não apresentados no estudo, mas justifica o fato de residirem sozinhos e não possuírem cuidadores.
O envelhecimento traz prejuízos orgânicos, porém nem sempre incapacitantes e incontroláveis. A aplicação de escalas possibilita ao profissional de saúde avaliar com maior precisão e eficácia, amparados na ciência e na clínica os idosos e propor ações que promoverão á saúde do idoso, permitindo uma melhor qualidade de vida ao lado de seu companheiro e familiares.  
Referências
VECCHIA, R.D et al. Qualidade de vida na terceira idade: um conceito subjetivo. Rev Bras Epidemiol. 2005, 8: 246- 52. GERMI. Núcleo de Estudos de Geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.  Avaliação Geriátrica. Disponível em: http://www.spmi.pt/docs_nucleos/GERMI_36.pdf. Acesso em: 13 de out. 2014.
MAIA, F.O.M et al. Adaptação transcultural do Vulnerable Elders Survey-13 (VES-13): contribuindo para a identificação de idosos vulneráveis. Rev. esc. enferm. USP v. 46, n.spe,  p.116-122, 2012.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Idosos. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/população/censo2010/tabelabrasil1.12.shtm. Acesso em 13 out. 2014.
DUARTE, Y.A.O.; ANDRADE, C.L.; LEBRÃO, M.L. O Índex de Katz na avaliação da funcionalidade dos idosos. Rev Esc Enferm USP. n.41, v.2, p.317-25, 2007.
DAVIM, B,M,R et al. Estudo com idosos de instituições asilares no município de Natal/RN: características socioeconômicas e de saúde. Rev. Latino-Am. Enfermagem. vol.12 no.3 Ribeirão Preto Mai/Junh 2004.

 


INTERNAÇÕES POR DOENÇAS RESPIRATÓRIAS SENSÍVEIS A ATENÇÃO PRIMÁRIA EM IDOSOS NA 5ª REGIONAL DE SAÚDE DO PARANÁ – 2000 A 2012

Jorge Marcelo Sauka
Fisioterapeuta. Especialista em Gestão em Saúde. UNICENTRO.
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Maria Luciana Botti
Doutoranda em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem.
UNICENTRO. Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Larissa Gramazio Soares
Mestranda em Enfermagem. Professor - Departamento de Enfermagem.
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Leticia Gramazio Soares
Doutoranda em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem.
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Resumo
Este estudo teve como objetivo analisar as taxas de internações hospitalares por doenças respiratórias sensíveis a atenção primária em idosos residentes na 5ª Regional de Saúde do Paraná entre os anos de 2000 a 2012. Foi realizada uma pesquisa descritiva, exploratória de abordagem quantitativa, através de dados secundários, referentes as autorizações de internação hospitalar disponíveis do site do DATASUS. Os dados foram analisados através de estatistica descritiva simples. Os resultados apontaram que 18% das internações totais em idosos foram por condições sensíveis à atenção primária e destas 10% foram por doenças respiratórias. Ao analisar as taxas no decorrer dos 12 anos verificou-se que não houve redução significativa das internações, mantendo padrão semelhante nos municípios pertencentes a 5ª Regional. A diminuição almejada demostraria que a AP está sendo eficaz no seu papel de promoção à saúde e prevenção de doenças. Conclui-se que é necessário aos gestores de saúde, repensar sobre as políticas públicas de saúde destinadas a população idosa da 5ª Regional de Saúde do Paraná, no sentido de reduzir as doenças ainda na atenção primária, o que evitaria internações e gastos desnecessários do sistema de saúde.

Palavras-chave: Saúde do Idoso; Atenção Primária; Gestão em Saúde.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia


Introdução
Os dados do Censo Demográfico de 2010 comprovam que o envelhecimento populacional é uma realidade no Brasil. A sinopse dos resultados demonstrou que a porcentagem da população idosa atingiu 11,3% da população geral, proporção maior que os anos anteriores. O IBGE, também divulgou que a expectativa de vida ao nascer no Brasil aumentou em 2012 e passou para 74,6 anos (IBGE, 2010).
Marques (2012) cita que a perspectiva atual de envelhecimento populacional, vivenciada por muitos países em desenvolvimento, como o Brasil, coloca novos desafios aos modelos de assistência à saúde, em especial para a Atenção Primária (AP).
Rodrigues et al., (2008), chamam a atenção para a prioridade da saúde do idoso na AP, com a implementação de ações para um atendimento adequado às necessidades de saúde deste grupo populacional. Marques (2012) adverte que altas taxas de hospitalização podem refletir dificuldade de acesso a serviços de saúde, baixa resolubilidade desse serviço e/ou baixa cobertura de rede de AP. Atividades como a prevenção de doenças, a promoção de saúde, o diagnóstico e tratamento de problemas agudos, e o acompanhamento e controle de doenças crônicas, teriam impacto direto na redução das internações por uma série de patologias (ALFRADIQUE et al., 2011).
Para avaliar então a efetividade da AP, a Secretaria de Atenção à Saúde, definiu na Portaria 221/2008, a lista brasileira de Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária (ICSAP) e a estabeleceu como instrumento para avaliação da AP (BRASIL, 2008). Esta lista procurou analisar e refletir sobre as diversidades das condições de saúde e doença no território nacional (MARQUES, 2012).     As Condições Sensíveis à Atenção Primária em Saúde (CSAPS) são agravos à saúde cuja morbidade e mortalidade podem ser reduzidas e evitadas através de uma AP oportuna e eficaz (BRASIL, 2008). Sob essa perspectiva, altas taxas de ICSAP podem representar falhas na rede de AP à saúde (ALFRADIQUE et al., 2011).
Este estudo se justificativa por fundamentar-se na utilização das taxas de ICSAP, importantes instrumentos de gestão, eficientes para avaliação da AP, bem como a análise das variações de tais taxas pode auxiliar na elaboração de estratégias de enfrentamento de doenças e políticas públicas que visem a diminuição das ICSAP.
Objetivo
Analisar as taxas de internações hospitalares por doenças respiratórias sensíveis a atenção primária em idosos residentes na 5ª Regional de Saúde do Paraná entre os anos de 2000 a 2012.
Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo descritivo exploratório de abordagem quantitativa. O local de interesse para o estudo foi a 5ª Regional de Saúde do Estado do Paraná, a qual tem o município de Guarapuava como abrangência referencial a 19 municípios.
    A população estudada foram os idosos residentes na 5ª Regional de Saúde do Paraná. A fonte de coleta dos dados principal foi o DATASUS, através do Sistema de Informação Hospitalar (SIH-SUS). Foram selecionadas as AIHs do tipo 1 que representam as internações de duração considerada normal. Em seguida elaborado um banco com as seguintes variáveis de interesse: ano, idade, sexo, dias de permanência, município de residência e CID-10 (somente doenças respiratórias sensíveis à atenção primária).
Foram calculadas as taxas pela razão entre o número total de internações pela população total residente nesta faixa etária e período, multiplicando-se esse quociente por 10.000 habitantes. Os dados coletados foram analisados através de estatística descritiva simples.  
    Os dados utilizados neste estudo são considerados de domínio público, por isso não há necessidade de aprovação de Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo seres humanos.
Discussão de Resultados
    Ocorreram na 5ª Regional de Saúde do Estado do Paraná 245.893 internações de idosos de 2000 a 2012, sendo 3.454 por DRSAP. Em relação as taxas de internação nos anos estudados observamos as seguintes, ano 2000 (45,85); 2001 (36,5); 2002 (35,1); 2003 (48,41); 2004 (50,2); 2005 (35,53); 2006 (34,25); 2007 (30,39); 2008 (24,39); 2009 (37,13); 2010 (48,01); 2011 (45,5); 2012 (33,63). Constata-se portanto, que não houve redução significativa nas taxas no decorrer do anos. Podemos inferir problemas na AP, tendo em vista ques esta deveria evitar as doenças respiratórias, ou mesmo tratá-las no seu território. Se tal papel fosse cumprido o reflexo seria a queda das taxas referentes a hospitalização na atenção secundária.  
Os reflexos desta problemática podem ser sentido na atenção secundária. Este dado confirma que no Brasil o gastos com atenção complexa são maiores que os gastos com AP, a qual neste estudo não apresentou efetividade em relação ao declínio das internações. Dados do DATASUS referentes aos gastos em reais (R$) per capita do Ministério da Saúde com atenção à saúde revelou que os gastos com AP e com serviços de alta e média complexidade no ano de 2000 eram praticamente os mesmos, 17,17 e 24,81 respectivamente. Já nos anos de 2011 e 2012, tais gastos extrapolaram para 88,81 e 104,99 com a AP e 181,78 e 195,01 nos níveis mais complexos (DATASUS, 2014).
Para os idosos qualquer dificuldade pode interromper a continuidade da assistência à sua saúde, “o idoso precisa de maior agilidade no sistema de saúde porque o processo de envelhecimento traz como consequência menor expediente para o idoso procurar os serviços de saúde e deslocar-se nos diferentes níveis de atenção” (COSTA, CIOSAK, 2010, p.440).
O encaminhamento dos idosos a níveis mais complexos de atenção à saúde é uma prerrogativa dos sistemas de saúde. Porém, podemos entender que quanto menor for esse encaminhamento, mais a AP está cumprindo seu papel.
    Nunes (2004) pondera que os custos médios dos procedimentos realizados em idosos são mais caros do que aqueles das idades mais jovens, a elevação das despesas com saúde na terceira idade é explicada também pela maior frequência do consumo entre os idosos.
Melo (2011) confirma esse dado e contribui afirmando que o custo mais elevado, exigirá mais dos serviço de saúde e necessitará mais de recursos públicos para seu tratamento. Em sua pesquisa concluiu que “as internações hospitalares no SUS indicam um crescimento dos gastos com idosos da ordem de 62,3% no período de 1995 a 2009, sendo que a quantidade de internações cresceu 9,6%. Indicando um aumento real nos gastos” (MELO, p. 59, 2011).  Tal situação justifica a importância de que as instâncias gestoras do SUS estejam preparadas para atender tal situação.
Em relação as doenças que mais causaram internação verificou-se 55,22% das hospitalizações por pneumonia lobar  (CID J18.1) e 19,31% por pneumonia bacteriana (CID J15.8 e J15.9). O idoso é especialmente susceptível à pneumonia, com o envelhecimento, há aumento do risco de colonização bacteriana e consequente aspiração, devido a alguns fatores mais prevalentes que na população jovem, tais como: doença periodontal; má nutrição; alteração da atividade mucociliar da árvore respiratória, principalmente nos tabagistas; déficit cognitivo; presença de comorbidades; institucionalização; hospitalização; polifarmácia e doença de Parkinson, entre outros podem retardar o diagnóstico e agravar o prognóstico (AUGUSTO et al. 2007).
Conclusão e Considerações Finais
É necessário aos gestores de saúde repensar sobre as políticas públicas de saúde destinadas a população idosa da 5ª Regional de Saúde do Paraná. Tendo em vista que não verificou-se diminuição nas taxas de internação por DRSAP na população idosa. A diminuição almejada demostraria acesso, acolhimento e resolutividades dos problemas de saúde pela AP no seu papel de promoção à saúde e prevenção de doenças, evitando gastos desnecessários. Sugere-se a elaboração de estratégias eficientes na AP, bem como investimento financeiro adequado na promoção da saúde e prevenção de agravos para as doenças mais prevalentes nos idosos.
Referências
BRASIL. Portaria n º 221, de 17 de abril de 2008. Publica em forma do anexo a Lista Brasileira de Internações por Condições Sensíveis à Atenção Primária. Brasília, 2008.   COSTA, M. F. B. N. A. da; CIOSAK, S. I. Atenção integrante na Saúde do Idoso no Programa Saúde da Família: Visão dos Profissionais de Saúde. Rev. Esc. enferm. USP. 2010. 44(2):437-444.
ALFRADIQUE, M. E, et al. Internações por condições sensíveis à atenção primária: a construção da lista brasileira como ferramenta para medir o desempenho do sistema de saúde (Projeto ICSAP - Brasil). Cadernos de Saúde Pública. 2011; 25:1337-1349.
AUGUSTO, D. K. et al. Estudo comparativo entre pacientes idosos internados com diagnóstico clínico de pneumonia comunitária, com ou sem confirmação radiológica. J. bras. pneumol. 2007; 33(3): p.270-274.
DATASUS. Indicador de recursos. Gastos per capta com ações e serviços de saúde de 2000 a 2012. Disponível em http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?idb2012/e0602.def Acesso em: 30 outubro 2014.
IBGE. Sinopse dos resultados do Censo de 2010. Disponível em http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/webservice/default.php?cod1=35&cod2= 355030&cod3=35&frm Acesso em: 20 setembro 2014.
MELO, A. F. de. A saúde do idoso em 2030: uma análise prospectiva do gasto público na saúde no Brasil. 2011. 103 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Saúde Pública) – Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz, Recife, 2011.
MARQUES, A. P. Análise das causas de internação de idosos segundo a classificação de Condições Sensíveis à Atenção Primária: estudo da evolução temporal no estado do Rio de Janeiro.  2012. 71 f. Dissertação (Mestrado) – Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Rio de Janeiro, 2012.
NUNES, A. O envelhecimento populacional e as despesas do Sistema Único de Saúde. In: CAMARANO, A.A. (Org.). Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60? Rio de Janeiro: Ipea, 2004, p. 427-450.
RODRIGUES, M. A. P. et al. Uso de serviços ambulatoriais por idosos nas regiões Sul e Nordeste do Brasil. Cad. Saúde Pública [online]. 2008. 24(10):2267-2278. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v24n10/08.pdf  Acesso em: 03 setembro 2014.

 



PREVALÊNCIA DE DEPRESSÃO EM IDOSOS ATENDIDOS PELO PROGRAMA CENTRO DE REFERÊNCIA DO ENVELHECIMENTO DE UM MUNICÍPIO DO NOROESTE DO PARANÁ

Milena Lemes
Acadêmica do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..">O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

Iara Sescon Nogueira
Enfermeira. PROCERE - Programa Centro de Referência do Envelhecimento – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..">O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

Rayane Nascimbeni Maldonado
Acadêmica do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Aluna bolsista do PROCERE – Programa Centro de Referência do Envelhecimento – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..">O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

Paula Cristina Gerhardt
Enfermeira. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UEM – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..">O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

Ligia Carreira
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Docente do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UEM – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..">O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..

Julieta Maria Almendra de Souza
Enfermeira. Diretora da Unidade Básica de Saúde – Maringá (PR), Brasil. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.


Resumo
A depressão é um transtorno de humor comum em idosos, sendo responsável pela perda de autonomia e pelo agravamento de quadros patológicos preexistentes. O Ministério da Saúde recomenda que dentro de uma avaliação global da pessoa idosa sejam incluídos testes que verifiquem o estado de saúde mental e funcional. O objetivo do estudo foi determinar a prevalência de depressão em idosos residentes em uma área sem cobertura de Estratégia Saúde da Família e que são atendidos pelo Programa Centro de referência do Envelhecimento (PROCERE) no município de Maringá-PR, através da Escala de Depressão Geriátrica (EDG) de Yesavage. Trata-se de um estudo descritivo, realizado de agosto a setembro de 2014, com idosos cadastrados no PROCERE. Os dados são preliminares e foram avaliados 30 do total de 125 idosos, que responderam à Escala de Depressão Geriátrica de Yesavage (1983), versão simplificada com 15 perguntas. Foram coletadas informações sóciodemográficos para caracterização dos sujeitos. Houve predominância do sexo feminino (60%) e a maioria dos depressivos tinha idade entre 60 e 74 anos (80%). A depressão foi identificada em 5 idosos (16,7%). Entre os deprimidos, 80% (n=4) foram caracterizados tendo depressão leve ou moderada e 20% (n=1) como portadores de depressão grave. Em síntese, a presente pesquisa permitiu caracterizar os idosos atendidos pelo PROCERE. A partir dos resultados encontrados, surge a necessidade de se desenvolver e planejar atividades voltadas para a detecção precoce e tratamento desta patologia na população idosa bem como a criação de programas nacionais com o objetivo de promover a saúde mental.
Palavras-chave: Saúde do Idoso; Depressão; Envelhecimento.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia

Introdução    
A depressão é um transtorno de humor comum entre idosos, sendo responsável pela perda de autonomia e pelo agravamento de quadros patológicos preexistentes. Está associada ao maior risco de morbidade e de mortalidade, ao aumento na utilização dos serviços de saúde, à negligência no autocuidado, à adesão reduzida aos regimes terapêuticos e ao maior risco de suicídio (SILVA et al, 2010). É considerado um dos agravos de saúde mental mais frequentes na terceira idade, sendo um sério e crescente problema de saúde pública, trazendo prejuízos à vida familiar e à comunidade, tendo impacto negativo em todos os aspectos da vida. Não é parte normal do envelhecimento, muito menos uma característica de fraqueza, é uma doença, e deve ser reconhecida e tratada efetivamente (FERRARI e DALACORTE, 2007).
A depressão geriátrica é multifatorial. Os fatores genéticos embora presentes pouco contribuem. Atualmente mudanças que ocorrem no metabolismo dos neurotransmissores além das alterações hormonais e a desincronização do ritmo cardíaco, são tidas como as principais causas da depressão. Há de se considerar ainda os fatores sociais e saúde física. Alterações da acuidade visual e auditiva são fatores que contribuem fortemente para a depressão, pois levam o idoso ao isolamento (MELLO e TEIXEIRA, 2011).
Pessoas idosas com depressão tendem a apresentar maior comprometimento físico, social e funcional, afetando sua qualidade de vida. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2020 o transtorno depressivo será a segunda maior causa de incapacidade no mundo. Diante da importância desse transtorno, se faz necessária uma avaliação sistemática dos indivíduos idosos, contribuindo para uma melhor detecção dessa patologia e consequente aumento da qualidade de vida dessa população, evitando outras condições clinicas e prevenindo óbitos prematuros (BRASIL, 2012).
O Ministério da Saúde recomenda que dentro de uma avaliação global da pessoa idosa sejam incluídos testes que verifiquem o estado de saúde mental e funcional desse indivíduo para que se estabeleça um diagnóstico, prognóstico e implementação das ações terapêuticas necessárias (BRASIL, 2012). Nesse sentido, a Escala de Depressão Geriátrica (EDG) de Yesavage (1983) surge como um dos instrumentos mais frequentemente utilizados para o rastreamento e triagem de depressão em idosos, amplamente utilizada na avaliação geriátrica global, auxiliando a determinar a necessidade de tratamento desta fração da população, sendo recomendada pela Organização Mundial de Saúde.
Objetivo
O objetivo deste estudo foi determinar a prevalência de depressão em idosos residentes em uma área sem cobertura de Estratégia Saúde da Família e que são atendidos pelo Programa Centro de referência do Envelhecimento (PROCERE) no município de Maringá-PR, através da Escala de Depressão Geriátrica (EDG) de Yesavage.
Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo quantitativo e descritivo de corte transversal que utilizou a Escala de Depressão Geriátrica de Yesavage (1983), versão simplificada com 15 perguntas, para avaliar a prevalência de depressão em idosos cadastrados através do projeto ADEFI – “Assistência domiciliar de enfermagem as famílias de idosos dependentes de cuidado” e que são atendidos pelo PROCERE – Programa Centro de Referência do Envelhecimento, em parceria com uma unidade básica de saúde do Município de Maringá-PR.
A Escala de Depressão é composta por 15 questões referentes a como a pessoa se sentiu na última semana, devendo responder apenas “sim” ou “não”. Foi utilizada como nota de corte pontuação igual ou superior a 5 pontos. Foram coletadas informações sóciodemográficos para caracterização dos sujeitos.
Os dados são preliminares e foram avaliados 30 do total de 125 idosos, com idade igual ou superior a 60 anos, no período de agosto à setembro de 2014. Os idosos foram divididos em três grupos etários, obedecendo ao protocolo de identificação do idoso vulnerável (VES-13) (LUZ, 2013), a saber: 60 a 74 anos; 75 a 84 anos e =85 anos. Os dados foram analisados utilizando estatística descritiva simples, levando-se em conta as médias da pontuação da variável de Yesevage dentro de cada faixa etária.
Discussão de Resultados
Na amostra de 30 idosos houve predominância do sexo feminino, com 16 mulheres (53,3%) para 14 homens (46,7%). Quanto à idade, a maior frequência dos idosos estava na faixa etária entre 60 e 74 anos (83,3%), o que correspondeu a 25 idosos.
De acordo com os resultados da pontuação da Escala de Depressão Geriátrica, observou-se que 16,7% (n=5) dos idosos tinham depressão, alcançando mais de cinco pontos no escore utilizado. Os 83,3% (n=25) restantes não foram caracterizados como depressivos, tendo em vista que seu escore variou entre zero e cinco pontos. Em um estudo feito com 621 idosos atendidos pela Estratégia Saúde da Família da cidade de Porto Alegre, a prevalência de depressão foi de 30,6%, superior ao nosso resultado (NOGUEIRA et al, 2014). Entre os indivíduos deprimidos, 4 foram caracterizados tendo depressão leve ou moderada (escore de 6 a 10 pontos) e apenas 1, como portador de depressão grave (escore de 11 pontos ou maior).
Observou-se depressão em 16% (n=4) dos idosos com 60 a 74 anos, que foi a faixa etária com maior número de participantes neste estudo. Dos idosos com depressão leve ou moderada, três estavam na faixa de 60 a 74 anos e um na faixa de 75 a 84 anos, sendo que nenhum idoso depressivo foi encontrado na faixa etária maior ou igual à 85 anos. O indivíduo que apresentou depressão grave estava na faixa de 60 a 74 anos.
A prevalência de depressão encontrada teve o público alvo constituído na maioria por mulheres (60%, n=3), sendo semelhante aos achados de Silva et al (2012), que também observou a prevalência dos sintomas depressivos em mulheres idosas. Fato que pode ser explicado pela maior expectativa de vida das mulheres em relação aos homens, sendo que com o avançar da idade a incidência de doenças crônicas, como a depressão, tendem a aumentar (SILVA et al, 2012).
Conclusão e Considerações Finais
Em síntese, a presente pesquisa permitiu caracterizar os idosos atendidos pelo Centro de Referência do Envelhecimento de Maringá, a partir de aspectos como idade e sexo, identificando um maior número de indivíduos do sexo feminino, além de identificar grande prevalência de depressão, principalmente no sexo feminino e entre  idosos mais jovens, na faixa etária de 60 a 74 anos.
Desta forma, surge a necessidade de se desenvolver e planejar atividades voltadas para a detecção precoce e tratamento desta patologia nos serviços que prestam assistência a esta população idosa, assim como no Centro de Referência do Envelhecimento, levando à diminuição da sintomatologia depressiva, melhorando a qualidade de vida dessa população.
  Recomenda-se que sejam realizadas novas pesquisas analisando a influência de fatores, como escolaridade, estado civil, presença de patologias e prejuízo funcional, que podem estar associados à depressão na terceira idade, bem como a criação de programas nacionais com o objetivo de promover a saúde mental, diagnosticar precocemente e diminuir os sintomas depressivos entre os idosos.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde; 2012.
FERRARI, J.F.; DALACORTE, R.R. Uso da Escala de Depressão Geriátrica de Yesavage para avaliar a prevalência de depressão em idosos hospitalizados. Scientia Medica, Porto Alegre, v.17, n.1, p.3-8, jan./mar. 2007.
LUZ, L.L. et al. Primeira etapa da adaptação transcultural do instrumento The Vulnerable Elders Survey (VES-13) para o Português. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.29, n.3,p.621-628, mar. 2013.
MELLO, E.; TEIXEIRA, M.B. DEPRESSÃO EM IDOSOS. Revista Saúde, Guarulhos, v.5, n.1, 2011.
NOGUEIRA, E. L.  et al . Rastreamento de sintomas depressivos em idosos na Estratégia Saúde da Família, Porto Alegre. Revista de Saúde Pública,  São Paulo,  v. 48, n. 3, jun.  2014.
SILVA, G.B. et al. Caracterizando a depressão no idoso: Uma revisão bibliográfica. Enciclopédia biosfera, Goiânia, vol.6, n.9, 2010.
SILVA, E.R. et al. Prevalência e fatores associados à depressão entre idosos institucionalizados: subsídio ao cuidado de enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem da USP,  São Paulo,  v. 46, n. 6, dez.  2012.   
YESAVAGE J. et al. Development and validation of a geriatric depression screening scale: a preliminary report. Journal of Psychiatric Reserch. V.17, n.2,1983.



A FEMINILIZAÇÃO DA VELHICE E A MULHER IDOSA NA MÍDIA
                                                         
Aparecida Fernandes de Oliveira
Bacharela em Serviço Social- Graduada pela FSSPP- Faculdade de Serviço Social de Presidente Prudente - SP. Aluna Especial do Programa de Pós Graduação Sociedade e Desenvolvimento da Universidade Estadual do Paraná, campus de Campo Mourão, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Ivania Skura
Bacharela em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Cesumar, UniCesumar. Mestranda do Programa de Pós Graduação Sociedade e Desenvolvimento da Universidade Estadual do Paraná, campus de Campo Mourão, O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Resumo
Este trabalho pretende, por um viés essencialmente bibliográfico, traçar um breve apontamento do fenômeno demográfico chamado feminização ou feminilização da velhice, em que a longevidade feminina constatada por diversos autores e demógrafos se coloca como ponto de partida para um processo necessário de mudanças nos mais diversos âmbitos, sejam eles sociais, culturais, econômicos, assistenciais entre tantos outros. Problematizamos ainda a retratação midiática da mulher idosa e a lacuna existente nos veículos que se voltam para esse público alvo, discutindo modelos e situações que podem influenciar no entendimento de como olhar para este processo.

Palavras-chave: Idoso, Longevidade e Feminização da velhice.
Área temática: Envelhecimento: Demografia e Epidemiologia

Introdução
    São novos cenários que surgem e recebem destaque na sociedade atual: o envelhecimento populacional, a feminização da velhice e assim a mulher no centro de uma importante discussão social. A questão levantada é se, com o aumento de idosas no mundo, o interesse que é direcionado culturalmente aos jovens pode ter o foco mudado para os idosos, até porque, neste sentido, gerar imagens adequadas para idosos e não-idosos sobre a nova velhice é válido ao esclarecer este fenômeno social de grande importância.
Objetivo
    Produzir um breve texto que denote o fenômeno da feminilização da velhice como importante foco de estudo e evidencie a necessidade de se atentar para a presença ou ausência da mulher idosa na mídia.
Materiais e Métodos
Este estudo é essencialmente bibliográfico, uma primeira etapa em busca de embasar investigações futuras de campo. Os dados e informações aqui trazidos são excertos de um trabalho monográfico defendido em 2013 sob o título de “Um olhar da comunicação para o novo idoso”. Desse modo, se buscou informações em livros, sites, revistas, periódicos científicos (eletrônicos e impressos), notícias, reportagens, documentários, programas de televisão, cursos online, palestras e outros meios.
Discussão de Resultados
    Nos últimos cem anos, a expectativa de vida dobrou em países como a Alemanha: de 46,4 anos para 81,7, no caso dos homens; e de 52,5 anos para 87,8, no caso das mulheres (BENNEMANN et al, 2012). Dado este que comprova a tendência da feminização da velhice, citada por Neri (2007). Além disso, Bennemann et al (2012) confirmam que a sobrevida da mulher em relação ao homem gera uma situação em que a população idosa do Brasil "vivenciará uma feminilização do envelhecimento" (p. 30).
    Em 2006, no mundo, a razão de mulheres para homens com mais de 60 anos ou mais era de 1,2. Mas, se considerada apenas a população com 80 anos ou mais, a razão sobe para 1,8. A maior longevidade feminina está comprovada para todas as sociedades modernas, desenvolvidas ou não (MESQUITA, 2012, p.43). Trata-se de um fenômeno bastante estudado e comprovado por diversos autores e demógrafos. A expectativa de vida do idoso prevê projeções de longevidade principalmente para as mulheres, em qualquer época ou situação (KACHAR, 2003). Por isso:

São necessárias pesquisas com os idosos [...] para que os profissionais que trabalhem com o tema conheçam de forma mais ampla o processo de envelhecimento, oportunizando, com isso, maior sintonia entre os programas, projetos e políticas de intervenções sociais (BENNEMANN et al, 2012, p. 37).

    Goldenberg (apud REIF, 2013) afirmou que as mulheres estão vivendo mais, melhor e com mais liberdades. “Os velhos de 70 anos hoje são inclassificáveis, ou ageless” (p. 1). A autora relatou que as mulheres envelhecem melhor, por serem mais ativas em termos de saúde, porque se cuidam mais, vão com maior frequência ao médico, preocupam-se com fatores estéticos, cuidam da pele, pintam o cabelo, comem melhor, exercitam-se mais e, ainda, sentem-se mais livres (GOLDENBERG, 2013 apud REIF, 2013).
    A velhice feminina tem lugar também na televisão, em novelas, na publicidade, em notícias e outros formatos. Atrizes, apresentadoras e jornalistas enfrentam ambientes desafiadores na mídia, pois a idade ainda é fator de preconceito em muitos casos. Uma opção, neste cenário, seria achar veículos de comunicação que traduzam melhor essa nova maturidade, que, por enquanto, ainda são raros. As revistas, por exemplo, que se dirigem a idosas trazem em sua maioria não mais do que informações sobre tricô, artesanato, culinária e congêneres. A jornalista Fátima Ali, ao participar do programa “É a vovozinha” (2012), comenta que os principais assuntos que apontam, nesse início de uma comunicação, mais atualizada e voltada para o idoso, é a saúde.
    A revista “Barbara”, criada entre 1997 e 1998, chefiada pela jornalista Laís de Castro era uma tentativa de comunicação direcionada para mulheres com mais de 40 anos, conforme explica em seu depoimento durante a entrevista ao programa “É a vovozinha” (2012). A iniciativa teve, entre seus principais percalços, a vergonha das leitoras em pedir a revista na banca e o fato de personalidades famosas recusarem convites para aparecer na capa porque não queriam admitir terem mais de 40 anos. Isso porque, na época, mulheres de 40 anos eram consideradas velhas, atualmente, apenas 12 anos depois, essa imagem já mudou bastante, mas o preconceito ainda parece existir.
    Para se reconhecer no mundo em que vivem e reafirmar a auto-estima, muitos idosos querem aparecer nas capas de revista, jornais e televisão, e buscam formas de ocupar mais espaço na mídia, o que não poderia ser diferente na atual conjuntura social. Debert (2002) afirma que, ao perceber a tendência da retratação de velhos e avós como personagens presentes constantemente em diversas narrativas nos mais variados contextos midiáticos, algumas agências, atentas à necessidade de um número maior de atores idosos, têm se especializado para contratar esses profissionais.
    Mas “os interesses e ambições de pessoas com mais idade não se resumem em ser um avô ou uma avó feliz” (SIEVERT e TAÍSE, 2007, p. 13). Discute-se que a comunicação com o idoso não se trata de oferecer um plano de saúde melhor, remédios mais baratos ou contas bancárias e planos rentáveis de previdência social. Os idosos buscam e exigem mais do que isso. Uma pesquisa de autoria de Gerbner e Larry Gross, em que se analisaram 10 anos de programação da TV nos EUA (1982-1992), refletiu que os americanos com 60 anos ou mais representavam apenas 5,4% dos personagens, embora fossem cerca de 17% da população do país (LEITE, 2002). O que foi observado é que os idosos recebem pouca importância no mundo da comunicação, tornando-se quase invisíveis na televisão, embora representem um grande número de telespectadores. “No Brasil, as propagandas utilizando idosos, ou a eles dirigida, sempre foram poucas em relação ao total, oscilando entre 0,24% e 4,83%, dependendo do período e do veículo analisado” (VASCONCELOS, s.d. apud LEITE, 2002, p.1).
    Leite (2002) explica que, nas décadas de 1920 e 1930, os idosos, quando apareciam em anúncios, eram sempre ligados a produtos farmacêuticos e, a partir das décadas de 1950 e 1960, e mesmo 1970, esse cenário ficou um pouco diferente: os idosos já apareciam mais, sendo mostrados como membros de famílias, em anúncios de higiene pessoal, cosméticos, roupas, alimentos e mesmo de instituições financeiras, “mas sempre como figurantes, não como personagens principais, no máximo exercendo os seus papéis tradicionais de avós”. Já nas décadas de 1980 e 1990, os idosos na mídia passaram a adquirir valores mais modernos, como consumidores de serviços bancários, automóveis, celulares, computadores etc. A autora aponta que as pesquisas indicam mudanças nas formas como a propaganda se dirige ou representa a pessoa idosa e, embora estes indivíduos tenham sido pouco representados, já se tem uma imagem menos negativa em relação ao passado (LEITE, 2002).
    Quanto à retratação do idoso na mídia (na propaganda, principalmente) e à posição social que se dá a essas pessoas, se a mídia tem força para determinar e moldar o modo como vemos o idoso (NERI, 2007), há que se ver a incoerência de muitos discursos na mídia e em anúncios mostrando-os como pessoas que não são independentes, como deficientes, doentes ou desatualizados. Mas, além disso, é preciso não esconder a verdade, pois,

[...] ao contrário do que se pensa, o hábito de supervalorizar atributos positivos dos idosos pode mascarar avaliações negativas e confundir os idosos e as instituições sociais. Palmore (1990) denominou esses processos, genericamente, de preconceitos positivos. Chamou a atenção para o prejuízo que podem causar aos idosos por induzir falsas crenças e criar falsas expectativas de competência ou de agência. Por causa delas, os idosos podem achar que têm mais problemas de memória do que realmente tem e sentirem-se inferiorizados ou desinteressados diante de novos desafios intelectuais; podem achar que têm mais disposição física e sexual do que realmente têm e correm o risco de frustrações, de exposição ao ridículo ou de adoecimento (NERI, 2007, p. 41).

    Concordando com isso, Kachar (2003) comenta que, na mídia, geralmente, a imagem que se constrói está atrelada à idealização do vigor da juventude, como se fosse possível aumentar a longevidade sem chegar na velhice. Esse cenário, segundo a autora, prejudica não apenas a autoimagem dos idosos, mas também gera distorções na compreensão do envelhecimento, confundindo as perspectivas da pessoa idosa e da sociedade de modo geral.
Conclusão e Considerações Finais
    A feminização da velhice coloca a mulher idosa como maioria dentre o público da terceira idade em ascensão social. A chave do sucesso para a comunicação e para o relacionamento com a terceira idade está no entendimento de que o idoso não deve negar a velhice, é um ser pensante que vivencia experiências e pode orgulhar-se da sua idade. A mulher idosa pode e consegue, mas não deve ser obrigada a seguir padrões de produtividade, ideais de beleza e de saúde.
Referências
A vovózinha na mídia. Programa "É a Vovozinha". A terceira idade e a mídia (audiovisual). 2012. Direção: Renata Druck. Produção: Oficina/TV Brasil. Exibição: TV Terceira Idade, 2011.
BENNEMANN, R. M.; CORTEZ, L. E. R.; YAMAGUCHI, Mirian, M. U. Promoção da saúde no envelhecimento. In: MASSUDA, E. M; VELHO, A. P. M. (org.). Promoção da saúde: um enfoque interdisciplinar. Maringá - PR, 2012. p. 29-40.
DEBERT, G. G. O idoso na mídia (reportagem). In: COM CIÊNCIA, Velhice. 2002. p. 1-4. Disponível em: < http://goo.gl/3og9E9 > Acesso em 23 fev. 2013.
KACHAR, V. Terceira idade e informática: aprendender revelando potencialidades. São Paulo: Cortez, 2003.
LEITE, N. Mídia expõe imagem negativa de idosos. (reportagem). In: REVISTA COMCIÊNCIA, 2002. Disponível em: < http://goo.gl/m0dEiv> Acesso em 13 set. 2013.
MESQUITA, R. A. Mudanças econômicas e sociais em um Brasil que envelhece. In: MASSUDA, E. M.; VELHO, A. P. M (org.). Promoção da saúde: um enfoque interdisciplinar. Maringá - PR, 2012. p. 41-68.
NERI, A. L. Atitudes e preconceitos em relação à velhice. In: Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na terceira idade. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, Edições SESC SP, 2007.
REIF, R. Em novo livro, Mirian Goldenberg contesta mitos do envelhecimento. In: iG São Paulo. Publicado em 28/06/2013. Disponível em: <http://goo.gl/2XvJBd> Acesso em 13 set. 2013.
SIEVERT, M.; TAÍSE, J. V. Nova geração de idosos: um consumidor a ser conquistado. (artigo) In: X Conferência Brasileira de Comunicação e Saúde, 2007, 14 p. Disponível em: <http://www.projetoradix.com.br/arq_artigo/X_17.pdf> Acesso em 23 fev. 2013.

 


ESTADO NUTRICIONAL E TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO DE IDOSOS DE MARINGÁ (PR) E REGIÃO

Autor
Michel Lima Moro Alves

Co-autor
Andressa Gimenes Narezi

Co-autor
Idalina Diair Regla Carolino

Resumo
O Brasil, assim com os demais países latino-americanos, está passando por um processo de envelhecimento de sua população. Tais mudanças implicam em uma necessidade de adequação nutricional na população idosa e, por isso, a necessidade de estudos que visem à investigação do padrão alimentar nesse segmento populacional se torna cada vez mais importante. Este trabalho apresenta os dados parciais de um estudo realizado com idosos de Maringá (PR) e região cadastrados no PROCERE (Programa do Centro de Referência do Envelhecimento), tendo como objetivo avaliar as condições de saúde e qualidade de vida, a partir do estado nutricional dos indivíduos da terceira idade. O levantamento de dados foi feito por meio dos seguintes instrumentos: anamnese, recordatório de 24 horas e frequência alimentar aplicados em 10 pacientes. Com base nos dados colhidos, estes foram orientados a fazer uma adequação alimentar visando um melhor controle de doenças crônicas e comorbidades apresentadas pelos idosos em questão. Embora ainda seja um estudo parcial, os dados já nos mostram que boa parte dos idosos estudados possuem uma alimentação inadequada e, desse modo, a adequação nutricional nestes pacientes poderá trazer muitos benefícios em relação à qualidade de vida dos mesmos.

Palavras-chave: Idosos; Avaliação nutricional; Qualidade de vida.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia.

Introdução
    A população mundial vem, gradativamente, envelhecendo. A literatura mostra que os idosos (indivíduos com mais de 60 anos de idade) representam parcela cada vez maior da população. Segundo a associação americana de saúde pública, o estado nutricional é definido como a “condição de saúde de um indivíduo influenciada pelo consumo e utilização de nutrientes e identificada  pela correlação de informações obtidas  através de estudos físicos, bioquímicos, clínicos e dietéticos”. Portanto, o estado nutricional é detectado à partir de vários parâmetros, que podem ser utilizados e avaliados  de forma isolada ou associada. Para o idoso, a determinação do seu estado nutricional deve considerar, entre outros, uma complexa rede de fatores, onde é possível relatar o isolamento social, a solidão, as doenças crônicas, as incapacidades e as alterações fisiológicas próprias do processo de  envelhecimento.
Objetivos
    Avaliar a qualidade da dieta de indivíduos acima de 60 anos de Maringá (PR) e região por meio de anamnese, recordatório de 24 horas (R24h) e frequência alimentar.
    Adequar a ingesta alimentar com a finalidade de  melhorar o estado nutricional geral e nas comorbidades apresentadas pelo indivíduo idoso.
Materiais e Métodos    
    Trata-se de um estudo transversal, parcial, realizado por meio de anamnese e inquéritos alimentares. A amostra constou de 10 indivíduos, voluntários, integrados ao PROCERE (Programa  do Centro de Referência do Envelhecimento). O consumo alimentar foi medido por meio de um recordatório de 24 horas (R24h) e frequência alimentar. Para avaliação, foram usadas como base os tratamentos não farmacológicos descritos nas diretrizes brasileiras de hipertensão, dislipidemias e diabetes adaptadas ao paciente idoso.
    No período de julho de 2014 a outubro de 2014 foram entrevistados 10 idosos, sendo 80% mulheres e 20% homens. A faixa etária predominante é a considerada idosos jovens - 60 a 69 anos (60%) - seguida de 70 a 79 anos (40%). A maioria dos idosos entrevistados, 60%, não tem vínculo conjugal: são viúvos (20%), separados ou divorciados (40%). O percentual restante é de casados (40%).
    Com relação à prevalência de comorbidades encontradas na amostra, 50% apresentaram hipertensão arterial sistêmica, 10% Diabetes Mellitus tipo 2, 40% eram portadores de cardiopatias, 20% possuíam diagnóstico de anemia crônica e 20% não apresentaram comorbidades.
    Quando perguntados sobre a prática de atividades físicas regulares, 50% dos idosos negaram tal prática, 10% o fazem por 2 vezes na semana e 40% por 3 ou mais vezes na semana.
    Com relação ao número de refeições realizadas por dia, foi encontrado que 40% fazem 5 ou mais refeições durante o dia, 50% fazem 4 refeições e apenas 10% fazem menos que 3 refeições por dia. Houve um elevado consumo de carboidratos refinados (80%), em detrimento do consumo de alimentos integrais (20%). O consumo de carne vermelha foi igual ou maior que 3 vezes por semana em 40% dos pacientes e menor que 3 vezes por semana em 60%. Já a carne branca está presente 3 ou mais vezes por semana nas refeições de 60% dos idosos, sendo que 40% a consomem menos que 3 vezes na semana. A maioria dos idosos entrevistados (40%) consomem leite integral, enquanto 20% fazem uso do leite desnatado, 20% do semi-desnatado e 20% não consomem nenhum tipo de leite. A grande maioria dos entrevistados (80%) ingerem doces, sejam caseiros ou industrializados por 3 ou mais vezes na semana, enquanto apenas 20% o fazem menos que 3 vezes na semana.
    Quanto à mastigação dos alimentos, 50% dos idosos apresentaram dificuldades devido à próteses inadequadas. Além disso, 60% referiram pirose após as refeições. A ingesta hídrica foi igual ou superior a 2 litros por dia em 50% dos idosos, 1 litro por dia em 30% e menor que 1 litro por dia em 20% dos entrevistados.
Discussão de Resultados
    Parte-se do princípio de que a adequação alimentar do indivíduo idoso possui grande impacto no controle das doenças crônicas e comorbidades presentes e, desse modo, na melhora da qualidade de vida do paciente. Em decorrência disso, por meio da anamnese foram observadas as doenças crônicas e comorbidades do indivíduo entrevistado e, por meio do recordatório de 24 horas (R24h) e frequência alimentar, foi observado se a alimentação estava adequada ou não, de acordo com os tratamentos não farmacológicos apresentados nas diretrizes brasileiras de hipertensão, dislipidemias e diabetes.
    Por ser um estudo parcial, ainda não foram obtidos resultados concretos à respeito da melhora do estado nutricional dos pacientes ou de suas comorbidades apresentadas.
Conclusão e Considerações Finais
    Por ser um estudo parcial, ainda não apresentaremos uma conclusão. Entretanto, como considerações finais, podemos citar a importância do levantamento de dados à respeito do estado nutricional do paciente acima de 60 anos e da intervenção não farmacológica, por meio de adequação nutricional no controle de doenças crônicas e melhora de qualidade de vida do indivíduo idoso.
Referências
Projeto Diretrizes - Terapia nutricional para pacientes na senescência -  volume 9, 2011
PORTO, C.C. Semiologia Médica - GUANABARA Koogan, 5ª edição, 2005
BENSEÑOR I.M., ATTA J.A., MARTINS M.A. Semiologia Clínica. 1ª edição. Sarvier, São Paulo, 2002.
Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes: 2013-2014/Sociedade Brasileira de Diabetes
Sociedade Brasileira de Cardiologia / Sociedade Brasileira de Hipertensão / Sociedade Brasileira de Nefrologia. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arq Bras Cardiol 2010; 95(1 supl.1): 1-51
Xavier H. T., Izar M. C., Faria Neto J. R., Assad M. H., Rocha V. Z., Sposito A. C., Fonseca F. A., dos Santos J. E., Santos R. D., Bertolami M. C., Faludi A. A., Martinez T. L. R., Diament J., Guimarães A., Forti N. A., Moriguchi E., Chagas A. C. P., Coelho O. R., Ramires J. A. F.; Sociedade Brasileira de Cardiologia. V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Arq Bras Cardiol 2013

 



PERFIL DE IDOSOS INTERNADOS NA UTI QUE REALIZARAM HEMODIALISE NO ANO DE 2013

Caroline Soczek da Silva
Discente de Bacharelado em Enfermagem da UEPG. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Carlyne Lopata
Discente de Bacharelado em Enfermagem da UEPG. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Caroline Gonçalves Pustiglione Campos
Docente do Departamento de Enfermagem e Saúde Pública da UEPG. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

July Hellen Linhares da Rocha
Discente de Bacharelado em Enfermagem da UEPG. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Marlene Harger Zimmermann
Docente do Departamento de Enfermagem e Saúde Pública da UEPG. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Péricles Martim Reche
Docente do Departamento de Enfermagem e Saúde Pública da UEPG. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Resumo
O envelhecimento populacional é incontentável e torna as pessoas sujeitas ao processo patológico, necessitando de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Muitos pacientes críticos sofrem de Insuficiência Renal Aguda (IRA) grave, necessitando de suporte renal artificial, na UTI. Os principais fatores que levam o paciente a dialisar da UTI são infecção e sepse. Objetivo da pesquisa foi caracterizar as ocorrências de hemodiálise em idosos internados na Unidade Terapia Intensiva em 2013. Metodologia: pesquisa retrospectiva, descritiva, abordagem quantitativa. Realizada de junho a dezembro de 2013, na UTI do Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Ponta Grossa – PR. Resultados: em 2013, 38 pacientes idosos na UTI realizaram hemodiálise, com idade média de 73 anos, 25(64,1%) do sexo masculino e 14(35,9%) do sexo feminino, 27(69,2%) hipertensos, 12(30,8%) diabéticos, o tempo de internação variou de 3 dias a 55 dias, com média de 10 dias. Tempo médio de hemodiálise de 5 dias. A indicação para realização da hemodiálise prevaleceu para quadro de lesão renal quanto aguda quanto crônica, 25(39%) dos idosos, 6 (24%) para sepse e 4(16%) para pós-operatório. Das complicações apresentadas na hemodiálise, 25(64,1%) idosos tiveram hipotensão arterial, 6(15,4%) hipoglicemia, 6(15,4%)  não apresentaram  complicações, os demais apresentaram complicações variadas como êmese, diarreia, dispneia e taquicardia. Conclui-se, portanto, que o perfil dos pacientes abordados é composto por doenças de base, como HAS e DM, que a idade avançada é um fator de risco e exige um cuidado revisto e melhorado. O diagnóstico de DRC foi prévio à internação na maioria dos pacientes.

Palavras-chave: Hemodiálise; Idoso; Unidade terapia Intensiva.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia

Introdução
A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um setor complexo, destinado à internação de pacientes críticos, na qual requerem monitorização, atenção especializada e contínua, materiais específicos e tecnologias necessárias ao seu diagnóstico (Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB, 2009).
Dentre as patologias que assolam pacientes críticos, destaca-se a doença renal que se caracteriza por alteração da função renal, na qual se mantém por um período variável, sendo diferenciada em insuficiência renal aguda (IRA) e  Doença renal crônica (DRC) (OLIVEIRA; et al., 2009).
Os sintomas manifestam-se morosamente, e geralmente após perda de 50% das funções renais. Os mais frequentes são alteração no aspecto da urina, dor ou ardência durante a micção, inchaço peripalpebral e nos tornozelos, fraqueza, náuseas e elevação da pressão arterial  (SBN, 2013).
Após a instalação e progressão da DRC no organismo, torna-se inevitável o início da Terapia Renal Substitutiva (TRS), como a hemodiálise e a diálise peritoneal. Ambas têm o objetivo de filtrar, artificialmente, os produtos do metabolismo e líquidos do organismo. No entanto, a literatura demonstra que em mais de 90% dos casos, a hemodiálise é usada como tratamento inicial (SANTOS; LUCENA; VALE, 2010).
Ademais, é uma doença de desenvolvimento silencioso, irreversível e progressivo e que apresenta como principais fatores de risco a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), o Diabetes Mellitus (DM) , além do próprio  processo de envelhecimento (REY et al., 2011).
Com o aumento da população idosa agrava-se ainda mais a situação, uma vez que a DRC instala-se, frequentemente, em idosos, devido às patologias de base (TONELLI; RIELLA, 2014). Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), existem cerca de 100.397 pacientes em tratamento dialítico por ano, e destes, aproximadamente 31,4% tem 65 anos ou mais. Também, do total de pacientes que se encontram em diálise, 30% têm DM e 35% têm HAS (SBN, 2013).
Perante o esboço desta realidade, este estudo buscou elucidar a seguinte questão: Qual o perfil dos idosos que realizaram hemodiálise na unidade de Terapia Intensiva no ano de 2013?
Objetivo Geral
Caracterizar o perfil clinico de idosos internados na Unidade de Terapia Intensiva, no ano de 2013, que realizaram hemodiálise.
Materiais e Métodos
Pesquisa retrospectiva, descritiva, com abordagem quantitativa. Realizado no período junho a dezembro de 2013, na Unidade de Terapia Intensiva, do Hospital Santa Casa de Misericórdia, na cidade de Ponta Grossa. Amostra foi composta por 39 prontuários de pacientes idosos, que realizaram hemodiálise na UTI no ano de 2013. Foram coletadas informações, no sistema Tasy (prontuário eletrônico) através de formulário, das seguintes variáveis: sexo, idade, doenças de base (hipertensão arterial sistêmica, e diabetes mellitus), indicação para a hemodiálise, tempo de permanência na UTI, tempo de permanência na hemodiálise e complicações advindas durante o tratamento dialítico.
Os dados quantitativos foram analisados por meio de estatística descritiva simples e os resultados expressos por frequência sob forma descritiva.
Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos da Universidade Estadual de Ponta Grossa, pelo parecer número 699.921 de 29 de maio de 2014.
Discussão de Resultados
Fizeram parte da pesquisa 39 de pacientes idosos internados UTI que realizaram hemodiálise, com idade media de idade 73 anos, entre 60 a 85 anos, 25 (64,1%) do sexo masculino e 14 (35,9%) do sexo feminino. Esses dados convergem com os estudos de Acuña et al. (2007) que mostraram maior frequência do gênero masculino internado na UTI, sendo 30 (36,1%) idosos  com mais de 60 anos.  Já para Santos, Lucena, Vales (2011), foram encontrados 59 (57%) idosos do sexo masculinos que realizaram hemodiálise.
No que diz respeito às doenças de base foram identificados 27 (69,2%) hipertensos e 12 (30,8%) diabéticos. Percebe que a Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus são doenças que predispõem o desenvolvimento da DRC. Corrobora os achados com a pesquisa realizados por Kusumoto et al.(2008) entre 62 idosos, 32,1% possuíam HAS, 52,5% DM.
Quando os rins perdem suas funções regulatórias, endócrinas e excretórias, define-se doença renal,  caracterizada por aguda ou crônica. A hipertensão e o diabetes são os principais  diagnósticos  primários  encontrados,  seguido  do  envelhecimento,  tabagismo, obesidade e dislipidemia (BRASIL, 2014)
Com relação ao tempo de internação variou de 3 dias a 55 dias, com média de 10 dias. Já o tempo de hemodiálise a media foi de 5 dias, com variação de 1 a 26 dias. Estudos  demonstram  que  quanto  maior  o  tempo  de  internação,  maior  a  chance  de morbidade  e  complicações  ao  paciente,  elevando  taxa  de  mortalidade,  independente  da patologia acometida (COSTA et al., 2014)
A indicação para realização da hemodiálise prevaleceu para quadro de lesão renal quanto aguda quanto crônica, representando 25 (39%) dos idosos, sendo 6 (24%) para choque séptico e 4 (16%) para pós-operatório, e 4 (16%) idosos como  câncer de bexiga e doenças pulmonares. Os achados corroboram com estudos Acuña et al (2007), com proporção de  13-16,4% para problemas renais,  10-12,6% para choque séptico e 35-44,3% no pós-operatório. Nota-se que no estudo de Acuña a proporção para indicação de hemodiálise em quadros de pós-operatório foi maior, diferentemente dos achados nessa pesquisa.
Com relação às complicações apresentadas na hemodiálise, 25 (64,1%) idosos tiveram hipotensão arterial, 6 (15,4%) hipoglicemia, 6 (15,4%)  não apresentaram  complicações, os demais apresentaram poucas complicações como êmese, diarreia, dispneia e taquicardia, bradicardia 2 ( 5%).
Considerações Finais
Na pesquisa observou que os idosos internados na UTI, necessitaram da hemodiálise por diversos fatores. Dessa forma, torna-se necessária atenção à população idosa desde a prevenção de doenças na atenção primária até o grau terciário de atenção a saúde, visando diminuir a ocorrência de patologias mais graves, como no caso da DRC, e melhorar a assistência e cuidado a estes pacientes.
Quanto ao perfil clínico dos pacientes, percebe-se que a hipertensão e o diabetes são os principais diagnósticos primários encontrados, o que permite afirmar que as doenças de base são realmente os principais fatores de risco para o desenvolvimento da DRC, juntamente com a idade, outro fator importante a ser considerado.
Referências
ACUÑA, K.; et. al. Características Clínico-Epidemiológicas de Adultos e Idosos Atendidos em Unidade de Terapia Intensiva Pública da Amazônia. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 19 n. 3,  2007.
ASSOCIAÇÃO DE  MEDICINA  INTENSIVA  BRASILEIRA.  Regulamento Técnico  para  Funcionamento  de  Unidades  de  Terapia  Intensiva.  2009. Disponível  em:  &lt;http://www.amib.org.br/fileadmin/RecomendacoesAMIB.pdf&gt;Acesso em 15 set 2013
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem: princípios e diretrizes. Brasília, 2009. Disponível em:</portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/maio/21/>;. Acesso 29 set 2014.
COSTA, J.B, et al. Sedação e memórias de pacientes submetidos à  ventilação mecânica em unidade de terapia intensiva  Rev Bras Ter Intensiva, v.26,n.2, 2014.
KUSUMOTO L.; et al.. Adultos e idosos em Hemodiálise: avaliação da qualidade de vida relacionada à saúde. Revista Acta Paul Enfermagem, v. 21, 2008.
OLIVEIRA,  F.  C. de;  et  al.  Co-morbidades  e mortalidade de pacientes com doença renal: atendimento terceirizado de nefrologia.  Revista Acta paulista de enfermagem,v22,s/n, 2009.
REY, R. D.; et al. Factores de riesgo de enfermedad renal crónica. Revista de la Facultad de Medicina, v. 19, n. 2, 2011.
SANTOS, A. M. D.; LUCENA, N. M. G. de; VALE, A. M. T. do. Caracterização sociodemográfica de idosos com doença renal crônica submetidos a tratamento dialítico em um hospital filantrópico. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, v. 14, n. 4,. 2010.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA: Censo de diálise SBN 2013. Disponível em: <http://sbn.org.br/pdf/censo_2013_publico_leigo.pdf >. Acesso em: 09 out. 2014
TONELLI, M.; RIELLA, M. Doença renal crônica e o envelhecimento da população. Jornal Brasileiro de Nefrologia, São Paulo, v. 36, n. 1, 2014.

 


SAÚDE BUCAL PARA A TERCEIRA IDADE E SUA IMPORTÂNCIA PARA O BEM-ESTAR FÍSICO E MENTAL

Andressa Gimenes Narezi.
Graduanda em Odontologia na Universidade Estadual de Maringá - UEM. Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Odontologia. Av.
Mandacaru, 1550, Campus Universitário, 87080-000, Maringá, PR, Brasil. Fone: (44)
3026-3388. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Eduardo Kurihara.
Professor Doutor de Odontogeriatria da Universidade Estadual de Maringá – UEM. Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Odontologia. Av. Mandacaru, 1550, Campus Universitário, 87080-000, Maringá, PR, Brasil. Fone: (44)3026-3388. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Aline Martins Licheski do Bomfim.
Graduanda em Odontologia na Universidade Estadual de Maringá - UEM. Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Odontologia. Av. Mandacaru, 1550, Campus Universitário, 87080-000, Maringá, PR, Brasil. Fone: (44) 3026-3388. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Michel Lima Moro Alves.
Graduando em Medicina na Universidade Estadual de Mringá- UEM. Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Medicina. Av.Mandacaru, 1590, Campus Universitário, 87080-000, Maringá-PR, Brasil. Fone: (44) 3011-9096. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Isabela Belincanta Antunes.
Graduanda em Odontologia na Universidade Estadual de Maringá – UEM. Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Odontologia. Av. Mandacarú, 1550, Câmpus Universitário, 87080-000, Maringá- PR, Brasil. Fone: (44)3026-3388. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Guilherme Negrão Silveira.
Graduando em Educação Física no Unicesumar. Unicesumar, Departamento de Educação física. Av. Guedner, 1610, Jardim Aclimação, Maringá-PR, Brasil. Fone:? (44) 3027-6360. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
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Resumo
O Brasil tem se deparado com o aumento da população idosa e a odontologia, assim como a medicina, psicologia, e outras áreas da saúde têm se esbarrado com a necessidade de se adequar a essa nova gama de pacientes. A odontologia geriátrica enfatiza o cuidado bucal da população idosa, especificamente tratando do atendimento preventivo e curativo dos pacientes. A prevenção primária é destacada como estratégia fundamental para a saúde bucal dos idosos, uma vez que a saúde bucal comprometida pode afetar o nível nutricional, o bem-estar físico e mental e diminuir o prazer de uma vida social ativa. Este trabalho apresenta dados parciais de um estudo realizado com idosos de Maringá (PR) e região cadastrados no PROCERE (Programa do Centro de Referência do Envelhecimento) e tem como finalidade avaliar as condições de saúde bucal do idoso, que tem grande influência sobre a qualidade de vida do mesmo. O levantamento de dados foi feito por meio dos seguintes instrumentos: anamnese e exame físico de 14 pacientes. De acordo com os dados colhidos, os pacientes receberam informações sobre como manter a saúde bucal e em algumas situações, os idosos puderam receber tratamentos de menor complexidade como restaurações, raspagem e alisamento periodontal e confecção de novas próteses totais e parciais. Apesar de tratar-se de um estudo parcial, os dados já nos mostram que a maioria dos idosos estudados é carente de informações sobre higienização bucal adequada, cuidados e higiene de próteses e reconhecimento de lesões orais que podem tornar-se malignas.

Palavras-chave: Prevenção; odontologia; idoso.
Área temática: Envelhecimento: demografia e epidemiologia.

Introdução
O número de idosos na população e a expectativa de vida elevada têm aumentado com o avanço da modernidade. Entretanto, grande parte desta população idosa é edêntula e isso pode afetar substancialmente a saúde bucal e geral do indivíduo, bem como sua qualidade de vida (RIBEIRO, 2009). Em indivíduos idosos, também há prevalência de doenças crônicas, disfunções psicossociais e distúrbios físicos. Diante dessas considerações, é necessário que os cirurgiões dentistas avaliem as condições de saúde bucal de seus pacientes idosos sob o olhar do inter-relacionamento destas com as condições de saúde geral e qualidade de vida do indivíduo (BARBOSA; BARBOSA, 2002).
O papel da odontologia em relação a essa faixa populacional é de manter os pacientes em condições de saúde que não comprometam a alimentação normal e nem tenham repercussões negativas sobre a saúde geral e sobre o estado psicológico do indivíduo. Considerando-se a diversidade e a complexidade do idoso, a atuação de uma equipe interdisciplinar torna-se fundamental, na medida em que participa, analisa e integra conhecimentos específicos de diversas áreas com o objetivo comum de promover e manter a saúde do idoso (SHINKAI; CURY, 2000).
Objetivo
Avaliar as condições de saúde bucal, a partir de análise clínica dos indivíduos da terceira idade de Maringá e região cadastrados no Programa do Centro de Referência do Envelhecimento (PROCERE).
Promover a saúde bucal a partir de orientações sobre higiene oral e incentivo ao idoso para realizar com frequência a autoavaliação oral, visando a prevenção de patologias.
Divulgar a existência de projetos do PROCERE (Programa do Centro de Referência do Envelhecimento) de outras áreas da saúde como a Medicina ligada à nutrição, a Educação Física ligada ao bem-estar físico e a Psicologia ligada ao bem-estar mental do paciente. Todos os voluntários são orientados a procurar aconselhamento nessas outras áreas da saúde, visando integrar o conhecimento de todas as diferentes especialidades para proporcionar uma qualidade de vida ideal aos idosos.
Materiais e Métodos
Trata-se de um estudo transversal, parcial, realizado por meio de anamnese e exame físico do idoso. A amostra constou de 14 indivíduos, voluntários, integrados ao PROCERE (Programa do Centro de Referência do Envelhecimento). Aos pacientes, foi questionado sua história médica, suas queixas em relação à cavidade oral e seus hábitos de higiene bucal.
No período de julho de 2014 a outubro de 2014 foram entrevistados 14 idosos, sendo 09 mulheres e 05 homens. A faixa etária predominante é considerada de idosos jovens - 60 a 69 anos (64,2%) – e o restante com idade entre 70 e 89 anos (35,8%). A metade dos idosos entrevistados não possui vínculo conjugal: são 04 viúvos, 02 separados ou divorciados e 01 solteiro. Os outros 50% restantes são casados.
Com relação à prevalência de comorbidades encontradas na amostra, 35,8% apresentaram hipertensão arterial sistêmica, 21,4% Diabetes Mellitus tipo 2 e 28,5% eram portadores de cardiopatias.
Sabemos que o mau hálito muitas vezes está relacionado à higienização bucal feita de forma inadequada. Pudemos observar que os idosos atendidos possuem uma grande carência de informações e instruções sobre como higienizar a boca e as próteses de maneira correta e isso se refletiu quando metade dos entrevistados alegaram que percebem mau hálito neles mesmos. Quando os pacientes foram questionados sobre higiene da língua e uso de fio dental, 12 indivíduos alegaram fazer a higiene da língua, enquanto apenas 08 indivíduos disseram que usam o fio dental.
Dos 14 participantes da pesquisa, 07 são portadores de algum tipo de prótese removível (total ou parcial) e nenhum desses usuários de próteses conheciam a correta maneira de uso, cuidados e higiene da prótese removível.
Metade dos pacientes apresentou cálculo dental supragengival e/ou subgengival que foram removidos com raspagem e alisamento periodontal. Apenas 01 paciente foi diagnosticado com cárie ativa e necessitou da remoção da lesão e restauração da estrutura dentária. No exame dos tecidos moles da boca, foi constatado que 04 idosos possuíam algum tipo de lesão tecidual, que foi devidamente descartada a possibilidade de serem lesões malignas.
Discussão de Resultados
A saúde bucal tem grande influência sobre a qualidade de vida do indivíduo. Portanto o cuidado com a cavidade oral é de extrema importância para o bem-estar físico e mental do paciente, uma vez que, a ausência de saúde bucal pode afetar o estado nutricional do indivíduo, assim como fazê-lo perder a vontade de viver em sociedade (BARBOSA; BARBOSA, 2002). Por meio da anamnese foram observadas as doenças crônicas e comorbidades do indivíduo entrevistado e seu grau de instrução sobre higiene oral. Através do exame físico extrabucal foi observada a normalidade ou alteração das cadeias ganglionares e através do exame físico intrabucal foi observada a presença de lesões fundamentais, doenças periodontais, presença de cálculo e alterações em tecidos moles. Todos os diagnósticos feitos foram também respaldados em radiografias periapicais e panorâmicas.
Os pacientes que tinham necessidades básicas em relação à saúde bucal receberam tratamentos de baixa complexidade (remoção de cárie e restauração; raspagem e alisamento radicular; orientações sobre higienização bucal; confecção de prótese total e parcial; orientações sobre lesões orais que podem tornar-se malignas) e o acompanhamento tem sido feito periodicamente. Os pacientes com casos de alta complexidade foram orientados e encaminhados para receber o tratamento adequado (tratamentos envolvendo reabilitação oral, colocação de implantes, dentre outros - em clínicas particulares e/ou serviço público).
    Por ser um estudo parcial, ainda não foram obtidos resultados concretos à respeito da efetividade na melhora e manutenção da saúde bucal diante dos procedimentos realizados e das instruções dadas aos idosos voluntários, pois é necessário um tempo maior para se comprovar que a intervenção teve sucesso e surtiu efeito na melhora da qualidade de vida do paciente a longo prazo.
Conclusão e Considerações Finais
Por tratar-se de um estudo parcial, ainda não apresentaremos uma conclusão. No entanto, podemos suscitar que o levantamento de dados à respeito da saúde bucal do paciente acima de 60 anos, assim como a intervenção mediante tratamentos com grau de complexidade variados (sendo apenas os tratamentos mais simples realizados neste estudo e os demais encaminhados) pode gerar uma melhoria na qualidade de vida do paciente, colaborando também com a saúde sistêmica, o bem-estar físico e mental do mesmo.
Referências
BARBOSA, A.F.; BARBOSA, A.B. Odontologia geriátrica – perspectivas atuais.
JBC j. bras. clin. odontol. int., Curitiba, v. 6, n. 33, p. 231-234, maio/jun., 2002.
RIBEIRO, D.G. et al. A saúde bucal na terceira idade. Salusvita, v. 28, n. 1, p. 101-111, 2009.
SHINKAI, R. S. A.; CURY, A. A. D. B. O papel da odontologia na equipe interdisciplinar: contribuindo para a atenção integral ao idoso. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 16, n. 4, p. 1099-1109, out-dez, 2000.

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